Entrevista – Aarthi Parthasarathy

Photo credit Niranjan G Hosmane

Photo credit: Niranjan G Hosmane

Uma ótima experiência que tive recentemente foi com o webcomic Royal Existentials da indiana Aarthi Parthasarathy, que usa imagens antigas da Índia para debater sobre alguns discursos de poder existentes naquele país. Eu achei incrível, porque não só questiona o machismo, mas qualquer tipo de autoridade (religioso, classe social/castas, patrão,…) que dá angústia. Tive a honra de fazer essa entrevista com ela:

Samanta Coan: Como começou o interesse por quadrinhos – seja como leitora ou produtora – ou  tudo partiu do áudio visual para chegar na produção de quadrinhos?
Aarthi Parthasarathy: Meu interesse em quadrinhos começou como leitora. Eu sempre amei quadrinhos, e depois encontrei graphic novels e webcomics. Eu trabalho como cineasta, e isto tem me ajudado a entender sequência, personagem e diálogo, os quais agora estão me ajudando a escrever e estruturar quadrinhos. Um alimenta o outro.
My interest in comics started as a reader. I’ve always loved comics, and later found graphic novels and webcomics. I work as a filmmaker, and that has helped me understand sequencing, character and dialogue, which is now helping me write and structure comics. It all feeds into each other.

A primeira tira de Royal Existentials, onde os problemas que as mulheres enfrentam por meio do patriarcado são examinados.

A primeira tira de Royal Existentials, onde os problemas que as mulheres enfrentam por meio do patriarcado são examinados.

Sam: Trabalhas apenas com roteiros?
Aarthi: Bem, eu trabalho com algumas visualizações. Para Royal Existentials, as imagens já existem, então eu escrevo de acordo com aquelas imagens. Mas em UrbanLore, uma nova série em quadrinho que estou escrevendo, eu trabalho com uma artista – Kaveri Gopalakrishnan. Assim, para este nós discutimos inicialmente a visualização juntas, e então ela desenha em seu próprio estilo.
Well, I work with some visualisation. For Royal Existentials, the images already exist, so I write according to those images. But in UrbanLore, a new comic series I’m now writing, I work with an artist – Kaveri Gopalakrishnan. So for that we discuss the initial visualisation together, and then she draws it in her own unique style.

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Sam: Royals Existentials é o primeiro trabalho com quadrinho publicado na internet?
Aarthi: Sim, Royal Existentials é meu primeiro quadrinho de todos.
Yes, Royal Existentials is my first comic ever.

Sam: Como foi o processo criativo para fazer o Royals Existentials – a escolha de uso de imagens indianas vintage até o tema do roteiro?
Aarthi: Eu acho que o processo de re-apropriação de imagens muito fascinante. David Malki faz isso em seu webcomic ‘Wondermark”, com ilustrações da era vitoriana, e ele faz quadrinhos surreais fascinantes com esse processo. Eu amo este comic e propus a fazer algo indiano nessa mesma linha. Eu fui para a escola de arte, e sempre fui muito fascinada pela pintura antiga indiana, especialmente miniaturas. Então tudo isso veio junto.
I find the process of re-appropriating images very fascinating. David Malki does it in his webcomic ‘Wondermark’, with Victorian-era illustrations, and he makes fascinating surreal comics with that process. I love that comic and set out to do something Indian in that vein. I went to art school, and was always very fascinated by old Indian painting, especially miniatures. So it just came together.

Em # 002, as questões existenciais da vida e finalidade são confrontadas.

Em #002, as questões existenciais da vida e finalidade são confrontadas.

 Sam: Falar sobre os poderes vigentes, simbólicos e econômicos que estão há muito tempo, é uma angustia particular ou é um sentimento generalizado na Índia?
Aarthi: Bem, a política é uma parte muito importante da vida das pessoas aqui, mas há uma sensação geral de apatia. Enquanto isso afeta a todos, as pessoas não participam em grande medida no governo local ou nacional. Depois de alguns acontecimentos recentes e uso mais difundido da internet e das mídias sociais, as pessoas estão falando e discutindo estas questões mais e mais. Este quadrinho começou depois do meu próprio envolvimento com as questões sociais como o feminismo, casta, classe e questões atuais.
Well, politics is very much part of people’s lives here, but there is a general sense of apathy. While it affects everyone, people don’t participate to a large extent in local or national governance. After some recent events and more widespread use of the internet and social media, people are talking about and discussing these issues more and more. This comic started after a lot of my own engagement with social issues like feminism, caste, class and current issues.

Em # 034, uma sentinela reflete sobre a condição humana.

Em # 034, uma sentinela reflete sobre a condição humana.

 Sam: Eu vi o vídeo Fearless Collective e achei a iniciativa do grupo parecido com o seu trabalho ao trazer um diálogo sobre gênero. Esse tipo de produção, feito por mulheres tem sido frequente na Índia? Assim como o debate sobre liberdade da mulher, no sentido feminista? Falo isso também, porque vi um vídeo com Mallika Sherawat que falava que a Índia era “regressiva e deprimente” e falava o quanto que a situação por ser mulher era difícil e não suportava mais essa realidade.
Aarthi: Existem hoje muitas mulheres aqui que trabalham em empreendimentos criativos que trazem à luz questões sociais – artistas, documentaristas, escritores etc. Vê-se projetos de arte, como o Blank Noise, história em quadrinhos como o Sanitary Panels, documentários como o World Before Her, todos estão saindo da Índia, são muito políticos e feministas. Portanto, há uma crescente comunidade envolvida com questões através da arte. O Fearless Collective é uma dessas plataformas. Na Índia tem tido muitos incidentes de violência contra a mulher que vieram à luz nos últimos anos, como o que foi visto em Delhi, houve uma enorme reação, um movimento popular para lutar contra a cultura do estupro e um crescente diálogo sobre igualdade de gênero e direitos das mulheres. O vídeo que você fala é apenas uma parte de um cenário muito grande e complexo.
There are now many women here working on creative endeavours that highlight social issues – artists, documentary filmmakers, writers etc. One sees art projects like Blank Noise, comics like Sanitary Panels, documentaries like the World Before Her, all coming out of India, that are very political and feminist. So there’s a growing community engaging with issues through art. The Fearless Collective is one such platform. India has had many incidents of violence against women come to light in recent years, but as one saw in Delhi, there was a huge reaction, a people’s movement to fight rape culture and a growing dialogue about gender equality and women’s rights. The video you speak about is only part of a very large and complex scenario.  

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Sam: Como é a participação de vocês nessa cena dos quadrinhos nacionais? Tens nomes de outras artistas para indicar?
Aarthi: Eu sou uma participante recente no mundo dos quadrinhos aqui.
Algumas quadrinistas indianas:
Amruta Patil
Kaveri Gopalakrishnan – (Ela é minha amiga e colaboradora em alguns quadrinhos)
Vidyun Sabhaney, Writer
Manjula Padmanabhan

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Quadrinho UrbanLore

Recentemente, a autora fez o site UrbanLore Comics junto com a quadrinista Kaveri Gopalakrishnan, onde publicam pequenas histórias em quadrinhos que trazem narrativas sobre a vida cotidiana na Índia.  Além de roteirista, é cineasta e cofundadora do estúdio Falana Films. Umas das produções feita por ela foi sobre o coletivo Fearless Collective que são mulheres artistas que usam da arte para dialogar sobre gênero e sexualidade em espaços públicos. Recomendo ver e é apenas uma parte introdutória de uma série de vídeos que estão por vir:

Onde está Aarthi?
Royal Existentials | UrbanLore Comics | Facebook Royal Existentials | Falana Films | Behance 

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