Encontro na Quanta: foi lindo!

Para nós do Lady’s Comics cada Encontro tem sua especificidade e experiências distintas. Na versão pocket que aconteceu na Quanta, dias 06 e 07 de maio, em São Paulo, não sabíamos o que poderíamos encontrar. Estamos muito felizes por passarmos um final de semana incrível trabalhando com a equipe sensacional da Quanta. Ficam aqui algumas notas sobre o evento.

Para começo de conversa, nós agradecemos muito pela parceria com a escola, as convidadas que toparam em fazer parte dessa edição e aos participantes que foram conversar sobre HQs nesses dois dias. É sempre bom rever pessoas que acompanham desde a primeira edição juntas a um novo público que ainda era bem tímido: homens interessados em escutar e aprender com as experiências das artistas/pesquisadoras/editoras que estavam nas atividades. Esse sempre foi um público raro no Encontros e, dessa vez, sentimos que sua participação está aumentando.

Na cidade em que está a maioria de nossos leitores, essa foi uma ótima maneira de estar perto de boa parte dos que nos apoiam. O espaço trouxe a possibilidade de fazermos atividades inéditas, como o “Desenhando ao vivo” e um novo formato do “Painel de Trocas” criando novas possibilidades de contato entre convidados e participantes.  

Desenhando ao vivo: Mika Takahashi mostra o uso do nanquim.

Mais uma vez, buscamos trazer convidadas diferentes para expor novas vivências sobre temas pouco debatidos (mães, HQ na sala de aula, representatividade lésbica, precursoras) e/ou até mesmo inesgotáveis (mercado, editoras, jornalismo, processo criativo). Damos destaque a participação inédita das precursoras: Mariza Dias Costa e Ciça Pinto. Duas grandes artistas da nossa história que possuem uma riqueza de relatos de vida que começaram na época da ditadura militar.

Mariza Dias Costa tem mais de 40 anos de produção na principal imprensa brasileira – entre charges e ilustrações

A mesa “Brasil e Chile: uma conversa sobre homoafetividade”, Beliza e Victoria foram diretas ao abordar questões sobre responsabilidade social com as histórias em quadrinhos, como também consideram o humor como uma arma e buscam a visibilidade lésbica em suas narrativas. Na mesa “Quero ser quadrinista. E agora?”, com Petra Leão, Dika Araújo, Mika Takahashi e Lita Hayata, abordaram como é necessário produzir mais e por mais gente para criar uma base de boas histórias e personagens com diversas representações de pessoas, a fim de não sobrecarregar uma responsabilidade a poucas autoras.

Foi visto no bate-papo sobre “Mercado e Editoras”, com Carol Pimentel, Cecília Arbolive e Janaína de Luna, os desafios e os objetivos que cada editora possui ao trazer certos títulos para o público, desde a acessibilidade aos quadrinhos de modo descentralizado até romper “as leis” impostas pelo mercado ao publicar quadrinhos brasileiros.  

Na mesa “Jornalismo em Quadrinhos”, conversamos com Rebeca Puig (Collant Sem Decote), Fernanda Café (Pac Mãe), Gabriela Borges (Mina de HQ) e Daniela Raiza (Preta Burning Hell). Elas trouxeram ao debate suas experiências nos sites de nicho, onde colocam em pauta temas como a representação feminina na cultura pop. Falaram sobre as dificuldades em se fazer críticas aos personagens já conhecidos e aos padrões do mercado na nona arte. Ressaltaram também como é importante e necessário o trabalho jornalístico nos sites para a discussão e reconhecimento das artistas e como o retorno dos leitores dão “gás” para a continuidade de seus trabalhos.

Podemos ouvir um pouco sobre outros trabalhos da Ciça Pinto na mesa “Mãe ao quadrado”, que nos contou sobre sua publicação “Bia Sabiá” no jornal “Mulherio” e sua experiência ao realizar uma atividade de risco na ditadura tendo as crias por perto. Junto com ela, Thaiz Leão, que já havia passado pelo 2ELC, falou mais sobre o “Mãe Solo” e sobre como foi a construção e receptividade de seu trabalho, que agora está impresso. Ina Carolina, ilustradora, mãe e quadrinista de primeira viagem, trouxe sua experiência ao receber uma grande oportunidade de trabalho quando a filha nasceu. Ela falou também sobre seu processo de criação após a maternidade.

Ina Carolina, Ciça Pinto e Thaíz Leão falam sobre maternidade e quadrinhos

Uma das preocupações do Lady’s é com a criação de novos leitores. Pensando nisso, o evento trouxe a mesa “HQs em sala de aula”, com as convidadas Montserrat, Sirlene Barbosa e PriWi, e a oficina “Quadrinhos na sala de aula” (do projeto QUATI). Ambas atividades abordaram a necessidade do uso dos quadrinhos como incentivo à leitura e contribuição para leitores críticos. No bate-papo, as convidadas falaram da importância da representatividade e qual o papel das adaptações literárias em sala de aula.

Além das oficinas que ocorrem desde a primeira edição, como “Criação de Portfólio” e “Roteiro”, o Encontro trouxe duas palestras inéditas: “Desconstruindo o olhar masculino”, com Loveve6, e “A representação da mulher e os discursos de gênero nos quadrinhos”, com Gabriela Borges. Dois temas relevantes para a construção do atual cenário de HQs no Brasil.

As feiras fizeram parte dos dois dias de evento e como todo Encontro busca fortalecer e divulgar novas e antigas autoras de quadrinhos.

No encerramento, um dos pontos altos da programação, ouvimos ideias e críticas do público, pois é a partir delas que conseguimos projetar e refinar a curadoria para os próximos eventos. É por essa conversa final que acreditamos que o Encontro é feito por várias pessoas.

E o próximo?

O principal desafio, até somada pela situação atual da cultura no Brasil, é alcançar a sustentabilidade do projeto para conseguirmos pagar todas as pessoas envolvidas no processo. Não é tarefa fácil, mas insistimos! Estamos abertas às possibilidades de parcerias que vierem para fomentar a produção e gerar debates que possam colaborar com a cena dos quadrinhos não apenas nacional, mas também regional.

Que venham mais! \o/

Curta a nossa página do Encontro: https://www.facebook.com/encontroladyscomics/

Links sobre o evento:

https://armazemdecultura.com/2017/05/09/encontro-ladys-comics-ocupemos-os-espacos/

http://collantsemdecote.com.br/quadrinistas-homens-nao-foram-ao-ladys-comics/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *