Conheça a roteirista Amy Chu

Tenho uma certa birra em comprar revistas que exijam a leitura de várias edições para acompanhar seu desfecho. Mas, paqueradora de capas como sou, acabo sendo vencida quando alguma me chama a atenção. Com Saving Abby foi assim. A edição que adquiri no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) parecia ser um aperitivo para o que (esperava), fosse uma história mais longa contada aos pouquinhos. Ela é desenhada pelo brasileiro Anderson Cabral, com roteiro da americana Amy Chu.

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Capa de Saving Abby e a roteirista Amy Chu. Fonte: página do Facebook da autora.

De acordo com a descrição no seu site de vendas, Saving Abby é um “conto de ficção científica vegano”. A história se passa daqui há noventa anos, em Nova York. Devido à um vírus mundial que extinguiu quase todos os animais, o mundo tornou-se vegano. Neste ambiente a corporação multinacional SoyAgra, que se especializou em comida vegana antes da catástrofe, domina o mercado alimentício. Quando Abby, a gata pertencente ao CEO Vincent Singh, é sequestrada pelas gangues que dominam Manhattan ele contrata os serviços de Diaz, ou D. (como ela prefere ser chamada), uma taxista ex-militar. Sobre as personagens pouca coisa é revelada, já que o foco da revista é a ação de resgate de Abby por D. A interação entre as duas dá um tom bem humorado à história, que é tão fluida que pode ser lida num fôlego só. O que, por ser uma revista curta, acaba sendo bem decepcionante pois fica aquela vontade de descobrir mais coisas sobre o universo que Amy criou.

Ser conquistada por Abby e D. me levou a buscar mais informações sobre a autora e realmente me surpreendi com a história dela. Saving Abby foi a primeira história de Amy Chu, que é formada na Harvard Business School e deixou uma carreira de 10 anos no mundo corporativo para escrever histórias em quadrinhos, em 2011. Uma mudança tão grande se deu através de um encontro e conversas com uma amiga, Georgia Lee, com a qual fundou o selo Alpha Girl Comics. A ideia inicial era que Amy apenas ajudasse Georgia a gerenciar o projeto, mas após um curso de escrita ela também decidiu escrever e se dedicar 100% ao projeto. O selo lançou alguns títulos com histórias de Amy e Georgia, ilustradas por artistas diversos: Girls Night Out 1, 2 e 3; Meridien City e The VIP Room. Atualmente Georgia escreve para canais de TV, como CBC, NBC e FOX[1]. Amy já participou de vários projetos com editoras variadas: DC Sensation Comics Wonder Woman #19, CBLDF Liberty Annual pela Image Comics, Vertigo Quarterly CMYK #1.

Dois projetos bem atuais da roteirista merecem ser mencionados. Pela DC Comics Amy escreveu a série Poison Ivy: cycle of life and death (sobre a personagem Hera Venenosa) que será publicada em cinco edições de janeiro a maio de 2016 e tem desenhos de Clay Mann. Em entrevista concedida ao canal do Youtube Comic Book Resources, ela diz que para a personagem pretende explorar a complexidade de seu mundo – já que ela é humana, mas também tem uma conexão forte com plantas –  e também sua  inteligência:

Ela é sexy. Todos sabemos que ela é. Mas ela é inteligente. Ela é inteligente tipo Lex Luthor. Porque não falamos sobre isso? Então, estarei falando sobre isso.[2]

She is sexy. We all know she is sexy. But she is smart. She is “Lex Luthor smart”. Why aren’t we talk about that? So, I will be talking about that.

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Imagem da edição Poison Ivy: cycle of life and death. Fonte: Facebook da autora

Outro dos mais recentes projetos que Amy está envolvida é o X-Files Deviations One-Shot, que faz parte de uma série lançada pela IDW em março deste ano. A ideia desta série é pegar histórias famosas e criar um universo alternativo a partir de algum grande evento que não ocorreu como na narrativa “original”. No caso do X-Files, a premissa da história é: “Num mundo… onde o jovem Fox Mulder foi abduzido por alienígenas! (In a world… where young Fox Mulder was abducted by aliens!)”. No roteiro desenvolvido por Amy há uma inversão de papéis entre os irmãos Mulder, já que caberá à sua irmã Samantha Mulder a luta para descobrir a verdade sobre a abdução dele. Agora ela também é agente do FBI e parceira de Dana Scully, entretanto apesar dos embates habituais devido ao ceticismo de Scully, a dinâmica de relacionamento entre as duas terá um nível maior de complexidade, pois segundo Amy Chu[3]

Samantha pode ser parecida com Fox mas ser uma mulher numa área ou instituição historicamente masculina é muito diferente. Samantha tem mais do que um chip em seu ombro do que Fox, por exemplo. E quando você tem duas mulheres em parceria num ambiente predominantemente masculino, as dinâmicas mudarão com certeza.

Samantha might be similar to Fox but being a woman in a historically male field or institution is very different. Samantha has more of a chip on her shoulder than Fox, for example. And when you have two women partnered up in a male dominated environment, the dynamics are going to change for sure.

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Capa e página de X-Files Deviations One-Shot. Fonte: http://www.idwpublishing.com/product/x-files-deviations-one-shot/

X-Files Deviations One-Shot conta ainda com as artes de  Elena Casagrande e Silvia Califano. A arte da capa é de Cat Staggs e a variação foi feita por Gordon Purcell.

Há uma versão em quadrinhos sobre o processo da mudança de carreira de Amy. Foi escrita pela própria e desenhada por Anderson Cabral, e está disponível online no website da Harvard Business School: The Adventures of Amy Chu. Clique e confira a história dela, vale a pena!

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Imagem do quadrinho The Adventures of Amy Chu. Fonte: https://www.alumni.hbs.edu/stories/Pages/story-bulletin.aspx?num=5000.

Links:

Amy Chu:  Facebook | Twitter | Instagram | SiteAlpha Girl Comics

 


[1] Informações colhidas no website Alpha Girl Comics. Disponível em: https://alphagirlcomics.wordpress.com/about/. Acesso em 16/03/16

[2] Transcrição e tradução minhas. Entrevista publicada em 25/11/15, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uY1FolSicdQ

[3]. Entrevista concedida à Bonnie Burton, Canal CNET. Disponível em: http://www.cnet.com/news/x-files-deviations-idw-comic-swaps-the-mulder-siblings-fates/. Acesso em 16/03/16

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