Brasileira desenha quadrinhos franco-belgas

Se você, assim como eu, pensou que a quadrinista de que vamos falar apenas desenha para França e Bélgica está muito enganada! Quadrinhos franco-belgas é mais do que isso. Os quadrinhos franco-belgas envolvem uma tradição e técnica. Apesar de no seu nome remeter aos que são dessa região a quadrinista que vamos conhecer veio do nosso Brasil.

Eu estou falando de Ana Luiza Goulart Koehler, uma porto-alegrense que desde o colégio faz ilustrações. Formada em Arquitetura e Urbanismo, apesar de não estar trabalhando na área, percebeu que pode aproveitar dessa profissão nas suas ilustrações.

“O que mais se aproxima do trabalho com arquitetura são mesmo as ilustrações de reconstituição arqueológica que faço, quando uso muito do conhecimento aprendido na faculdade, mas a exigência de bons cenários e entendimento de perspectiva também é fundamental para os quadrinhos”, diz em uma entrevista via email.

Outro diferencial do quadrinho franco-belga é que ele é reconhecido como arte e por isso denominado a nona-arte nestes lugares. O mercado brasileiro para Ana ainda vê os quadrinhos como uma mídia infantil, o que dificulta a produção e os torna mais caros.

Para ela é muito difícil manter uma produção consistente de títulos calcada na remuneração de profissionais da área, visto que quem quer produzir quadrinhos no Brasil tem que fatalmente se resignar a trabalhar em outra área para se sustentar e não consegue, assim, se dedicar integralmente à sua produção.

E quando pergunto a respeito do mercado para as mulheres ela responde: “Acho que o ramo não é diferente para as mulheres, o importante é apresentar trabalhos profissionais e respeitar os prazos como em qualquer outra área. Ainda somos grande minoria neste ramo, mas à medida em que temos mais opções de carreira vamos dando mais espaço a esses talentos e aspirações artísticas que, assim como nos homens, sempre estiveram em nós.”

Os quadrinhos são  preferência da gaúcha, onde acredita ser uma excelente escola de desenho. Confira uma das páginas de Awrah:

Artista em que se inspira: O americano George Pérez sempre foi meu principal inspirador, mas hoje em dia gosto muito do trabalho de Ana Miralles, Philippe Delaby, Smudja, Joann Sfar, Hermann, entre outros.

Seu último trabalho: A série “Awrah” é um conto oriental no estilo das “Mil e Uma Noites” que se desenvolve em dois tomos e se passa na Arábia medieval. Ela conta a história de um ladrãozinho órfão que é salvo por um notável da cidade, que o adota como filho e, anos mais tarde, ambos se apaixonam por uma belíssima nômade cuja caravana passa pela cidade. O que nenhum deles sabe é que esse dilema é apenas parte de um plano de vingança que o leitor descobrirá ao longo da leitura.

Qual a técnica que usa: A técnica que uso nos desenhos é simples: esboços com grafite azul sobre a página (papel sulfite 240gr), depois a finalização dos contornos definitivos com lapiseira de grafite preto.

Onde encontrar seu trabalho: “Awrah” ainda não está disponível no Brasil. Mas Ana continua procurando editores interessados em comprar os direitos autorais para publicá-la em língua portuguesa (ALÔ Editoras! Estão esperando o quê?).  Os interessados poderão adquirir os álbuns por sites de compra pela internet como FNAC ou Amazon.

Seu site e blog: http://www.analuizakoehler.com/ http://analuizakoehler.blogspot.com/

Mais informações sobre quadrinhos franco-belgas!

9 comentários em “Brasileira desenha quadrinhos franco-belgas

  1. Legal a entrevista com a Ana.

    Acabei de realizar uma com ela, que vai sair na edição da revista La bouche du monde (na França, com edições para o Brasil também).

    Estou acompanhando seu blog com muita atenção e gostando bastante.

    Parabéns.

    Já leu J. Kendall: As aventuras de uma criminologa?
    Taí uma personagem feminina bem interessante a ser tratada como tema futuro de postagens…
    E o próprio Berardi, autor de Julia, escreveu Ken Parker, e tem uma edição com uma personagem feminina muito forte, que é Adah… Além a saga da magnífica garota Pat O’Shane.

    Dá uma olhada… Vai se apaixonar.

    Abraços,

    • Ei Lucas! Fico feliz de saber que o trabalho da Ana está sendo mostrado! Ela desenha muito bem! Como faço para ter a revista? Nunca li J. Kendall mas vou pesquisar com certeza! Quanto ao Ken Parker eu tenho 2 revistas aqui em casa que ganhei do meu pai, tb vou analisar para escrever. Muito Obrigada pelas dicas! Abraços!

  2. Pingback: Considerações sobre mulheres, HQs e o FIQ | Lady's Comics

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