Encontro com Trina Robbins

 

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“Irmã, você é bem-vinda nesta casa”

Era década de 1970 quando Angela Davis teve sua prisão decretada pelo estado da Califórnia e foi procurada sendo acusada de fornecer armas aos Panteras Negras, além de sequestro, conspiração e homicídio. Foi integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos e dos Panteras Negras. Sua militância fora pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial.

Davis tornou-se a terceira mulher a integrar a lista dos dez fugitivos mais procurados do FBI. Durante os dois meses que ficou foragida, Trina Robbins fez este cartaz, um exemplo de sororidade, com os seguintes dizeres: “Irmã, você é bem-vinda nesta casa”, para que as mulheres pudessem pregar em suas janelas. Dessa forma, não importa onde Angela estivesse ela saberia os locais em que poderia se refugiar.

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Trina Robbins

Essa e outras histórias de sua produção como quadrinista foram contadas no bate-papo com Trina Robbins na manhã de quarta-feira (19/08) na Gibiteca Henfil em São Paulo. Por ocasião da 3ª Jornadas Internacionais das Histórias em Quadrinhos, que aconteceu na USP (Universidade de São Paulo), Trina veio ao Brasil pela primeira vez. Sua experiência com os quadrinhos é vasta, como já contamos aqui no site. Seu contato com as diversas áreas (Trina fazia quadrinhos undergrounds, mas já escreveu para Marvel e DC), deu a ela conhecimento sobre como os quadrinhos mainstream funcionam, sobre coletividade e como a internet tem se tornado porta-voz das quadrinistas mulheres.

Falou de suas pesquisas sobre as quadrinistas norte-americanas e a carência de registros, o que acarreta na já conhecida frase “mulheres não fazem quadrinhos”. Ao falar de Miss Fury (já falamos dela aqui também), disse que Tarpé tinha um sonho de vir ao Brasil, e que ela estava lá naquele momento a representando. <3

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Da esqu. pra dir. de cima pra baixo: Beatriz Lopez, Camila Torrano, Chantal e Germana Viana

Durante o bate-papo ela pôde conhecer um pouco o trabalho das quadrinistas brasileiras. Estiveram presentes Cris Peter e Ana Luiza Khoeler (Estúdio Complementares), Chantal, Camila Torrano, Carolina Ito, Germana Viana, Cris Eiko, Gabriela Masson e Beatriz Lopes.

Todas puderam falar um pouco de sua produção e compartilhar os medos e anseios que passam por serem quadrinistas. Trina, com sua voz doce e simpática, nos disse sobre misoginia e como sofreu com alguns quadrinistas machistas que usaram do quadrinho para atacá-la.

“O problema é que, apesar da Internet ser tão boa e a gente poder ficar juntas, há essa anonimidade na internet – nós chamamos eles de trolls- esses caras que simplesmente dizem coisas horríveis sobre mulheres e que vão te stalkear na Internet e insultar você se você dizer coisas que não sejam boas para o seu ego de macho. O que eu sinto é que devemos apenas ignorá-los.”disse.

O evento histórico teve clima de união. Com muitos caminhos pra percorrer as quadrinistas puderam sentir que muitos fatos ainda se repetem. Enquanto isso, vamos lutando pra ver as coisas mudarem.

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Gostaríamos de agradecer Natânia Nogueira e Daniela Marino por promoverem esse encontro maravilhoso. :)

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Fizemos uma pequena entrevista com a Trina e ela sairá de forma impressa na Revista Risca! Aguardem ;)

 

2 comentários em “Encontro com Trina Robbins

  1. queria ter ido! ainda bem que consegui ver a apresentação dela nas Jornadas (com o auditório cheio e muitos aplausos no final).

    a Trina é uma pessoa iluminada. (:

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