Ana Luiza Koehler entra para curadoria do FIQ

O Festival Internacional de Quadrinhos – FIQ passou, rendeu muita coisa por aqui, mas continua trazendo novidades para seu público. Além de já terem anunciado a data de dua próxima edição, que a próposito é de 11 a 15 de novembro de 2015, o evento nos contou uma excelente notícia, que você fica sabendo em primeira mão. Acontece que a Ana Luiza Koehler, que está sempre com a gente e, inclusive, criou nossa atual identidade visual, foi convidada para participar da equipe do FIQ como uma das curadoras do evento.

Ana Luiza da dica para quem quer começar a fazer quadrinhos

Ana Luiza da dica para quem quer começar a fazer quadrinhos

É a primeira vez que uma quadrinista contribuirá para a organização do maior festival de quadrinhos da América Latina. Segundo Afonso Andrade, Coordenador de Quadrinhos da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, a ideia foi diversificar a esquipe de curadoria. “Ana Koehler tem larga experiência no mercado, conhece a produção atual, aqui e lá fora e tem sido uma das vozes mais importantes na divulgação dos quadrinhos feitos pelas mulheres”, explica. O FIQ acontece sempre em Belo Horizonte por meio da Fundação Municipal de Cultura.

Claro que também conversamos com a Ana para saber o que ela achou disso tudo:

Lady’s Comics: Como você recebeu o convite? Você conhece bem o FIQ como convidada e como público. O que acha do evento? 

Ana Luiza: Foi uma surpresa e uma alegria muito grandes receber esse convite. Desde que fui à edição de 2011 como convidada, o evento e as pessoas que conheci lá mudaram radicalmente o modo de pensar o meu trabalho como quadrinhista e ficaram gravados na minha memória afetiva como um dos melhores momentos dos últimos anos.

O FIQ para mim é um grande congregador de autores e público de todo o país, que conseguem vencer as imensas distâncias do território brasileiro e se reúnem a cada dois anos para trocar idéias, experiências, conviver, enfim. Ainda que estejamos no mundo das comunicações instantâneas, o cara a cara ainda é essencial e tem o poder de mudar radicalmente a nossa percepção das outras pessoas e de seus trabalhos. Isso sem falar na oportunidade que o evento dá ao trazer autores internacionais e fora do circuito comercial tradicional, o que sem dúvida oxigena o meio dos quadrinhos no Brasil, trazendo mais diversidade.

Desenho feito no sketchbook do Lady’s durante o FIQ 2013

Desenho feito por Ana Luiza no sketchbook do Lady’s durante o FIQ 2013

Lady’s Comics: Achamos muito bacana ter uma mulher na curadoria do FIQ. Ainda mais por ser uma quadrinista envolvida e atualizada quanto às mulheres nos quadrinhos. A participação feminina em eventos como esse ainda é pequena, né?! O próprio FIQ vai para sua 9ª edição e só agora essa novidade.  O que acha?

Ana Luiza: De fato, o meio “tradicional” dos quadrinhos ainda é muito masculino, e não só aqui no Brasil. Eu mesma cresci lendo gibis de super-heróis mas era meio que uma “estranha” no meio das outras meninas porque lia aquelas revistinhas “de guri”. Mulheres e meninas sempre adoraram ler e fazer quadrinhos, o que está mudando é a percepção geral que o público está tendo delas. Talvez por terem historicamente uma participação minoritária no mercado editorial tradicional e por isso uma visibilidade também menor que a dos autores homens, ainda se pensa que há poucas mulheres fazendo e consumindo quadrinhos. Mas com o advento da internet e da publicação de webcomics, nota-se que há uma diversidade enorme de mulheres escrevendo, desenhando, colorindo e lendo quadrinhos, só que, aparentemente, produzindo nos circuitos independentes. E talvez só agora o público comece a perceber isso.

Assim, creio que a participação das mulheres será crescente nas próximas edições. E não só como autoras! :D

Lady’s Comics: Recentemente ocorreram casos de preconceitos e comentários maldosos contra meninas de cosplayers em eventos. É uma situação complicada e, infelizmente, frequente. O que pode ser feito para tentar melhorar isso?

Ana Luiza: Creio que a própria reação da maioria dos frequentadores do festival aos comentários maldosos e preconceituosos já aponta para uma mentalidade em mudança. Como em vários outros setores, nos quadrinhos também muitas antigas acepções a respeito de papéis de gênero estão sendo desafiadas e re-elaboradas no sentido de não mais tolerar comportamentos machistas. Ainda assim, e isso é de se esperar, resta uma certa inércia de atitude que ainda tem como reflexo tecer comentários preconceituosos e francamente desrespeitosos em relação a mulheres.

Aumentar a participação das mulheres como organizadoras, promotoras, jornalistas, autoras, leitoras e painelistas nestes eventos é uma estratégia para continuar mudando a mentalidade do meio no sentido de não só aceitar mas buscar mais diversidade de participantes e expressões artísticas. E todo o público tem a ganhar com isso.

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