Entrevista – Eti Pellizzari

Etiene Pellizzari Spack, que assina apenas como Eti Pellizzari, é formada em publicidade e mora em Curitiba. Faz murais, tirinhas, ilustrações, tem publicação semanal no site Cafeína Zine e participou da coletânea de quadrinhos Bocas Malditas – Curitiba e suas histórias de Gelar o Sangue, em 2014, ilustrando roteiro de Carol Sakura – a história A noiva de preto. Quando a conheci, meados de agosto do ano passado, ela se apresentava como uma pessoa nova na área dos quadrinhos, fui ver o trabalho que já tinha produzido, dei de cara com uma produção de tiras bem divertidas e, a partir daí, passei a acompanhá-la.

foto eti

Nosso papo de sexta-feira de feriado…

Samanta Coan: Teu nome é Eti mesmo? o.o

Eti Pellizzari Spack: haha, meu nome é Etiene mas resolvi usar o apelido porque sempre tenho que repetir! Achei que seria mais fácil!

Sam: Sua mãe escolheu como o nome? (primeira vez que eu vejo alguém com esse nome… deves ouvir demais isso… XD)

Eti: Então, ela tinha como escolha Clarisse ou Emily.. mas antes de eu nascer ela ouviu Etiene em algum lugar e achou bonito! E eu gosto muito também. O que eu sei é que é um nome masculino na frança, mas já ouvi falar de outras “Etienes” por aí, apesar de nunca ter conhecido uma pessoalmente haha!

Sam: Como e quando começou a fazer quadrinhos?

Eti: Eu sempre rabisquei alguma coisa quando era adolescente, sempre tive vontade mas, não sei porque, não me sentia muito a vontade com a ideia. Em 2012, eu comecei a postar algumas tirinhas no Facebook e fui me soltando aos poucos.

Sam: Começou com as tiras ou só ilustrações?

Eti: Comecei com ilustrações!

Sam: O curso de Publicidade ajudou de alguma forma pro teu desenho ou isso veio de outra fonte? Porque a criação na publicidade é bem oposta da criação artística, né? Só pra entender como foi esse processo…

Eti: Eu desenho desde criança e meus pais sempre apoiaram muito. A escolha da publicidade foi que na época eu achei que seria o que mais tinha a ver, porque eu queria continuar desenhando! Mas como a maioria, eu não gostei haha Foi uma ótima experiência, mas não é o que eu gosto de fazer mesmo.

Sam: E essa transição de carreira foi quando?

Eti: Eu tabalhava em uma agência e recebi uma proposta para trabalhar como ilustradora na metade do ano passado. Aceitei e saí da agência, mas o emprego de ilustradora acabou não acontecendo… Mesmo assim, eu decidi me dedicar a isso. Eu sempre tive um trabalho com pinturas em paredes também, com o Coletivo Mucha Tinta daqui de Curitiba ou mesmo por conta. Os quadrinhos acabaram vindo depois disso…

<Início de conversa paralela> 

Sam: Deve ser muito difícil por conta do tamanho da parede, parece que vais perder controle, sei lá, da proporção…

Eti: Olha, pra mim é mais fácil do que fazer o quadrinho. haha

Sam: Isso porque não precisa de sequencialidade? XD

Eti: O limite do quadro é maior! hahaah

</fim de conversa paralela>

Sam: Como foi começar com as tiras? Tu és a própria protagonista delas, certo?

Eti: A maioria delas sim. Eu achava engraçado poder pegar uma situação cotidiana e exagerá-la. Comecei como uma brincadeira mesmo, com rabiscos rápidos pra ver o que ia dar. Mesmo quando a história tinha se passado com um amigo ou conhecido, eu desenhava “eu mesma” pra não ter algum problema, sei lá. Depois eu fui sentindo necessidade de abordar coisas mais profundas e comecei a testar outros estilos.

bikeSam: Como é o processo pra fazer essas tiras? São todas digitais?

Eti: Comecei com o digital, mas tem algumas que fiz a mão com aquarela ou usando fotografia de desenhos.

Sam: Tem algum estilo visual que tu curtes mais em fazer? Eu vi uma com um cara conversando com um pássaro, achei lindo!

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Da série Tirinha Urbana

Eti: Eu tenho um incomodo que não me deixa fazer sempre a mesma coisa, eu tenho que ficar inventando ou fazendo coisas novas… eu percebi que isso pode ser um problema porque não dá uma certa continuidade, mas dá uma experiência de materiais e aponta outros caminhos também. Sim! Eu chamo de “tirinha urbana”… ele está pendurado em um prédio conversando com o pássaro. Ainda quero continuar como uma série! Que bom que gosta.

Sam: Mas a falta de continuidade é boa, sei lá, a experimentação ajuda a encontrar um fixo, não?

Eti: Como eu falei que vivo mudando, o estilo que eu curto muda bastante também. haha A bipolar. Sim, eu espero conseguir encontrar um estilo, algo, que finalmente me deixe satisfeita.

Sam: As tiras que fazes têm nomes de séries?

Eti: A maioria não. Eu comecei a nomear justamente pra conseguir ter uma continuidade com alguma delas. (dá uma olhada: https://etipellizzari.wordpress.com/portfolio/) O meu sonho no momento é conseguir fazer uma webcomic. Então esse ano eu quero me focar nisso.

vaca amarela Sam: Sabe qual deles vais se dedicar ou é algo novo?

Eti: Eu tenho uma história de uma menina que viveu a infância com a vó que tricotava, e é todo lúdico. Comecei a postar ano passado, com o calor e empolgação da Gibicon.. mas achei que estava faltando algo e parei. É esse que quero dar uma atenção especial esse ano.

Sam: (eu tava acompanhando ele!) Tava faltando o que?

Eti: Eu não tava satisfeita com o meu desenho. Com a maneira que montei os quadros. Não sei exatamente o que era, mas tava me incomodando.

Sam: e vais recomeçar do zero? o_o

Eti: Sim

Sam: Artista sempre tem disso…

Eti: hahaha é um saco!!!

Sam: E as vezes é paranóia. u.u

Eti: hahahaha Pode ser! Mas esse eu realmente quero que seja um projeto que eu me orgulhe.

Sam: Vi que tu publicou no Bocas Malditas. Como foi fazer uma história com alguém roteirizando?

Eti: Foi muito tranquilo! Os meninos do Dogzilla foram muito atenciosos e deram bastante liberdade. Eu não conhecia a Carol Sakura, que fez o roteiro, então acabava falando mais com eles.. depois que conheci a Carol, tive vontade de fazer mais coisas com ela. E espero que dê certo!

Ilustração da história A Noiva de Preto

Ilustração da história A Noiva de Preto no Bocas Malditas

Sam: Foi a primeira publicação ou já tinhas publicado aquela coletânea de tiras antes? Eti: Sim! Foi junto, na verdade. Foi [lançado] na Gibicon [2014]. O pessoal ia dividir uma mesa e perguntaram se eu queria também. Aí eu resolvi fazer as tirinhas.

Sam: Massa! Como foi ter a própria produção ali no evento? Foi a primeira [publicação indepedente] impressa, né? Eti: Sim, a primeira! Eu tava morrendo de medo, mas foi delicioso! haha A troca de experiências, de amizades, e o pessoal apoia mesmo… me deixou bem motivada. onibusSam: Tais planejando algo impresso pra esse ano?

Eti: A história da avó, eu ia amar poder ver pronta e impressa. Mas não tenho nada planejado. Quero muito ir pro FIQ também então eu preciso pensar em algo até lá, haha

Sam: Eu queria saber das tuas referências… quais são elas?

Eti: Tenho uma referência que não é dos quadrinhos, que é a Mag Magrela. Eu sou completamente apaixonada pelo trabalho dela. Aí de quadrinho eu gosto muito do humor da Agustina Guerrero, Gemma Correll, Belle Yang, Anne Emond, Kate or Die, Kisukime.. tanta gente! hahah Com a ajuda de vocês e dos grupos do facebook (Mulheres em Quadrinhos e Zine xxx) eu tenho visto as postagens das meninas daqui e poxa, tem muita coisa boa pra se inspirar também. Conheci a Lila Cruz (que tá com projeto no Catarse e que publica minhas tirinhas no Cafeína Zine) e tenho acompanhado a Fefê Torquato no Instagram, tô adorando as tirinhas dela.

E as referências vem de outras áreas também, mas assim de cabeça não to conseguindo lembrar de algo específico.

Sam: As cores que tu usas são bem específicas, bem claras e suaves. Isso veio como? Eti: Veio agora só, porque eu sempre fui de usar cores fortes e muitas cores. Eu acho que reflete um momento da vida mesmo em que eu to me encontrando, acho ahha

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Sam: Porque navio de papel?

Eti: Não tem um significado especial.. eu gosto do barquinho. Dias atrás eu encontrei um desenho do meu pai, de quando era jovem, de um barquinho de papel e lembrei que minha vó deficiente visual me ensinou a dobrar um quando era criança. Então acabou tendo um significado sentimental, mas só lembrei depois. Acho que dá pra interpretar também como algo que parece frágil mas que navega por muitos mares, levando algo. (hahaha pirei muito?)

Sam: (hahaha pirou não) Usas muito novelo de lã isso é da infância com tua avó ou eu tô enganada?

Eti: Sim, ela era deficiente visual e tricotava. Fazia muitas coisas, na verdade, que ninguém acreditava que ela tinha a deficiência. E moramos na mesma casa, ela praticamente criou eu e meu irmão.

Sam: O Tramas tbm tem a ver com ela ou é meramente experimentação de materiais pra fazer narrativas?

Eti: Isso, é mais experimentação de materiais. Mas não deixa de ter a ver, porque eu queria muito usar a lã na HQ.

transbordar

Da série Tramas

Sam: Massa! Agora, onde podemos encontrar teus quadrinhos?

Eti: Eu posto as tirinhas no Blog  e no Cafeína Zine . Tem a página do Facebook também. É tanta rede social que a gente fica maluca! hahaha

Sam: hahaha É! E o zine?

Eti: O zine esgotou na Gibicon! haha

Sam: Não vai ter mais impressões?

Eti: Eu quero pensar em algo diferente, esse ficou com um formato muito pequeno e ruim de ler. Mas dá pra ler online, apesar de que as tirinhas estão no tumblr também.

LINKS atualizados!
Blog: https://etieneps.wordpress.com/
Quadrinhos: https://etieneps.wordpress.com/project-type/quadrinhos/ ;)

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