Entrevista – Carol Pimentel

Bom, em primeiro lugar, preciso dizer que é uma honra ter sido convidada e agora fazer parte da turma maravilhosa do Lady’s Comics. E que é uma honra maior ainda escrever para vocês aê, que estão lendo <3 Espero que a gente se divirta muito!

Mas vamos ao que interessa, a primeira coluna.

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Um dos fatores que mais atrapalha as profissionais dos quadrinhos não é falta de tempo, de grana ou de inspiração. Tá, isso tudo atrapalha, mas o fatorzinho que desanima e que parece uma bolinha de ferro é a falta de visibilidade. E se isso acontece com profissionais que estão, por assim, dizer, numa posição mais glamourosa  (se é que dá pra chamar de glamour pantufas, excesso de café e olheiras hi hi hi) como roteiristas e desenhistas, imagine as mulheres que não parecem estar na linha de frente da produção de uma HQ, seja mainstream ou alternativa, como editoras, tradutoras, revisoras, agentes, técnicas produção e por aí vai…

Pensando nisso, de vez em quando, vou entrevistar algumas profissionais do meio para que vocês possam conhecê-las (ou matar saudade) e para que elas falem de particularidades da parte que elas cuidam no mercado editorial de quadrinhos. E para este primeiro bate-papo, chamei a Carol Pimentel, que é a editora da linha Aracno-Mutante e encadernados clássicos das revistas Marvel, publicadas aqui no Brasil pela Editora Panini. Com vocês, Carol Pimentel!

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Lady’s – Se apresente, Carol. Conte quem é você!

​Falaê galerinha! Tudo bem com vocês? Aqui é a Carol Pimentel, editora da linha Aracno-Mutante​ ​da Marvel. Recebi o convite essa entrevista de “presente” ​da Germana, autora da coluna e a quem chamo carinhosamente de Sys. A gente se adotou lá nos anos 1990 quando trabalhamos na VASP juntas! Sim faz um tempão que a gente se conhece! Agora que vocês já sabem de onde vem tanto “amor”, vou contar pra um pouquinho a minha história, mas prometo que num vou enrolar, tá? Vamos ao estilo Bendis de ser e com direito a alguns TUM! SOC! POWS!

Eu trabalhei com muita coisa já nessa vida e nas mais variadas profissões. Mas eu prometi que não enrolaria, né?! Então vamos ao “point of no return”… Sou formada em Física – sim, agora vocês entendem um pouco mais o porque desse jeito maluco, rs -​ e trabalhei bastante com Astronomia. Foi um período bem bacana até eu assumir a direção da Escola Municipal de Astrofísica de São Paulo, foi um período de Grandes Responsabilidades – mas sem nenhum grande poder – que exigiu bastante de todas as minhas áreas de conhecimento. Um belo dia e um evento fracassado, me peguei pensando sobre o que realmente me faria feliz e, quase que instantaneamente a palavra quadrinhos surgiu na minha mente. Pensei por vários dias sobre como poderia trabalhar com isso. A galera mais próxima sabe que eu estudo pra caramba, então… a primeira coisa que veio à minha cabeça foi: voltar a estudar. Mas o quê? Como? CLIK! A lâmpada se acendeu e eu corri atrás de um programa de Mestrado que me aproximasse da tradução. Pronto! Agora era só encontrar um orientador que topasse a embarcar comigo nas páginas coloridas das HQs. E num é que consegui?! Montei o projeto e ele me aceitou. Esse projeto levantou uma série de dúvidas e advinha quem eu procurava pra respondê-las? A Sys, claro! A coisa foi ficando cada vez mais específica e um belo dia ela me colocou em contato com o Fernando Lopes, editor da Marvel. Perguntas foram, perguntas vieram, entrevistas com editores rolaram, com artistas também e um belo dia, abro minha caixa de e-mails e o Fê me perguntava se eu topava ser Auxiliar de Edição. Alguns gritos depois, respondi que sim, afinal era o mais próximo que eu poderia chegar da Marvel.

Alguns meses depois pintou a oportunidade de assumir um lugar na linha de publicações mensais e num é que rolou?! Sou a primeira editora mulher a assumir uma linha de quadrinhos mainstream na Panini. Amo o que faço, acordo todos os dias MEGA feliz pra ir editora. E é isso, essa sou eu! A única menina entre 7 editores.

Lady’s – Quais são as revistas que você edita?

Bom, atualmente cuido de aproximadamente 9 títulos. Aproximadamente porque eles variam… Algumas publicações são bimestrais e é por isso que o número muda. Mas vamos à listinha oficial: O Espetacular Homem-Aranha, Wolverine, Deadpool, X-Men, X-Men Extra. E as variantes são Deadpool (os especiais de 144 páginas), Homem-Aranha: Aranhaverso e várias Coleções Históricas Marvel. São várias páginas por mês e, de vez em quando, tenho a honra de cuidar de alguns títulos que ressurgem, como é o Caso da linha MAX (eu editei o Wolverine Max) ou outros que chegam pela primeira vez, como foi o caso da Defensores Sem Medo. PUF! PUF!

Carol Wolverine

Lady’s – Alguns encadernados com histórias clássicas são responsabilidade sua, por causa de sua formação. Fala um pouco sobre o que você andou estudando.

SIM! Eles são minha paixão… Adoro estes títulos Clássicos com histórias das décadas de 1960 e 1970. Geralmente essas revistas são beeeeeeem extensas e dão um trabalho danado, mas tudo tem suas compensações. Quem já fez Mestrado sabe que ao longo da pesquisa as coisas podem mudar um pouquinho e, comigo não foi diferente. A minha proposta inicial era criar um banco de dados de acesso livre aos tradutores, com as mais variadas gírias das décadas de 1960 e 1970. Eu dissequei as Coleções Históricas do Homem de Ferro para juntas tudo o que encontrasse e ampliei a pesquisa para inúmeros sites, criei uma lista razoavelmente grande de termos, mas a pesquisa tomou outro rumo e eu acabei ficando com essa lista pra mim – um dia disponibilizarei isso de alguma forma, mas tô precisando de tempo pra organizá-la apropriadamente. Por isso, geralmente por isso este tipo de material acaba vindo pra mim.​

Lady’s – As funções de um editor de uma publicação nacional e de uma publicação que é licenciada, como é o caso das revistas que você edita, são consideravelmente diferentes, já que você não tem contato direto com artistas e autores, mas sim com um produto que já está finalizado e precisa ser adaptado. Conta pra gente como é isso.

​Pois é. Muita gente nos questiona sobre isso. “por que o material x não vai sair?” ou “por que vocês colocam a revista X, Y e Z no mix de revistas sendo que elas deveriam ter saído antes da revista M?”  Em 100% dos casos nós não temos como opinar sobre o conteúdo da revista, ele já vem montado e cabe a nós simplesmente editar.

Na maioria das vezes eu tento ler antes o material, em casa mesmo, pra poder ver se não teremos spoillers de uma história pra outra e quando isso acontece eu tento mudar a ordem dentro da própria revista. Mas em outros casos não dá mesmo e aí temos que tentar intervir junto ao pessoal responsável para que, no mínimo, consigamos modificar o miolo da revista. Isso nem sempre é possível por conta do número de páginas etc. etc. Por isso, tento colocar sempre a notinha “esta história se passa antes dos eventos mostrados em XXX” ou qualquer coisa do gênero. Assim respeitamos o leitor e não causamos grandes “perturbações na força”!

Lady’s – Já aconteceu algum caso curioso ou que te deixou especialmente orgulhosa por estar envolvida na produção de uma HQ?

Como comentei acima, adoro trabalhar com os títulos clássicos, eles são bem trabalhosos, cheio de texto e expressões datadas e eu tenho tomado todo cuidado do mundo para manter isso. É um capricho meu e que me dá o maior prazer de fazer, principalmente quando encontro algumas pérolas no material. Um exemplo destas pérolas foi na última Coleção Histórica Marvel: Homem-Aranha que eu encontrei um “Peter Palmer” em vez do consagrado Peter Parker e após extensa pesquisa descobri que o Titio Stan Lee havia se confundido mesmo, apesar da aliteração! Decidi manter o nome errado e explico pro leitor – em notinhas da editora – onde mais ele pode encontrar os erros do amado velhinho naquela edição e onde procurar os próximos. Isso é uma decisão editorial minha e fico orgulhosa de poder deixar o mais próximo do original, tanto o texto quanto as gírias. Sabe aquele lado de fã? Pois é, o meu fala mais alto nessas horas e aí tomo todo o cuidado para que o material fique mais  interessante! Afinal quem não queria a edição assim para ter guardada?

Peter "Palmer"? comidinha de bola histórica de Stan Lee, que a Carol decidiu manter.

Peter “Palmer”? comidinha de bola histórica de Stan Lee, que a Carol decidiu manter.

Lady’s – E o que você anda lendo além do material que você produz?

​Acabo lendo grande parte do material de Vingadores porque eu curto bastante e no momento estou lendo duas séries da Vertigo: Transmetropolitan – que é duca! – e Y, fora isso tô ficando muito fã da Garota Esquilo! Gentch ela é demais… Super indico essas séries!

Carol Punisher

Bom, é isso. Espero que vocês tenham curtido, se quiserem entrar em contato com a Carol, podem falar com ela por aqui: ​https://www.facebook.com/anacarolina.pimentel.796
(Pelo face é melhor jeito, galera! Nunca fico muito on, porque já viu, né?! A gente lê mais ou menos 150 a 300 páginas de quadrinhos por dia e fica meio difícil controlar tudo…)

E se quiser visitar este local amor onde tirei as fotos da Carol, vá na Gibiteria!

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