A amante de Agostini

Em janeiro de 2010 completou 100 anos de morte de Ângelo Agostini (1843-1910), o italiano que trouxe para o Brasil as histórias em quadrinhos. Agostini chegou em São Paulo quando tinha dezesseis anos. Veio com sua mãe, a cantora lírica Raquel Agostini.

Depois de fundar o Diabo Coxo (1864) – o primeiro jornal ilustrado publicado em São Paulo e que durou por pouco tempo – e de lançar o periódico O Cabrião (1866) – que faliu no ano seguinte – Agostini mudou-se para o Rio de Janeiro.

Foi nessa época que Agostini se envolveu com Abigail de Andrade, sua aluna de desenho.

Abigail de Andrade nasceu em Vassouras, Rio de Janeiro e foi a primeira mulher premiada com a medalha de ouro por trabalhos expostos no Salão Imperial de 1884.

Ela participou da exposição com quatorze trabalhos: quatro óleos representando cenas do cotidiano, dois retratos, três cópias e cinco estudos de desenho.

Seus trabalhos estão datados entre os anos de 1881 a 1889, mas pouco se sabe das suas obras e por isso, é difícil encontrá-las. Em 1989 com o aparecimento do livro “150 Anos de Pintura no Brasil” pertencente ao advogado carioca Sérgio Fadel, é possível ver em cores, a reprodução de três óleos da pintora.

Pintura de 1888 - Estrada do Mundo Novo com Pão de Açucar ao Fundo

Pintura de 1888 - Estrada do Mundo Novo com Pão de Açucar ao Fundo

Na exposição Mulheres Pintoras promovida pela Sociarte – Sociedade dos Amigos da Arte de São Paulo em parceria com a Pinacoteca do Estado, realizada nos meses de agosto a outubro de 2004, foi visto um quadro pequeno, um óleo de 34 x 23 cm, assinado por Abigail.

Pintura de 1885 - Niterói

Pintura de 1885 - Niterói

O quadro pertencente ao colecionador Francisco Asclépio Barroso Aguiar, e tinha o nome de No Ateliê, datado de 1881. No Salão de 1884, havia uma obra com o título Um Canto do meu Ateliê, algumas pessoas achavam que podia se o mesmo.

O fato é que as telas de Abigail estão dispersas entre colecionadores particulares e são raramente apresentadas ao público.

Abigail engravidou de Agostini e em 1888, e devido ao preconceito da sociedade na época, teve que se mudar com o professor e sua filha, Angelina Agostini, para Paris. Na capital francesa, Abigail perdeu o segundo filho após o parto, e morreu logo a seguir. Angelina Agostini viria a ser também, uma artista consagrada.

Para saber mais sobre as exposições da Academia Imperial, leia o artigo “A Pintura nas exposições ferais da Academia das Belas Artea” de Cybele Vidal.

Vale ler também a matéria Mulheres invisíveis do Jornal da Unicamp e a matéria no Estadão sobre Angelo Agostini.

4 comentários em “A amante de Agostini

  1. Prezada Mariamma Fonseca

    Obrigado pela citação do quadro “Um canto de meu Ateliê” de Abigail de Andrade; alguns pesquisadores acreditam que a mulher pintada, a senhorita que aparece nesta obra seja a própria Abigail, dada sua fulgurante beleza.

  2. Olá! Minha dissertação de mestrado é sobre a pintora Abigail de Andrade e suas obras, fico muito feliz em ver seu nome figurando por aqui e ver sua obra sendo divulgada.

    Essa grande artista deve ser revalorizada e sua produção resgatada!

    Abraços!

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