2015 foi o ano das mulheres nos quadrinhos?

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No início de 2015 eu estava empolgada quanto ao progresso que tivemos nas discussões sobre mulheres e quadrinhos no Brasil em 2014. Aconteceram eventos no sudeste e no nordeste (Encontro Lady’s Comics e [Des]enquadradas) sobre a temática, além do aumento de produções e publicações impressas de mulheres – tanto independentes, quanto por editoras. Vi também o anúncio de uma curadora para o FIQ 2015 e a mobilização para propor mesas na CCXP que discutissem o papel das minorias na cultura pop, um espaço que até então não era pretendido pela organização do evento paulista. Parecia que teríamos um bom retorno e amadurecimento da cena dos quadrinhos nesse ano. Ora, o ano passado foi histórico: vimos a capacidade de leitores, produtores e quadrinistas se apoiarem para trazer produtos que tinham o protagonismo feminino.

O ano foi das mulheres nos quadrinhos brasileiros?

Sim, foi. Isso ninguém tira de nós nos próximos anos, até porque estamos avançando as discussões de representatividade de grupos em produtos culturais (junto com as questões feministas). Não será pelas gafes e falta de compreensão sobre o contexto social que vão tirar isso de nós. A desconstrução dos projetos de quadrinhos antiquados, desde de premiações, eventos e coletâneas, precisa ser feita e quem está questionando é quem não era visto/ouvido.

Nesse ano, acompanhamos as quadrinistas e envolvidos na cena se juntarem para expor seus incômodos e as incoerências.

O conforto de decidir, selecionar e convidar já não se sustenta na ideia de “meu projeto”, olhando pro próprio umbigo e círculo de conhecidos (na verdade nunca deveriam se pautar nisso se usam o discurso de ajudar os quadrinhos brasileiros). O momento é desafiante: aumentou o número de artistas nos quadrinhos, não são apenas homens que produzem e não há só um tipo de formato. A complexidade está aí para nos tirar da cadeira e compreender que nossas escolhas têm um papel social.

Tivemos o FIQ com o maior número de convidadas. Quem sabe, isso não pode ajudar outros eventos a perceberem a importância da representatividade? Que as pessoas que têm o poder de decidir os projetos desenvolva-os de forma participativa, ao lado de leitores, artistas e critica, principalmente dos que não eram ouvidos. É necessário ter projetos que compreendam o cenário complexo e sejam coerentes com as pessoas que estão nele, senão vão perder a potencia que tiveram um dia.

2016 vai ser bem interessante para acompanhar e lutar.

2 comentários em “2015 foi o ano das mulheres nos quadrinhos?

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