Encontre a sua cor mais quente

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Meu primeiro contato real com Azul é a cor mais quente foi quando, há uns poucos meses, fui ver o filme. Até então, somente tinha escutado/lido murmúrios a respeito. Trata-se de uma história de amor, criada por uma quadrinista francesa, a Julie Maroh. Não mais do que isso: uma intensa história de amor, com emoções, carinhos e desentendimentos, como qualquer uma.  O fato de ser entre duas mulheres só veio enriquecer a trama, que aborda os preconceitos externos (e até interno) que permeiam a relação entre elas.

O filme, dirigido por Abdellatif Kechiche, ficou na minha cabeça por muitos dias. E eu me vi viciada em pensar nos motivos dos acontecimentos e a discutir comigo mesma a respeito. Sabe aquele tipo que você continua assistindo mentalmente ao sair do cinema? Isso não significa necessariamente que amei. Não amei. É um excelente filme, mas não ganhou totalmente meu coração. O motivo é um só: não gostei da personalidade da Adèle. Costumo estranhar quando alguém deposita toda sua felicidade em outra pessoa.

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Adèle (Adèle Exarchopoulos) e Emma (Léa Seydoux)

Mas só faltava ler o quadrinho para me encantar de vez. Foi quando descobri que o diretor resolveu não se prender a umas coisas (como a amizade de Adèle com algumas pessoas com quem estudou ou o desfecho da HQ) e resolveu detalhar outras (como uma festa surpresa ou o sexo entre as duas em uma cena que mostra a intensidade do desejo entre elas). Com uma leveza sem igual, Julie Maroh narra a história por meio dos diários de Clémentine, a mesma personagem que ganhou o nome Adèle no filme. Ela está no auge da adolescência, mas se sente diferente das amigas. Tenta se relacionar com outra pessoa, mas continua deslocada. Enquanto isso, ela cruza com uma menina que chama sua atenção. Talvez pelo cabelo azul, talvez pelo olhar incisivo. Fato é que Clémentine passa a ter sonhos eróticos com essa moça, o que a deixa ainda mais confusa.

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Li o quadrinho de uma só vez. Entrei totalmente nele: sorri para as páginas, exclamei, questionei e até chorei. Diferente do filme, acredito que o a graphic novel explica melhor os sentimentos das duas, fazendo com que se compreenda determinadas atitudes. Mas seja por páginas ou telas, trata-se certamente de uma história bonita, delicada e contemporânea, que se aproxima de muitos e muitos casos de amor por esse mundão afora. Os dois abordam os variados tipos de preconceitos. E existem muitos, inclusive o preconceito próprio, né?

Tenho diversas páginas lindas que eu queria citar aqui, além de algumas cenas do longa. Mas não é bom falar demais. Não quero estragar as descobertas sobre a história que cada um faz ao ler, sabe?

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Apesar de ser um discurso muito falado e muito ouvido, é notável que nem todos estão prestando atenção. Mas, ó, não tem como falar de Azul é a cor mais quente sem dizer isso: vamos nos olhar sem buscar as diferenças como pontos negativos. Tá, não somos mesmo todos iguais (e isso é excelente), mas não existe ninguém melhor que ninguém. Qual é o amor que você busca? Qual é a sua diferença? E qual é a diferença do outro que te chama atenção?? Sério mesmo, cada um que encontre sua cor mais quente. (Ficou exageradamente clichê isso, né?! Mas foi de coração <3)

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Besos ;)

2 comentários em “Encontre a sua cor mais quente

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