Basara entre a fantasia e a realidade

Hey!

Desculpem o sumiço quanto as postagens, mas meu pós-FIQ foi conturbado. Finalmente a correria terminou, o que me deu mais tempo livre.

Hoje o post é sobre o mangá Basara, da japonesa Yumi Tamura. O mangá foi publicado em setembro de 1990 no Japão. Por oito anos Yumi desenhou e escreveu essa história tão detalhada.

Basara significa: O espírito de liberdade que nega a antiga autoridade, transcendendo as tradições e costumes.

Capa volume 1

O enredo se passa no Japão futuro, 100 anos depois de uma tragédia natural que ocorreu no século XXI. Os poucos humanos que sobreviveram recomeçaram suas vidas em vilas, com água e comida escassas. As terras do país já não eram férteis como antes, tudo virou deserto. Para piorar a situação dessas pessoas, elas eram governadas (leia-se reprimidas) por um rei tirano e seus filhos.

Como vemos na história da humanidade, a última esperança de uma sociedade é sempre a figura de um salvador. Yumi se utiliza do mesmo recurso para contar como uma previsão de um profeta pode mudar a vida dos indivíduos em sua volta. Diz a previsão que a “criança do destino” trará a paz e acabará com a monarquia que domina o Japão e, principalmente, com o Rei Vermelho (um dos filhos do rei tirano).

Ler da esquerda para a direita.

Um casal de gêmeos nasce na vila de Byakko e Tatara é a criança do destino. Sarasa, irmã do escolhido, apenas se restringe às atividades que o profeta a ensina, como o cultivo de plantas. O interessante da narrativa é que mostra como Sarasa se torna uma menina inquieta mesmo nas sombras do irmão. Por ser do sexo feminino ela não poderia ser a escolhida, já que a sociedade do futuro retratado por Yumi, mantém preconceitos de gênero.

Para melhorar a trama, a forte perseguição do Rei Vermelho para matar a criança do destino teve seu êxito. No momento de desespero e de determinação, Sarasa assume o posto de Tatara, fingindo ser seu irmão para proteger as pessoas da vila. A partir disso, ela precisa manter em segredo sua verdadeira identidade.

A arte do quadrinho é impecável.

O destino da protagonista se torna maior do que ela imaginava – e o mangá vai ficando cada vez mais curioso e interessante. Tamura usa seus personagens carismáticos muito bem. Cada um é uma peça necessária para acontecer a revolução. Tatara é apenas uma figura que inspira os que se aliam a ele, uma chave importante que se arrisca a lutar por um Japão mais igualitário, livre de injustiças.

Não só de política e lutas é feito Basara. Há o romance que envolve Sarasa e Shuri (uma das melhores partes do mangá, principalmente no auge da trama).  Também é interessante como o quadrinho consegue definir muito bem o futuro dos personagens baseando em cada escolha feita por eles ao longo da história.

Sarasa e Shuri são os personagens principais. Eles são o par romântico do mangá e sem saber que são inimigos: Tatara e Rei Vermelho (isso não é um spoiler. Juro!)

Basara teve sua versão em anime em 1998, no mesmo ano que terminou a publicação dos 27 volumes. Ganhou, em 1992, o prêmio Shogakukan Manga Award na categoria shōjo.

 

Recomendo muito para gosta de política, tragédia, romance e drama. A história é bem fechada, o leitor não fica com dúvidas sobre a trama. Tamura soube cativar demais com essa obra.

Farei um próximo post sobre outra obra de Yumi, o 7seeds. Esse aqui ficou grande demais, então falarei melhor sobre a mangaká na próxima vez.

Até mais. :)

5 comentários em “Basara entre a fantasia e a realidade

  1. Pra mim, o melhor mangá até agora. Acabei de finalizar, recomendo 100x. A inspiração anarquista sobre a queda dos opressores e a voz do povo é de extrema importancia. Politica abordada de maneira top! plus Sarasa e Shuri são demais juntos. <3

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