Elas e a Gibicon Nº0

Antes de mais nada, pedimos desculpa pelo atraso do post – muitos já escreveram sobre o evento e provavelmente vocês já tem algumas impressões. Porém, para nós do Coletivo .50 , ele acabou de terminar. A semana que passou foi cheia de back-ups, de pedidos de fotos oficiais, a produção desse texto e também da entrevista da Erica Awano (ae, nós conseguimos!)

Durante a palestra “2 irmãos, 10 pãezinhos, uma história”, com os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, Bá comentou que um dos melhores elogios para ele, sobre seu trabalho, é quando meninas comentam algo como: ‘Li, gostei e comprei o Quadrinho de presente para meu namorado’. Essa fala foi um start…pois foi aí que nós, meninas do Coletivo Ponto50 (em particular) percebemos que nossa missão – dentro desse universo que aparenta ser tão majoritariamente masculino – seria reparar qual a quantidade de meninas no evento e qual o nível de interesse das mesmas. Além de descobrir entre elas quais seriam as indicações de quadrinistas, chargistas, cartunistas, roteiristas…especialmente para ajudar quem está começando no mundo dos Quadrinhos, visto que muitas meninas que estavam na Convenção foram só acompanhar e acabaram curtindo muito!

Antes de contar a nossa saga, vamos às apresentações. A Gibicon é uma Convenção Internacional de Quadrinhos, feita em comemoração aos 35 anos (completados em 2012) da existência da Gibiteca de Curitiba. O evento reuniu grandes nomes da área e ocupou diversos espaços culturais da Cidade de Curitiba entre os dias 15 e 17 de julho.

Durante esses três dias, tivemos oficinas, palestras, debates, exposições e – claro – sessões de autógrafos. Nós, as meninas do Coletivo Ponto50 (responsável pela Cobertura Fotográfica Oficial do Evento) tentamos registrar tudo para as leitoras do Lady’s Comics.

Participar da Gibicon, foi correria. Duas semanas (aproximadamente) muito atarefadas para todos do Coletivo, com reuniões e sobe-desce pra todos os lados, mas nada se compara aos três dias de Convenção… foram fan-tás-ticos! Aprendemos muito enquanto grupo, nos aproximamos enquanto pessoa e a nossa cobertura da Gibicon por causa disso ficou completíssima.

As conversas com as participantes se deram quase durante todo o evento, mas foi na jam-session de autógrafos da tarde de domingo, dia 17, que paramos com calma para conversar com algumas delas.

Começamos com a Kiara, estudante de jornalismo que possui um blog sobre quadrinhos, o (www.capsulahq.wordpress.com) e neste momento faz seu Trabalho de Conclusão de Curso – Em quadrinhos sobre depressão. Envolvida que está no assunto, indicou para nós muitos quadrinistas, como a francesa Hélène Bruller, Craig Thompson, Bryan Lee O’Malley e os brasileiros Rafa Coutinho, Gabriel Bá e Fábio Moon. (queremos saber o resultado no final do ano e desejamos desde já toda a sorte!)

Depois, trocamos ideias com Clarice, a Kika, do blog Meia Palavra. Ela conta que começou com a Mônica, mas que hoje é super fã do Neil Gaiman e de Blogs BD.

A título de contextualização: Clarice explica em sua coluna La Boîte à pensées ensées que ‘O “BD” em francês é abreviatura de Bande Dessinée, ou História em quadrinhos, a nossa boa e velha HQ’. As indicações dadas por Kika na coluna são maravilhosas. Dois exemplos: a francesa Penelope Bagieu, a alemã Zelba que mora na França.

Continuando…

Ana Recalde, amiga de Clarice, que compartilha a criação de contos e também é escritora e roteirista de quadrinhos, é outra ótima fonte de inspiração. O trabalho dela pode ser conhecido através da Patre Primordium no 4 Mundo.

Tuca, que também faz parte do blog Meia Palavra , indicou alguns quadrinhos e ilustradoras como a Samanta Flôor, o livro MSP Maurício de Souza por 50 Artistas, e a cartunista Fabiane Bento, mais conhecida como Chiquinha. (Vale a pena conhecer, pois a Chiquinha é a única mulher que aparece no documentário Malditos Cartunistas, um panorama sobre a profissão de desenhistas de humor no Brasil, desde o Pasquim nos anos 60 até os dias de hoje. O documentário é super interessante e já foi exibido em várias cidades no Brasil, em Curitiba a exibição aconteceu durante a Gibicon n.0!)

Clarice comentou também sobre a falta de divulgação das mulheres que trabalham na área dos quadrinhos, mas por elas mesmas. Ou seja, deixou a entender que as mulheres muitas vezes escondem seus trabalhos. Será dificuldade de publicação, de público ou o quê?

A possibilidade de preconceito é descartada imediatamente durante a palestra sobre Humor Curitibano, quando a curitibana Pryscila Vieira (desenhista, criadora da Amely) – entrevistada pelas Ladys – afirma que não existe preconceito entre ela e seus colegas. Existe bom trabalho e mau trabalho “Mas nunca sofri preconceito, pelo contrário, ser mulher e desenhar uma mulher e falar sobre o universo feminino, só me ajudou”.

Dilemas e questionamentos à parte, participar de um evento como esse fez crescer a vontade de ler quadrinhos daqueles que apreciavam de longe essa arte e superou as expectativas para quem já seguia de perto. Quem passou perto dos locais que aconteciam as atividades – Memorial de Curitiba, Paço da Liberdade e Gibiteca – sem saber o que estava realmente acontecendo, também acabou por conhecer um pouco mais desse universo e ficaram super empolgados. Isso presume, de antemão, que a Gibicon Nº 0, trouxe mais sorrisos para a fria Curitiba, especialmente ao público feminino.

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Para conhecer o trabalho do Coletivo.50:

Twitter: @coletivoponto50
Facebook: http://www.facebook.com/coletivoponto50

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