As mulheres de Will

Após achar um vídeo antigo de uma entrevista que Jô Soares fez com Will Eisner resolvi falar de suas personagens.

O criador do “anti-herói” Spirit, forçado a uniformizá-lo para satisfazer o jornal onde trabalhava, se destacou pela criativa narrativa e inovações de perspectiva. Todos conhecem seu trabalho ou já ouviu falar seu nome, mas vim aqui falar delas, as mulheres que Will Eisner criou.

O período pós-guerra (1940-1950) de Will Eisner foi considerado os melhores na criação de Spirit. Foi nessa época que se casou com Ann Eisner inspiração para as personagens femininas. Ele disse em uma entrevista realizada para o documentário Will Eisner – profissão: cartunista que “todo artista ou escritor tem uma preferência por um tipo de mulher. Todos temos. Todos homens tem.” Para Eisner essa mulher deveria ser  hábil, competente e bem sucedida. Um pouco exigente, não? Bom…

Vamos então conhecer algumas das principais mulheres que povoam sua HQ mais conhecida: The Spirit.

P’Gell – Estreou em 6 de outubro de 1946, representava a femme fatalle clássica; Francesa, seu nome varia da palavra Pigalle, um famoso bairro de Paris. Era num estilo viúva negra. Ela sempre casava com homens ricos que acabavam morrendo, digamos, acidentalmente.  Sempre se insinuando para Spirit, ela nunca conseguiu roubar seu coração. No início era lânguida, tentadora e misteriosa depois virou uma figura do crime internacional.

Sand Saref –  Saref apareceu nas tiras de jornal de Spirit em 8 de janeiro de 1950. Ela e Denny Colt – o menino que iria crescer e se tornar The Spirit – foram namorados de infância. Foi ela quem o levou a vida do crime e quem o trouxe para o lado da justiça. É ela quem ainda carrega uma tocha para seu antigo namorado, e até certo ponto, ele para ela. Sand é a única entre as mulheres da vida do Spirit que sabe que ele é o falecido Denny Colt.

Mas o coração do Espírito pertence agora a Ellen Dolan.

Ellen Dolan – Loira e filha do comissário de polícia de Central City, Ellen é uma mulher doce que está sempre presente na vida do Spirit. Ela é uma personagem convincente, que evolui ao longo dos anos, desde seu começo como uma estudante universitária impetuosa a uma mulher sagaz e moderna. Ellen é também a prefeita de Central City e apesar de não se casar com Spirit é sua namorada oficial.

Silk Satin – A personagem entra no enredo de Spirt em março de 1941, com o título “Introducing  Silk Satin.” Ela apresenta uma figura imponente – uma mulher alta e escultural que geralmente usa o cabelo curto e trajes de homem e a noite vestidos de cetim.  Ela aparece pela primeira vez como uma ladra de jóias depois de um tempo sai da vida criminosa. Ao longo da década seguinte, ela passaria o tempo como uma agente secreta britânica e eventualmente, uma investigadora. Às vezes ela e o Spirt trabalham juntos de forma amigável, em outras ocasiões, eles trabalharam um contra o outro.

As histórias de Satin foram produzidas em alguns momentos mais pessoais na carreira do Spirt. Em 1946 com as histórias “Hildie and the Gang Kid” e “Hildie e Satin”  Spirit ajudaria a reunir Silk Satin com sua filha perdida, Hildie. Houve sugestões de possível romance entre o Spirit e Satin, fazendo dela a “menina má” equivalente a “boa menina” que era Ellen Dolan.

Will Eisner não pensava em liberação feminina, seus personagens segundo ele era um reflexo de suas atitudes diante delas.

Will Eisner e sua mulher Ann Eisner

Ann Eisner disse uma vez: “Ele não é machista, embora você pudesse me ouvir acusando-o de vez em quando. É apenas no sentido de não ver que as mulheres têm que ser incluídas em todos os aspectos da vida não só nos papéis tradicionais que costumavam ter.”

Will Eisner faleceu aos 87 anos, no dia 3 de janeiro de 2005, no Centro Médico da Flórida, em Lauderdale Lakes. Em uma entrevista ele disse sobre a mulher  “Ann é minha ligação com a realidade”.

12 comentários em “As mulheres de Will

    • Olá Damião! Que bom que gostou! O Gibizada também é muito bom e o Télio um parceiro nessa caminhada a favor das HQ’s! =) Vou passar no teu blog pra conferir teu trabalho! Grande abraço!

  1. Muito bom este blog. Já estava mais que na hora de mostrar de uma vez por todas que hq não está restrito ao universo nerd/masculino e/ou meninas excêntricas. Como autor de quadrinhos sempre tive ótimo retorno do público feminino apesar do conteúdo violento das minhas histórias.
    Muito boa a matéria com as “femme fatales” do mestre Eisner.
    Parabéns. Vida longa ao blog. Vou recomendar.

  2. Esse blog está ficando mais e mais interessante cada vez mais rápido. Posso me atrever a dar uma sugestão de pauta? rss…

    Na mesma linha do presente post sobre as mulheres de Eisner, seria muito interessante um artigo sobre as mulheres de Corto Maltese, de Hugo Pratt. São inúmeras, todas fascinantes, desde as recorrentes até aquelas que apareceram em uma única história.

    Beijo grande…
    Rodrigo

  3. Ei ,muito legal essa matéria sobre as mulheres do will eisner!Parabéns pelo blog, conheci pelo universohq e gostei pra caramba! Concordo com o Rodrigo Emanoel Fernandes, uma matéria sobre as mulheres do Corto Maltese seria realmente bacana ( será que a Boca Dourada era mesmo de verdade? rs)também ia gostar de uma sobre a Julia Kendall (que parece que vai ter a revista cancelada, o que é uma pena, acho a melhor em bancas…)
    parabéns, um abração!

    Vinícius

  4. Amei o blog! O que seriam das HQs sem as femme-fatales noir e outras divas eternas (como Modesty Blaise, Mulher-maravilha, Sheena etc). Como meu blog fala de cultura geral (dentre elas quadrinhos), desde já aviso que ganhou mais um visitante regular.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *