[Entrevista] Ju Loyola

Juliana Loyola de Paula, conhecida como Ju Loyola, foi amplamente divulgada, em 2016, com a matéria Quadrinista surda faz sucesso na CCXP com narrativas silenciosas. Antes de produzir quadrinhos, seu traço de estilo mangá já tinha lhe rendido algumas publicações de ilustrações a partir de 2000, a exemplo das extintas revistas Animax e Anime>DO. Ela também esteve nas exposições temáticas do Anime Dreams 2004/2005 e ficou em 2º lugar no Concurso de Ilustração do Anime Friends 2003 – categoria Preto e Branco.

Nessa entrevista com a autora de The Witch Who Loved e Maria Lua & Cia: Aventura nas Estrelas, conversamos sobre o processo criativo e produção de narrativas silenciosas. Chega mais!

Ju Loyola

Samanta: Quando começou a ler quadrinhos?
Juliana Loyola: Quando era pequena, eu comecei ler quadrinhos foi Fantasma, Mandrake de estilo bem antigo. E virei de fã de Fantasma, foi muito ver esse personagem engraçado. Bem na pré adolescente eu gostava muito de Turma da Mônica. Eu comprava quadrinhos quando eu passava o caminho de casa.

Quando que soubesse que queria ser quadrinista?
Eu tinha 14 anos, eu sempre quis ser quadrinista. Pensei que era necessário escrever o roteiro e a arte. Mas é dominar o português, e desisti de ser quadrinista. Mas minha paixão não morreu.

Quando visse que era possível fazer?
Eu tentei fazer o meu primeiro fanzine (xerox) na época que tinha eventos de anime e mangá. Mas não deu certo. E percebi que era necessário estudar muito pra chegar lá.
No ano 2013, fui viajar à BH onde FIQ ficava lá pra conhecer e fazer novas amizades. E fiquei fascinada de ver essas pessoas gostam de fazer quadrinhos como eu. Já conversei com as pessoas novas.

Isso me despertou pra me tornar quadrinista. Me esforcei muito a estudar e criar história.

Então, até 2013 você apenas desenhava? Vi que tu fez o “Combo Rangers”, em 2002.
O Combo Rangers, já trabalhei nisso como pequeno trabalho. Tipo freelancer.
Sabe, depois de FIQ 2013, eu pensava em criar história sem texto. Eu lembrei de que eu trabalhava como animadora, isso me deu ideia de criar HQ de Narrativa Visual sem texto.

Você lembra se teve algum trabalho com narrativa silenciosa que a inspirou?
Eu lembrei de quadrinhos, filmes internacionais, animações de Pixar/Walt Disney, como Calvin & Hobbes, Charles Chaplin, etc… Isso me ajuda entender as imagens que falam.
Foi o processo tão difícil que fiz na minha vida. Hahaha

Como foi o processo de fazer o primeiro quadrinho?
Antes eu comecei a rascunhar layout (“roteiro desenhado”)
Por exemplo, vou mostrar:


Eu sempre faço isso como roteiro desenhado. E comecei produzir as páginas – foram Artefinal (caneta e nanquim). Deu trabalho assim.

Página de Maria Lua & Cia: Aventura nas Estrelas

Página de Maria Lua & Cia: Aventura nas Estrelas


Você acha que trabalhar sem texto é uma dificuldade para repassar tudo o que quer com o desenho?
Sim. É importante criar a transição de quadros para manter o ritmo de leitura. Eu sempre crio o título antes de rascunhar os personagens e ambiente.

É tipo o conceito geral?
Qualquer gênero. Vamos supor “O vestido amarelo e o Professor”.
Esse título será uma comédia fantasia, os personagens simpáticos e o ambiente simples  e confortável. Começo a criar personagens e o ambiente.

Sei que eu tentei escrever o roteiro, porque sinto certa dificuldade de escrever português. Muita concordância verbal e muito verbos, etc…

Sim, até hoje eu tenho dificuldades com português… não é uma língua fácil.
Isso exato. Mas sempre frequento a minha fonoaudióloga para aprimorar a minha fala e escrita. Também ouvir é importante, conversar com pessoas quando eu estiver nos eventos.

Isso facilita depois no roteiro?
Sim. Prefiro escrever os títulos ou desenhar o novo personagem antes de eu começar a roteiro desenhado

Como conseguia ler os quadrinhos quando mais nova? As imagens ajudaram no entendimento geral?
Foi Calvin & Hobbes. Também Foi Fantasma, lembrei que tinha algumas páginas dele sem texto foram incríveis.

Você acredita que o quadrinho é mais acessível que qualquer outra mídia?
Depende. No momento o mercado de quadrinhos está em alta para ter acesso mais fácil.

Quais são as facilidades e dificuldades de produzir o quadrinho independente?
As facilidades: criar história e personagens.
Dificuldades: ambiente de história (perspectivas), ritmo de leitura, montar a revista. Também gráficas (sem falta).
É verdade, acho que é mais difícil fazer HQ independente é a história.

Quanto a divulgação, tens visto um retorno das redes sociais?
Sim. Aconteceu pela primeira vez (2015) depois do evento da CCXP. Deu positivas. Eles gostaram muito de arte do que de mim. Sempre me falaram para continuar firme. Até no momento sempre assim.

Página da HQ Witch Who Loved


Você tem participado de eventos desde então? Ou antes já era convidada?
Já participei de CCXP e Santos Comicon. Nunca fui convidada.
Também fui convidada para dar palestra no sábado passado [no evento Quadrinhos para todos]. Acho que deu certinho.

E pretendo participar do concurso japonês chamado Silent Manga que acontece neste ano.

E como foi? Falasse de narrativa visual silenciosa, né?
Sim, dei um resumo sobre narrativa silenciosa na palestra.  Mas eu não tenho experiencia de falar ao público. Que frio na barriga!

A gente treme muito né?
sim! Eu tremia muito, até as mãos tremiam…

Você ensinou como é seu processo nessa palestra?
Sim mostrei o processo de  roteiro rascunhada até a construção de página. Também eu expliquei o que é narrativa visual. E a narrativa silenciosa.
Também recomendo os livros  de quadrinhos e o livro de aprendizagem sobre quadrinhos.

Você planeja fazer novas palestras como essa?
Pretendo fazer. Mas eu preciso treinar mais pra falar ou usar libras.

Já pensasse em dar aulas para pessoas com deficiência auditiva?
Já pensei. Descobri que eu não tenho experiência em dar aula. Também uso pouco Libras.
Me acostumo falar… gosto de focar só quadrinhos pra melhorar, pra chegar ao nível de quadrinistas como Fábio e Gabriel Moon, Bilquis Evely.

Falasse que vais participar do Silent Manga Audition, desde quando participa?
Participei desde SMA4 até SMA7. Eu não ganhei nada… Só ganhei como menção Honrosa.

É muito bom, mas o difícil é escolher uma boa história

Eu ganhei de menção honrosa com The Promise Of Happiness.

Porque você acha que as pessoas sentem faltam de um roteiro acompanhado por letra escrita?
Sim, porque eles gostam ler roteiro escrita. Se for sem roteiro, eles não entenderam nada  as imagens

Sim, mas tem um tanto de webcomic que usa apenas desenhos sequenciais e são muito bons!
Conheço pessoas legais que também fazem narrativa visual sem texto, como Vencys Lao, Mika Takashika. Tem outros também.

Tenho a webcomic também Perdida na floresta: perdidanaflorestawebcomic.tumblr.com

Essa é de quando?
É de 2014. Foi só para internet e é a primeira.
O primeiro quadrinho físico foi Witch Who Loved.



Qual é o material que usa?
Uso pra rascunhar: Lapis Creatcolor HB
Pra fazer artefinal: Pena de nanquim G , Tinta Ink Pilot e Tinta Talens. Corretivo ou Guache branco.
Papéis que uso: papel Bristol A4
Vou aprender a usar A3 (grande… :o).

Eu quero aprender e estudar mais sobre quadrinhos para melhorar. Muito mais….
Sei que quadrinhos não é fácil para mim. Sempre vejo assim e não ouço nada… Sempre vejo. Eu tenho amigos quadrinistas, são incríveis. Eu sempre converso com eles para trocar ideias. É muito boa experiência sobre quadrinhos.


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Links de outras entrevistas e matérias com a Ju:
Quadrinista com deficiência auditiva traz narrativa silenciosa à Comic Con
Ju Loyola, The Witch who loved e Narrativas visuais
Conexão OhaYO! – Ju Loyola


 

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