Entrevista com Julia Bax!

Quando a gente promete uma entrevista especial para vocês, é porque é especial pra valer! A artista entrevistada nesta semana é a ilustradora, quadrinista e muito sensacional Julia Bax.

Auto-retrato de Julia

Com um traço impressionante, versátil e bem trabalhado, ela já produziu para clientes como Editora Saraiva, Marvel Comics, UNESCO, Boom Studios, Devil’s Due, Fisk e ilustrou “A Duna do Tesouro”, de Roney Cytrynowicz, para a Cia. das Letrinhas. Lembrando que há quase um ano a Lu postou sobre a participação de Julia na Folhateen.

Conheça melhor sobre sua carreira e suas experiências com o mercado de quadrinhos em outros países, lendo a entrevista a seguir:

Página de Julia no álbum MSP 50

Lady’sQuais são as grandes influências no seu traço e em suas criações? Na sua história do primeiro MSP 50, por exemplo, deu pra sentir que você realmente leu Turma da Mônica.

Julia É verdade! Como muitos brasileiros eu fui meio que alfabetizada pelas revistas da Turma da Mônica e Disney. Depois tive uma fase super-heróis, que durou a adolescência inteira e mais um pouco  o que foi bom, porque comecei a desenhar mais e a estudar desenho ‘clássico’, o que é sempre importante, mesmo para quem quer fazer cartum. Hoje em dia, me interesso mais por outros tipos de história. Tenho lido muito mais coisas publicadas na França. Tem bastante porcaria também lá, mas se souber fazer uma triagem (e ler francês, muitas coisas excelentes não são traduzidas) dá pra se entreter bastante! Meus desenhistas favoritos franceses atualmente: Christophe Blain, Thierry Martin, Cyril Pedrosa, Laureline Matiussi.

Lady’sVocê viaja bastante, sempre que leio alguma coisa sobre você fico sabendo que cê tá num lugar diferente no mundo. Como essas experiências influenciam no seu trabalho?

Julia Ter vivido na França mudou meu conceito do que é quadrinho francês. Pra mim, era uma coisa bem realista, com história que ninguém entende e cor feita a mão (vide Moebius). Descobri que, atualmente, tem coisa muito mais legal sendo produzida e que os anos 80 já ficaram pra trás. Hahaha… me perdoem fãs do Moebius! O velhinho é foda.
Além disso, minhas experiências pela Europa já me renderam algumas HQs pro Folhateen. Sem contar os milhões de museus e exposições que eu fui e onde descobri um monte de coisas legais. Viajar, mais que isso, morar em um lugar diferente por um tempo, mexe mesmo com a sua visão do resto do mundo e também do Brasil.

Lady’sVocê percebe uma diferença entre o público leitor de quadrinhos nesses lugares diferentes do mundo?

Julia Entre a França e o Brasil/EUA, sim, gritante. O público lá são pessoas normais. Quase todo mundo lê quadrinhos. Quase todo mundo tem seu autor favorito. O Joann Sfar é estrela nacional. A área de Banda Desenhada da FNAC é gigante e cheia de gente ‘normal’. A Alemanha não tem um público tão grande. Não consegui ter uma impressão. Em Portugal temos artistas maravilhosos, mas um mercado bem pequeno. Consomem bastante produto francês.

História publicada no Folhateen (julho/2010)

Lady’sVocê trabalha com ilustrações e quadrinhos. Como a experiência com quadrinhos te ajuda com as ilustrações e vice-versa?

Julia Ajuda e muito. Quadrinhos é como storyboard te força a pensar sempre na narrativa, te faz desenhar tudo aquilo que você não sabe, mas tem que aprender. Enquanto muitas pessoas que ficam só na ilustração (não todo mundo, lógico) acabam achando uma área de conforto e se desdobrando pra fazer todos os jobs caberem nesse nicho. Eu sempre recomendava pros alunos de desenho que estudassem quadrinhos, mesmo que quisessem ser ilustradores. Mas é a minha opinião, tem gente que consegue ter sucesso sem usar desse artifício.

Lady’sÉ comum quadrinhistas brasileiros terem uma formação acadêmica não relacionada à comunicação e artes. Você mesma se formou em Economia. Como foi o momento em que você parou e decidiu se dedicar exclusivamente à sua arte?

Julia Eu desisti de ser economista antes de terminar o curso. Fiz um ano de estágio em tempo integral em um grande banco, e cheguei à conclusão que preferia o caminho mais difícil, mas mais recompensador (não financeiramente, haha) que é o de ser ‘artista’. Apesar disso, o curso foi maravilhoso, com professores que mudaram, com certeza, a minha visão de mundo e de mim mesma. É um curso transformante, assim por dizer. Não me arrependo nem um pouco de ter trocado Artes Plásticas por Economia. Eu continuo me interessando pelo assunto e estudando um pouco, sozinha mesmo.

Lady’sPode contar sobre seus projetos futuros pra gente?

Julia Bom, estou voltando pro Brasil no final do ano, e primeiro preciso me instalar pra depois retomar os projetos. Mas estou correndo atrás, quietinha aqui, e espero ter boas notícias, em breve.

Lady’sGostaria de recomendar algum quadrinho para nossos leitores?

Julia Eu não sei se saiu no Brasil, mas sei que saiu em Portugal. É uma série que chama ‘Donjon’ e é publicada pela Delcourt na França. Os textos são do Lewis Trondheim e do Joann Sfar, com desenhos de pessoas diversas (e maravilhosas, como Christophe Blain e Carlos Nine). Pra quem arranha um francês, recomendo! Também o Ulysse, do Sfar, com os desenhos do Blain. Simplesmente genial.

Para acompanhar o trabalho de Julia, visite seu blog: juliabax.blogspot.com!

6 comentários em “Entrevista com Julia Bax!

  1. Uau, me tornei ainda mais fã da Bax! Atualmente estou morando em Portugal e me identifiquei muito sobre o que ela disse sobre como viajar e morar em outro país muda nossa forma de ver o mundo e o Brasil, e como isso influencia nossa arte, lógico! Sou estudante de artes e quero seguir carreira em ilustração e quadrinhos, e tenho Julia Bax ídola e modelo a seguir :)

  2. Sei que é post velho, mas só pra avisar que vários livros dessa série que ela recomendou do Lewis Trondheim e Joann Sfar saíram em inglês (Dungeon). Já comprei alguns pela Amazon e são ótimos mesmo, valem muito a pena!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *