Considerações sobre mulheres, HQs e o FIQ

O que posso falar sobre a importância do FIQ para a questão das mulheres nos quadrinhos?

O FIQ é um termômetro da cena da produção feminina nos quadrinhos independentes e, claro, de modo geral. Mobilizações, coletivos e sites auxiliaram no aumento do interesse sobre a produção feminina nas HQs e, nesse meio, coube ao Festival, por sua importância na cena, mostrar o reflexo dessas ações. Só com ele conseguimos mensurar como o cenário está e se nós, do Lady’s, estávamos no caminho certo.

Lady’s Comics (Lu Cafaggi, Samanta Coan e Mariamma Fonseca), Adriana Melo, Chiquinha, Érica Awano e Cris Peter. FIQ 2011.

O FIQ sempre esteve ali, tentando acompanhar, mesmo que em 2011 e 2013 tivessem ainda pouquíssimas mulheres como convidadas ou participando de exposição. Em 2011, o Lady’s mediou uma mesa com o nome do site e foi um importante passo conseguir esse espaço num dos principais eventos de quadrinhos do Brasil. Em 2013, já era possível constatar, por meio de comparação à edição anterior, que teve um aumento de autoras nas mesas de venda e estandes — desde a presença de quadrinistas de carreira até novatas. Isso é notável pelo material que foi colhido para três minidocumentários e uma postagem com fotos de 20 autoras incentivando novas mulheres a produzir quadrinhos.

Ana Luiza Koehler (2013), curadora do FIQ 2015 e a segunda entrevistada no site Lady’s Comics, em 2010.

Como tudo precisa de tempo para assimilar as mudanças (os feminismos e as questões de identidade de gênero e raça), foi em 2015 que o FIQ conseguiu mostrar como é possível sair das mesas do tema mulheres e quadrinhos e propor o que queríamos ver: debates com pessoas diversas. Eram muitas mulheres vendendo e lançando quadrinhos (nos rendeu tantos vídeos que ainda nem conseguimos editar). A evidência essencial foi com o vídeo no qual registramos quem eram as autoras e o que estavam publicando naquele ano — e sabíamos que havia mais lançamentos.

A relação que vejo entre o Lady’s Comics e o FIQ é estreita. Nós trabalhamos com um recorte e conseguimos divulgar quadrinistas pelo site e pelo Encontro Lady’s Comics, algumas delas são depois convidadas pro Festival. Ele, por sua vez, nos proporciona um espaço para conhecermos novas e antigas autoras. É um ciclo importante de trocas em direção à cena ideal.

O FIQ passa por um momento difícil e nós do Lady’s fazemos parte do coro: #ficafiq 

Links interessantes:
Dossiê #FicaFIQ (site MdM)
[Editorialidades] O FIQ é nosso (site Balbúrdia)

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