Entrevista Julieta Arroquy

Julieta Arroquy

Faz seis anos que Julieta Arroquy começou a trabalhar com ilustração e quadrinhos. De início, tinha sempre a junção de objetos e palavras, mas sem um personagem definitivo.  Desde maio deste ano, aos 36 anos, a quadrinista publica Ofelia y sus cuadritos no jornal Libre, com os traços simples que Julieta sempre usou para se expressar – unindo as cores preto e branco, mas com um toque cores, como o vermelho.
Saiba mais sobre essa quadrinista argentina na entrevista aqui no Lady’s Comics.

Você trabalhou com muitas coisas (garçonete, babá), até em um banco por 9 anos, como começou a fazer comics?
Comecei aos 31 anos, logo que terminei uma curta e  mal sucedida relação amorosa, a tristeza me fez a desenhar e não pude e nem quis parar. Tinha desenhado quando criança e na adolescência, mas depois dos 30 anos voltei a pegar no lápis, e foi tudo um encontro.

Quando começou a fazer quadrinhos você acreditava que ia fazer mais e mais?
Não me perguntava muito sobre o futuro, e ainda hoje sigo sem me perguntar. Trabalho sempre com emoções e impulsos do presente, assim trato de viver passo a passo. Quando comecei a desenhar o que me fez feliz foi saber que tinha uma habilidade e poderia a usar todas as vezes que quisesse, porque no final é como andar em bicicleta, nunca se esquece.


Como nasceu o blog?
O blog nasceu logo que comecei a publicar na Ohlalá, já tinha cerca de 200 desenhos assim que decidi colocar na web para poder compartilhar com o resto do mundo.

Como foram os dois anos na revista feminina Ohlalá? Teve muitas oportunidades depois deste trabalho?
Quando comecei na revista Ohlalá não tinha muita ideia de nada, como não tinha nem sequer um scanner, tirava uma foto dos rascunhos para que as editoras aprovassem, logo os scanneava em meu trabalho e os mandava. Foram dois anos muito bons, em que aprendi muito, sobre tudo  como as vezes a liberdade criativa pode ficar restringida a ideologia de um produto, como é uma revista. Mas, definitivamente, foi minha primeira oportunidade ainda que, por falta de experiência, não soube aproveitar de tudo. Logo, de publicar ali, saiu meu livro a venda, com o qual passaram vários meses até começar a tratar de publicar em outro lugar. Mas o fiz, publiquei na revista Para Ti, fiz um vídeo para os Super Ratones, uma coleção de bolsas e sapatos para a marca Puro, e hoje publico no diário Libre, do Grupo Perfil. A verdade, com a curta carreira que tenho, não posso me queixar.

La Ofelia é uma personagem um pouco dramática, como surgiu o quadrinho?
Acredito que as mulheres em geral temos uma natureza dramática, mas não acredito que Ofelia seja só isso, também é analítica e reflexiva, ela gosta de dar voltas nas coisas, ainda que ás vezes as coisas são muito simples e não convinha estar analisando tudo isso. Quanto ao surgimento desta personagem, pois bem, acredito que surgiu sozinho. Por alguma razão precisei de uma figura humana para poder expressar algumas coisas e de repente parei de desenhar objetos para  expressar o que eu precisava para comunicar, disse esta menina. E agora, algo mudou em minha cabeça também, porque não posso voltar a minha estrutura anterior do pensamento criativo, já não me saem objetos, agora me sai esta pessoa que é Ofelia y sus cuadritos.

ofelia y ET

Você utiliza quais materiais?
Não são muitos materiais, somente lápis, borracha e marcadores edding.

Você gosta mais dos desenhos preto e branco?
Eu comecei com o preto e branco, e sigo os usando ainda que agora incluo cores graças as funcionalidade do photoshop. De todos os modos com o preto e branco me snto muito cômoda também, porque é algo muito básico e muito simples, e me permite certo nível de detalhe com que eu gosto de brincar. Mas, ás vezes, como na vida mesmo, faz falta de colocar um pouquinho de cor.

Você tem quadrinhos publicados? Onde se pode encontrar?
Tenho um livro, Oh, no! Me enamoré publicado com Ediciones De La Flor, e atualmente publico uma vez por semana o quadrinhos Ofelia, la chica del cuadrito no jornal Libre.

ofelia e emociones

Você lê quadrinhos? Recomenda algum?
Não sou de ler comics, mas de tanto em tanto tempo leio, daqui da Argentina eu gosto do humor  gráfico de Tute, Liniers, Max Aguirre, Gustavo Sala e Ernán, mas não sei se os definiria como quadrinistras, mas sim como humoristas gráficos. Do Chile eu gosto do Alberto Montt e Olea, da Espanha Juanjo Saez, e da Colombia PowerPaola. Eu disse alguns, mas há muito mais, é claro.
Você foi convidada para participar da exposição do blog Chicks on Comics, como foi a participação com elas?
Foi uma linda experiência em que participei com um desenho no quadro Viñetas Sueltas, um festival de quadrinhos que se faz em Buenos Aires. Pude conhecer Clara Lagos e Delius por exemplo, já conhecia seus trabalhos, mas elas não. É muito bom quando as pessoas tem paixão e pelo mesmo se juntam e compartilham, saem coisas muito positivas disso.

No seu blog Ofelia e seus desenhos vivem sempre em um mundo difícil?
Nem sempre vivem em um mundo difícil, ao contrário, as vezes ficam bêbados, matam-se de rir e até começam a dançar e cantar. Outras vezes o mundo nos faz difícil, mas outras resulta que o mundo se converte em uma verdadeira festa.

Ofelia

Ofelia y sus cuadritos não está só em publicação no jornal, mas também no blog de Arroquy – È un mondo difficile.

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