Como tudo acontece?

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Editar um quadrinho não é tarefa das mais fáceis. É um processo que envolve muita gente, e a atenção precisa se dividir entre muitas coisas; Ao contrário do livro, cuja a atenção reina quase absoluta no trabalho incansável com o texto. Uma HQ ou graphic novel envolve imagem e texto, e isso, minha gente, faz toda diferença. As duas coisas precisam se completar de forma harmônica para que tudo saia bem. É precisamente esse o papel do editor, o primeiro profissional a botar as mãos no projeto depois que ele chega numa casa editorial. E é aí que o trabalho começa.

Não sei se todo mundo sabe, mas quando o quadrinho chega para a editora, mesmo se tratando de um projeto completo e (teoricamente) já pronto, ele passa por muitas análises, avaliações, correções e mudanças antes de ir para a gráfica e, em seguida, para as livrarias e/ou bancas.

Primeiro, é preciso checar se a história está bem estruturada, se precisa de alguma edição em algum quadro, se as falas estão bem colocadas, se a narrativa está fluindo bem, se o que está sendo dito nos balões está acompanhando o que está sendo dito nas imagens. E depois, temos as demais questões: a fonte usada está legível? Combina com a história? Qual é o público-alvo? Alguma coisa na história pode impedi-la de chegar ao seu público? (Se é um livro que pode ser inscrito num programa de governo, por exemplo, ele não pode conter palavrões ou tratar de temas adultos de forma pesada. Se é um livro para jovens, talvez a linguagem não deva ser requintada demais.) e por aí vai. São muitas, muitas questões.

Após dar aquela boa analisada e apontar os principais equívocos, é hora de executar as edições, que podem ser feitas pelo próprio autor ou pelo setor de design da editora. Ou pelos dois trabalhando juntos. O importante é avaliar qual o processo certo para que cada projeto seja cuidado da melhor forma possível. Tem quadrinista que faz tudo à mão, então, se as edições a serem feitas precisam ser executadas no digital, é mais provável que a própria editora se encarregue delas. Da mesma forma, existem artistas que possuem uma forma tão específica de trabalhar no digital, que acaba sendo mais fácil para todo mundo se ele mesmo executar todas as mudanças e edições.

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Depois de feitas as edições, é hora de conferir se tudo foi feito ou algo foi esquecido. Também é o momento de avaliar tudo com cuidado redobrado, para ter certeza de que nada passou despercebido. E aí, é a hora da revisão, que no quadrinho acaba sendo um trabalho ainda mais minucioso, porque o revisor precisa conferir todo o texto, inclusive textos presentes no desenho, não apenas no balão (quando se trata de tradução, então, isso é importantíssimo, porque as palavras presentes dentro dos desenhos – como placas de lojas, propagandas – precisam ser traduzidas, e o desenho, adaptado). E precisa ainda verificar questões gráficas: borda de quadro, visibilidade das letras, enfim, um monte de coisinhas pequenas, mas bem importantes.

Depois de feita a revisão, é hora de executar as mudanças e correções. E aí, é feito o cotejo, uma conferência para checar se todas as correções apontadas pelo revisor foram feitas direitinho. E pronto, é hora de mandar para a gráfica e pedir uma prova, porque nesse momento o mais importante é outra coisa: a cor. Tudo pode dar errado na impressão, principalmente se a HQ for em cores. É muito fácil um tom mudar, e aí a lambança acontecer depois que você já imprimiu não sei quantos mil exemplares. Cor é muito importante, e é algo sutil, às vezes, por isso é preciso ter um olho bom para a coisa, para não deixar acontecer caquinha.

Quando chega a prova de cor e a “boneca” da HQ, o editor, revisor e designer examinam tudo de novo, página por página, para terem certeza de que tudo está bem. Em 99% das vezes alguém encontra algum problema, ou algum erro, e aí é hora de consertar e pedir outra prova e/ou “boneca”, para conferir mais uma vez. Só assim para o livro ir para a impressão tranquilo e feliz, com todos bem confiantes de que nada vai dar errado.

Depois do livro pronto, é tempo de distribui-lo e certificar de que vai chegar a todos lugares. Porém, o trabalho não acaba por aí…

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Não basta a HQ chegar na livraria, se ninguém souber nada sobre ela. E é aí que entra o pessoal do marketing, comunicação, imprensa, eventos, promotores de vendas, das redes sociais. O problema (e a beleza) do trabalho com o livro é que ele não acaba nunca. No lançamento, é muito importante informar as pessoas, tanto os possíveis compradores quanto os vendedores, sobre: o que é a HQ? Como é a capa? De quais temas ela trata? Qual o formato? É em cores? Qual o preço de capa? Qual é o público? Quem vai gostar dela? É muita informação, e são muitas as perguntas. Nesse momento, o empenho do autor/quadrinista é essencial.

O fato de uma HQ ser publicada não significa que ela vai ser lida. O quadrinista precisa visitar as livrarias e bancas, conversar com os vendedores, coordenadores, gerentes e donos. Ele tem que ir à eventos, mostrar seu trabalho, visitar escolas. Tem que se divulgar nas redes sociais, bolar ações na internet, gravar vídeos, dar a cara a tapa, e, por que não, exercitar a cara de pau. Sério mesmo, conheço autores que iam para as feiras e eventos, subiam num banquinho e gritavam: “Olha aqui o meu livro! Dá uma olhada!!! Fui eu que fiz!!!”

E então vamos seguindo, e o lema para geral é: não deixe o livro morrer!. À medida que o tempo vai passando, as HQs podem começar a serem esquecidas e não podemos deixar que isso aconteça! Nem o quadrinista, nem a editora. Por isso, é bom falar da sua HQ sempre que o momento permitir.

E vamo que vamo!

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