Entrevista – Laura Athayde

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O trabalho de Laura Athayde é daqueles que você bate o olho em apenas uma imagem e sabe que ali existe criatividade e entrega. Vejo uma carreira promissora pela frente. Depois de começar por Turma da Mônica e passar pelos mangás, hoje, ela se encontra na cena independente. Seu traço se remaneja em cada trabalho e todos lhe cai bem. Leia esta pequena entrevista que fizemos com ela:

Lady’s – Quem é Laura e qual a lembrança mais remota de seu contato com os quadrinhos e ilustração?

Bom, tenho 25 anos recém completos (ainda me confundo, às vezes). Nasci em Manaus mas, atualmente, vivo em São Paulo e sou formada em Direito. Trabalhei como advogada por dois anos depois de me graduar e, há alguns meses, saí do escritório para me dedicar a cursos de ilustração e aquarela.
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Meu contato inicial com os quadrinhos se deu de forma bem clichê: eu era obcecada pela Turma da Mônica e tinha uma coleção enorme de gibis, que aumentava a cada semana. Na adolescência comecei a acompanhar alguns webcomics como os Comborangers, do Fábio Yabu (quem lembra?), e a me interessar por mangá. Tenho uma grande amiga que é descendente de japoneses e ela costumava traduzir as histórias preferidas dela pra mim, que vinham do Japão em revistas mensais enormes. Comecei, então, a baixar scanlations (versões escaneadas e traduzidas por fãs) de mangás e, quando começaram a sair no Brasil, comecei a colecionar. Eu acompanhava Evangelion, Sakura Card Captor, Sailor Moon, Hunter x Hunter, Shaman King, One Piece, Fruits Basket… apesar de não acompanhar mais mangás assiduamente, meu traço até hoje é muito influenciado pelo estilo.
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Lady’s O que te move a desenhar e o que te impede?
O que me move a desenhar é o hábito, eu acho! Desde que eu lia Turma da Mônica e copiava os personagens, o desenho se tornou algo que faz parte de mim. Eu desenhava todos os dias, várias horas por dia, por puro prazer. O desenho acabou se tornando um impulso e eu desenhava nos cantos dos livros e cadernos durante as aulas. Meus pais me incentivaram bastante nessa época, e eu fui aluna em um liceu por alguns anos, até precisar parar para me dedicar a estudar para o vestibular. Nessa época a influência paterna pesou um pouco e, na dúvida entre Design e Direito, optei por este último. Parei de desenhar por muitos anos, durante a faculdade, talvez por não me sentir estimulada no meio que eu frequentava. Só retomei o vício do desenho no final de 2013, ao começar a retomar contato com o quadrinho nacional e, em especial, a cena independente. Participei de uma série de zines coletivos e lancei o meu próprio, o Delirium, que é um quadrinho curto. Desde então, não parei mais! Fiz o Tumblr e, depois, a página no Facebook pra facilitar a troca de ideias com pessoas interessadas em ilustração e quadrinho, e isso tem me estimulado bastante a produzir!
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Lady’s – Com que materiais gosta de trabalhar?
Gosto de trabalhar com canetinha descartável de nanquim (às vezes alguém me parabeniza pelo uso da pena, só que eu nunca toquei numa!) e tenho feito bastante pintura digital no Photoshop, mas a pintura tradicional me atrai muito, em especial a aquarela, por ser um meio que surpreende o artista. Por isso tenho me dedicado ultimamente a aprender essa técnica. Outro dia ganhei uma caixa de lápis de cor e também gostei muito do resultado das minhas experimentações. Tem artista que faz milagre com esse meio, e é uma pena que ele seja frequentemente deixado de lado por ser considerado infantil demais.
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Lady’s – Quais são suas referências?

Minhas referências… taí uma pergunta difícil. Meu estudo de arte e quadrinhos não foi sistematizado, fui gostando e testando elementos que vieram não só dessas duas artes como do cinema, da música, da fotografia, da literatura. Como eu disse, li muito mangá na adolescência, e isso fica muito evidente no meu traço, que lembra um pouco o da Miwa Shirou (que, por sua vez, tem uma abordagem visual que lembra a do Tarantino, também um dos meus ídolos). Narrativamente, tenho paixão por histórias fantásticas e ficção científica, então no meu trabalho há a influência de Neil Gaiman, Orson Scott Card, Gabriel García Márquez, dentre muitos outros. As histórias policiais meio viajadas do Frank Miller também estão dentre as minhas favoritas.

Agora, no que tange especificamente ao quadrinho nacional independente, minhas maiores influências são o Odyr Bernardi e o Diego Sanchez. Inclusive foi uma tira deste último que me fez voltar os olhos pra produção nacional e, principalmente, pro quadrinho autoral (essa daqui, que eu podia jurar que era baseada nalgum conto do Bukowski: http://tinyurl.com/omqf5kq). Foi ele também que me estimulou a fazer tiras e me apresentou aos dois primeiros projetos coletivos de que participei, o Zine XXX e o MÊS.

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Lady’s Quais são seus planos como quadrinista e ilustradora? :)

Outra pergunta difícil… estou cursando ilustração e experimentação gráfica e me aprofundando no estudo da aquarela pra me qualificar e, quem sabe, trabalhar com ilustração num futuro próximo. Também estou organizando um projeto de HQ longa com os integrantes da MÊS para inscrevermos no edital da Secretaria de Cultura do Estado de SP. Por enquanto, tenho muitas vontades e poucas certezas, hahah!

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Para quem quizer conhecer melhor o trabalho da Laura:

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