¡Las señoras de los cómics!

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O FIQ: 2º Encontro Lady’s Comics expandiu seus horizontes na segunda edição e, não apenas traz mais de 30 convidadas de todas as cinco regiões do Brasil, como olhou para fora do Brasil e apresenta quatro convidadas internacionais. O Encontro agora é sul-americano, com a presença das argentinas Sole Otero, Clara Lagos e Mariela Acevedo e da chinela Katherine Supnem.

As três vêm com visões muito específicas da cena das historietas de seus países e vão acrescentar muito ao debate do 2º Encontro. Qual a posição das mulheres quadrinistas da Argentina e do Chile? Como cada uma delas entrou em seu mercado local? Qual tipo de trabalho fazem? Porque escolheram os quadrinhos? O que o feminismo tem a ver com isso? Como as mulheres podem “vencer” no ramo? Essas são perguntas que serão feitas durante o evento, nas mesas, oficinas e, é claro, o quarteto sul-americano também tem o que dizer sobre cada uma dessas questões e muitas outras.

Clara Lagos
Clara Lagos

Para a quadrinista Clara Lagos, não há melhor momento e lugar para essa discussão. Ela conta que na Argentina o espaço da mulher na produção tradicional de quadrinhos ainda é restrito, e que “o papel dos fanzines, feiras e blogs é essencial”. Nesses espaços, Clara explica que o nível de qualidade e diversidade é alto. Ou seja, nos espaços alternativos é que começa-se a organizar uma cena feminina que vai além do “quadrinhos para mulheres”, como um tema.

E organizar é a palavra chave, pelo menos para Katherine Supnem. A chilena não é otimista, e lembra que a cena de seu país é “misógina e violenta”, como em quase todo o mundo. Mas que se as mulheres se organizarem, “tudo ficará melhor”. Ela acredita que a internet é a grande ferramenta para isso, pois aumenta a visibilidade. Isso, casado ao fato de quadrinhos unirem texto e imagem – o que facilita a compreensão –  gera mais participação feminina.

Katherine Supnem
Katherine Supnem

Mariela Acevedo parece estar de acordo, e acha que os quadrinhos são um meio a se conquistar. Ela cita os trabalhos das mulheres no cinema e na literatura que, para ela, têm mais mulheres na linha de frente. Mariela atualmente está trabalhando em seu doutorado, sobre a revista Fierro, uma das principais publicações do gênero na Argentina. E o que encontrou foi a velha situação de sempre. Com excessão de alguns poucos nomes, como Patricia Breccia, Maittena e Maria Alcobre, foram raros os casos de autoras publicadas na revista. Mariela entende que, em sua primeira edição, nos anos 1980, a Fierro pode até ter encontrado algumas dificuldades para achar suas artistas. Mas em sua segunda edição, a partir de 2006, o número de mulheres publicando de forma independente no país aumentou muito e Mariela acredita que apenas o machismo pode explicar a pouca presença feminina a partir desse momento.

Mas essa falta nunca as impediu de encontrar inspiração para trabalhar. Sole Otero, por exemplo, é quadrinista desde 2000 e começou a desenhar quando teve acesso a uma edição de Ranma ½, trabalho de Rumiko Takahashi, uma das artistas mais importantes dos quadrinhos japoneses. Ela tinha 15 anos e passou a “contar as coisas em sequências de desenhos”. Sole diz se inspirar em tudo que a rodeia, de grandes experiências a pequenas coisas do dia a dia.

sole
Sole Otero

Supnem, que é quadrinista desde 2008 (quando começou a publicar na internet), fala de tabus. A “raiva, amargura e ressentimento causado pela desigualdade e injustiça” são o que movem o trabalho da quadrinista, que também traz uma abordagem filosófica a seus quadrinhos. A mensagem aqui é tentar mostrar para os leitores uma maneira diferente de ver o mundo e, quem sabe, fazê-los pensar de uma forma diferente também.

Sole diz que não tem uma mensagem específica. Criadora da personagem Pelusa, que já foi publicada em vários países, ela diz que quer compartilhar, “como uma catarse”, o que sente. A quadrinista dá uma atenção especial ao público infantil e acredita que, assim como os livros, os quadrinhos podem ajudar no desenvolvimento da criatividade e de uma visão de mundo mais crítica.

Capa da Revista Clítoris
Capa da Revista Clítoris

Clara, a veterana do quarteto, que trabalha com quadrinhos desde 1996, se inspira no cotidiano e tem no humor sua grande mensagem. Ela fala do dia a dia mas também de maternidade e da relações entre mulheres. O humor, segundo ela, tem a habilidade de “descompactar” as coisas para o leitor, que entende melhor assim. “Rir de si mesmo faz bem”, afirma Clara.

Sobre o humor, Mariela concorda. Ela não é quadrinista, mas edita a revista Clítoris. E para ela, a publicação é um exemplo de que é possível criar um ambiente mais inclusivo, enquanto mantemos o humor vivo. Mariela acredita que essa abordagem ajuda a transformar temas que muitas vezes são tratados como coisa de minoria ou apenas do feminino e os levar para o que realmente são: realidades cotidianas, que raramente são abordadas, como o aborto e a prostituição.

Com tantas ideias e pensamentos diversos, o FIQ: 2º Encontro Lady’s Comics terá seu debate muito enriquecido com a presença argentina e chilena. Clara, Sole, Supnem e Mariela querem conhecer o trabalho das brasileiras, trocar experiências e diminuir essa grande distância que existe entre quadrinistas brasileiras e suas vizinhas, pois na realidade estão todas muito próximas através do que expressam em suas profissões. Serão três dias de Encontro para fazer isso e, assim como elas, esperamos aproveitar essa oportunidade ao máximo.

Clara, Sole, Supnem e Mariela vão participar da mesa Além do Brasil, no dia 31 de julho, às 16h. Clique aqui pata conferir toda a programação.

O FIQ: 2º Encontro Lady’s Comics acontece entre os dias 29 e 31 de julho, no Centro de Referência da Juventude, que fica no centro de Belo Horizonte.

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  1. […] O quê: Veja matéria sobre as convidadas internacionais do 2º Encontro Lady’s Comics! […]

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