Entrevista – Lu Cafaggi

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Primeira ilustração do site feita por Lu Cafaggi

Há exatos cinco anos o Lady’s Comics lançava o blog com uma entrevista concedida pela Lu Cafaggi. Naquele momento nenhuma de nós sabia que iríamos tão longe. Cinco anos depois, num bate-papo longo e descontraído, em um cafeteria no centro de Belo Horizonte, pudemos falar de feminismo, mudanças (no cenário e em nós mesmas) e planos para o futuro.

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Lady’s – Quais foram as mudanças dos último cinco anos da Lu quadrinista?

Cinco anos atrás foi justamente quando eu estava começando, né? Quando você me entrevistou pela primeira vez, eu tinha acabado de abrir o blog e não tinha muita noção aonde eu queria chegar. Eu achava que tinha alguma noção, mas não tinha não. É…e o que mudou? O blog foi abandonado rs. Porque eu comecei tentando ir pelo mesmo caminho do meu irmão, que era fazer tiras diárias e colocar no blog. Mas não me senti confortável com a linguagem de tiras, não consegui pensar numa piada boa e rápida toda semana. Não dava conta de desenhar toda semana de um jeito que ficasse satisfeita com o resultado final, então não deu certo. Acabava que me sentia muito culpada por causa disso, mas eu ainda estava me descobrindo no quadrinho. Depois disso eu fui dando uma sorte atrás da outra. Quando eu abri o blog meu irmão já tinha um público, e acabei conseguindo uma divulgação muito mais rápida do que as pessoas conseguem. Foi só meu irmão divulgar no twitter que muitas pessoas acessaram e até mesmo o Universo HQ chegou a fazer uma entrevista. Tinha uma tirinha postada, estava totalmente despreparada, mas já tinha gente de olho. Muitas pessoas acompanhando é um pouco difícil…é bom e ruim ao mesmo tempo. É bom você ter um espaço pra errar bastante, o que não tive, mas também foi legal porque foi abrindo portas. Logo depois comecei a ilustrar livro infantil, recebi um convite para ilustrar o livro do Pedro Bandeira (Ática), e eu não estava preparada, mas estava me sentindo “a” ilustradora. rs Depois disso veio o Mixtape. E pensei “eu não vou fazer tirinha”, mas também não ia dar conta de fazer algo gigantesco. Vou encontrar algo no meio do caminho, que era possível. Com tirinhas eu sentia que estava mentindo tendo de inventar uma piada do nada. Eu queria uma historia que não tinha obrigação de agradar ninguém, e ter de fazer as pessoas darem uma gargalhada. E se não gostarem tudo bem, eu queria fazer algo mais minha cara possível. Com Mixtape, me dei mais liberdade e um pouquinho mais de espaço. Mais ainda assim, nessa época eu não tinha noção do que eu estava fazendo não..rs Eu sentia que eu comecei a fazer quadrinhos, sem saber o que eu queria contar pras pessoas. A medida que eu fui fazendo que eu vi que tinha coisas pra falar a respeito e que fazendo em forma de quadrinhos eu conseguia melhor que escrevendo. Ao mesmo tempo estava cursando jornalismo e eu tinha a sensação que eu queria me formar em jornalismo e ser uma grande jornalista. Enquanto isso eu fui tentando fazer quadrinhos. E porque não? Eu gostava de desenhar, meu irmão já estava fazendo, sabia de pessoas que gostavam de me acompanhar e não tinha por que não fazer. Aí dei sorte por Sidney Gusman gostar muito do meu irmão e do trabalho dele, e ter conhecido o meu, e dar um voto de confiança de cara. Mesmo não tendo algo consistente publicado, ele me chamou pra fazer a Graphic Novel da Mônica e aí foi um salto gigantesco. Porque eu não sabia pra onde eu estava indo e, publicar um livro que se ficasse bom ou ruim, a gente sabia que ia ser lido por muita gente. Pra falar verdade, quando eu recebi o convite eu não tinha noção da tamanha responsabilidade que era isso. Mas deu certo e o pessoal gostou muito. Terminando o livro que foi caindo a ficha. Eu vi aquele tanto de rascunho na minha mesa e pensava “gente! Não tem ninguém que vá querer publicar isso!” rsrs Eu achei que não estava fazendo quadrinho porque não tinha conseguido fazer tirinha. Mas aí eu entreguei e ninguém falou nada, aí eu pensei “deve estar bom mesmo”. E quando foi publicado eu fiquei aliviada, porque a gente pode ouvir das pessoas que a gente gosta que está lindo. rs

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Lady’s – E a partir dessas experiências, como foi fazer quadrinhos de fato?

É engraçado porque se você tivesse me perguntado isso quando eu acabei de entregar “Laços” eu ia dizer “fazer quadrinhos é muito difícil”, ainda sendo um quadrinho longo, mas eu fiz 8 páginas! Só depois que eu fiz o “Bruna” (Quadrinho que irá contar um pouco sobre a escritora Bruna Vieira), que são 80 páginas que eu pude saber o que é fazer quadrinhos de verdade. Foram 6 meses praticamente sem dormir, me sentia culpada de dormir, sabendo que tinha de entregar o quadrinho. Mas o desgaste só atrapalha. Pra dar conta do prazo eu tinha que sentar às 8h da manhã na escrivaninha e ficava lá o dia inteiro e quando dava 20h da noite eu falava “vou dar uma deitadinha aqui”, e botava o despertador pra daqui a uma hora, e fica assim, acordando de hora em hora. E foi assim durante todo esse tempo e já não rendia como no início.

 Lady’s – E você conseguiu entregar à tempo? Foi aprovado sem nenhuma alteração?

Consegui e foi aprovado. Até porque já estava em cima do prazo.rs E vai ser lançado na Bienal do Rio de Janeiro (3 a 13 de setembro).

Lady’s – Ele foi feito a mão, do jeito que costuma desenhar? Porque você faz tudo à mão no pastel seco, né?

Foi todo assim. Na verdade me deu mais um pouco de trabalho porque eu desenho tudo clarinho, aí escaneio e fica tudo apagado. Daí tenho que fazer mil coisas de novo, aumentar contraste, colorir, botar o balão e por mais que você calcule a paginação, tudo direitinho, ele nunca fica certinho. E foi o Duda (Eduardo Damasceno) que me abriu os olhos e disse que não ia dar conta de fazer uma página por dia. Aí sentamos e calculamos o que era possível fazer dentro do prazo que tínhamos.

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Lady’s – E depois de fazer os dois MSP e o Bruna, tem algum projeto pessoal que você pretende fazer?

Sim! Como eu falei, eu formei em jornalismo, né? Aí quando eu fiz o TCC eu fiz sobre jornalismo em quadrinhos, e foi ótimo! O plano era ter uma página e ir postando pequenas reportagem em quadrinhos. Mas me empenhei tanto em fazer a parte de relatório do projeto que eu fiz pouquíssimos quadrinhos. Mas foi ótimo ter feito essa pesquisa antes, pra partir de um lugar seguro, e não fazer qualquer coisa. Então eu pesquisei direitinho pra fazer uma coisa de qualidade. E eu quero levar esse projeto pra frente, de fazer jornalismo em quadrinhos.

Lady’s – Isso é bem legal! A gente falou recentemente do trabalho da Carolina Ito aqui no Lady’s, que também fez um projeto de TCC de jornalismo em quadrinhos. E é bem legal, porque ainda carece dessa área por aqui.

Sério! Que legal, depois quero ver.

pausa para um brinde aos 5 anos com mojitos, cerveja e piña colada haha

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Lady’s – Voltando… Há 5 anos atrás você deu uma entrevista pro Lady’s sobre mulheres que fazem quadrinhos, e ainda estávamos começando a nos atentar sobre o assunto. De 5 anos pra cá o que viu de mudança em relação à esse assunto?

Eu vou falar da mudança que aconteceu em mim, e tanto a que eu vejo em relação às mulheres em quadrinhos, tá? Quando vocês me chamaram pra participar do Lady’s eu era completamente desligada pra esse tema. Completamente. Eu não tinha noção que as meninas não se sentiam à vontade pra fazer quadrinhos, que não tinham espaço pra elas, e que elas não se sentiam bem-vindas. Até porque, como eu falei, eu fui dando muita sorte mesmo, eu só conhecia a palavra feminismo e mesmo assim eu tinha um certo preconceito, claro que nada intencional, mas a gente vai crescendo, e vai assimilando alguns valores e conceitos sem parar pra pensar neles. Isso com todo mundo, né? Com a nossa geração, com as que vieram antes, e as que virão depois também. Eu tenho esperança que as coisas estão começando a melhorar pra todas nós, mas realmente eu sinto que a minha geração tem feito um esforço pra ir se “limpando” desses preconceitos, que é a primeira coisa. Assumir que temos esses preconceitos, que falamos muita bobagem e a partir do momento que você reconhece que isso tá prejudicando e pode virar uma coisa muito maior, vc tem de fazer um esforço pra ir…

Lady’s – Descostruindo, né? As pessoas estão usando muito essa palavra, mas é isso mesmo…

Sim! Ir desconstruindo na família, escola… não dá pra apontar o dedo de quem é responsável por isso, porque são muitas pessoas que foram assimilando e poucas pessoas tem feito um trabalho enorme pra poder ajudar cada uma a reconhecer o que realmente acontecendo. Fazer as pessoas acordarem. Não só nos quadrinhos, né? É…então de 2010 pra cá que eu fui começando a perceber isso, por causa do Lady’s mesmo. Eu lembro da gente fazendo as primeiras matérias, e algumas pessoas me perguntando “ah! Eu vi seu blog lá…o Lady’s Comics e tal…o que vocês fazem?” “Ah, a gente ajuda a divulgar as mulheres que fazem quadrinhos”. E algumas pessoas perguntavam “é um blog feminista?” e eu “Nãaao, só de divulgação” rsrsrs Me sentindo acusada. E com o tempo é que fui percebendo que o blog tinha uma intenção feminista.

“Não dá pra ficar em cima do muro e querer continuar ajudando as pessoas a construir algo maior. Não tem jeito. Você tem que assumir uma postura mesmo. Então deve ter um ano que eu falei a primeira vez em alguma entrevista “eu sou feminista sim.””

Lady’s – Mas acho que pra muita de nós se dizer feminista foi um pouco demorado…

Hoje por exemplo eu vim com batom vermelho, e minha mãe me viu de batom. Eu achei que tinha de justificar pra ela porque eu vim de batom, sabe? “ah, eu precisava deixar minha cara mais colorida”. rsra É sobre esse tipo de coisa que eu sentia quando ia falar que eu sou feminista. A primeira vez que eu falei que era feminista, parecia que eu tinha de me justificar…rs “ah é por isso..eu tenho motivo, tá?” rsrs. Eu sentia muita culpa quando eu comecei a perceber que eu era feminista mesmo. Acho que você percebe isso quando você quer ser uma boa pessoa. Não dá pra ficar em cima do muro e querer continuar ajudando as pessoas e construir algo maior. Não tem jeito. Você tem que assumir uma postura mesmo. Então deve ter um ano que eu falei a primeira vez em alguma entrevista “eu sou feminista sim.” Foi um passo grande. Tive de tomar muita coragem. Mas eu me tornei mais próxima de quem eu quero ser, sabe?

Lady’s – Entendemos o que quer dizer…porque o feminismo é libertador. Vamos tomando uma coragem que não tínhamos antes.

É legal, porque à medida em que você vai lendo a respeito, e conhecendo inclusive a história de outras mulheres e meninas, vai tomando conhecimento de que as coisas são reais e além do facebook você vê as pessoas contando suas histórias, aí você vê a coisa de verdade e vai ficando mais atenta. Eu lembro das primeiras vezes em que vi alguma coisa, vi um filme ou escutei alguma história eu vi que aquilo é machista… soou um alarme: “tem alguma coisa errada aí”. Antes de você ter argumento, você sente que tem algo errado. De pouco tempo pra cá é que eu comecei a pensar, por exemplo, “eu não posso chamar tal menina de vaca”. “E vaca” só se refere a uma menina. Há muitos xingamentos direcionados apenas pras mulheres. E você vai percebendo que coisas que pareciam pequenas e que achamos que não fazem diferença nenhuma, na verdade fazem parte de algo maior.

Mas tô falando só de mim hahaha Agora sobre os quadrinhos…

Eu não sei se é porque eu comecei a prestar atenção só de cinco anos pra cá, mas eu senti um crescimento muito grande dessa discussão. Eu acho que foi o Lady’s que impulsionou essa discussão. Eu sei o caminho que eu fui acompanhando, então começou com o Lady’s, com as pessoas no twitter divulgando e questionando as coisas, e percebendo que em determinadas coletâneas tinham bem menos meninas. O FIQ teve o primeiro evento com a mesa “mulheres e quadrinhos”, e depois outros eventos começaram a fazer o mesmo. As mulheres puderam sentar e falar. Foi muito bom ouvir as histórias de cada uma, como cada uma se mantém, como lidam com as dificuldades. Adriana Melo com o super-herói, a Ana Luiza com o franco-belga e as meninas do independente e webcomics. Cada uma com uma experiência diferente e cada uma lidando com o machismo de uma forma. E foi legal ver esses debates crescendo. Depois veio o grupo mulheres e quadrinhos no Facebook que é ótimo pra discussão. Pois cada um foi postando o que achava, colocava alguma matéria sobre uma personagem feminina. E a discussão foi crescendo junto, não só a questão de divulgação, mas como a personagem é representada. As meninas foram ficando mais à vontade pra falar sobre temas que antes elas se sentiam acanhadas, percebi muitas questões sobre a sexualidade da mulher. E é lindo ver isso crescendo, é um movimento que está transformando. Eu não sei se é ingenuidade, mas eu sinto que as coisas estão mudando mesmo. Quanto mais gente tiver pra conversar a respeito, quanto mais gente tiver que acrescente a essa discussão, as coisas vão ficando mais complexas e a gente tá percebendo que isso é bom. Que é bom perceber que as coisas não são só o preto no branco. As relações são muito mais complexas e quanto mais a discussão vai crescendo, mais as pessoas vão acrescentando as experiências delas, aí a discussão vai ganhando uma forma mais verdadeira mesmo a partir do momento que essa complexidade é percebida.

“As pessoas se sentem no direito de encostar em você, de fazer esse tipo de cantada…e a maneira como elas olham pro seu trabalho é diferente, porque tem um interesse embutido ali. Acho que isso já está passando da hora de as pessoas aprenderem a respeitar e separar uma coisa da outra.”

Lady’s – Vou fazer uma pergunta que pode parecer clichê..rs Mas a gente falou da mudança do cenário de cinco anos pra cá, e qual mudança você espera pra você dentro dos quadrinhos? Como você quer estar daqui à cinco anos?

Ia ser ótimo daqui a cinco anos vocês me entrevistam e eu digo “ah, larguei os quadrinhos e sou uma advogada de sucesso” hahahha Mas é difícil ter uma noção. Porque cinco anos atrás eu não fazia ideia de onde eu ia estar. Eu espero aprender a administrar melhor o meu tempo, até pra poder dar conta de realizar meus projetos pessoais que a gente falou. E o que eu fiz nos últimos anos, com a sorte que eu tive, foi que muitas oportunidades apareceram e eu agarrei todas. rs Só que eu não pensei direito..rs Administrar meu tempo foi o meu maior desafio nesses cinco anos. E não me arrependo de ter agarrado todas as oportunidades. Estou muito feliz com cada uma delas e com cada uma eu aprendi muito. Mas eu abri mão das histórias que eu queria contar. Não completamente, porque em todas eu consegui colocar muito de mim ainda. Mas por exemplo, o jornalismo em quadrinhos está na gaveta, a continuação do Mixtape está na gaveta….e ainda são coisas que eu quero realizar. Teve uma conversa na GibiCon do ano passo que a Julia Bax falou “vamos supor que eu vá viver até uns 80 anos, e que eu consiga fazer um livro por ano a partir de agora. Eu vou conseguir (um exemplo – porque não sei a idade dela rs) fazer 40 livros.” Tenho tanta ideias todos os dias que eu ia precisar de uns 300 livros pra dar contar tudo o que eu quero contar. E 40 livros parece muito, mas é muito pouco. Fazer quadrinhos demora. E você precisa realmente de um ano pra fazer um livro. Então, é importante administrar esse tempo, né? Saber medir, porque além de demorar pra fazer, não dá pra viver de quadrinhos, porque você tem que fazer os outros projetos que vão te ajudar a te sustentar. E dar um jeito de descansar, e de viver as coisas que te dão material pra contar suas histórias. Então eu espero que daqui à cinco anos que eu esteja administrando o meu tempo. rs É isso, rsrs que sem graça hahaha.

Lady’s – Não é não…hahaha É importante! Precisamos de tempo pra fazer o que a gente quer! Mudando um pouco de assunto, mas… eu queria saber também se nesse tempo, você teve algum preconceito ou sentiu alguma diferença por ser mulher.

Não. Não pra conseguir coisas. Como eu falei, eu fui dando muita sorte e não tive de fazer esforço pra conseguir algumas coisas. Eu até tenho vergonha, porque tem muita gente muito melhor que se esforça tanto. E eu fui conseguindo as coisas de bandeja. Então eu realmente não tenho nada pra me queixar nesse quesito. Tem concursos que me inscrevi ou projeto de coletâneas que quando eu não fui aceita eu não pensei que foi pelo fato de ser mulher, pensei que era porque não era o boa o bastante ainda. Mas uma coisa que eu sinto de diferente, no tratamento por ser mulher não é por parte de editoras, é por parte de algumas pessoas que fazem quadrinhos ou então dos leitores que se sentem na liberdade de assediar a gente. Como tem meu irmão trabalhando comigo pra ter de referência…é completamente diferente o tratamento do público com ele e do público comigo. Comigo, as vezes o pessoal vai pedir autógrafo e a pessoa acha que admira meu trabalho e aproveita pra fazer uma cantada. Ou então na internet manda inbox coisas do tipo “Nossa fiquei tão surpreso que você além de talentosa é tão bonita”. E tipo, o que uma coisa tem a ver com a outra, né? Então a diferença de tratamento é bem clara. As pessoas se sentem no direito de encostar em você, de fazer esse tipo de cantada…e a maneira como elas olham pro seu trabalho é diferente, porque tem um interesse embutido ali. Acho que já está passando da hora de as pessoas aprenderem a respeitar e separar uma coisa da outra.

Lady’s – Realmente um absurdo. Acaba que com o seu reconhecimento esse tipo de coisa aumenta. Por falar nisso, você já realizou que atualmente você é uma das principais quadrinistas do Brasil? Essa pergunta é um pouco Caras” hahaha

Hahaha Assim…Nem todas as escolhas a gente faz, então (vou falar mais uma vez), eu tive muita sorte de chegar onde eu cheguei e das coisas terem acontecido tão rápido. Quando “Laços” estava vendendo bem, as pessoas já me perguntavam esse tipo de coisa e eu ainda não sabia, mas eu ficava muito envaidecida com esse tipo de pergunta. Aí agora com “Lições”, e com o trabalho da Bruna que está pra ser lançado, aí que vou ter de lidar com isso com mais responsabilidade. Porque não é mais questão de ego, agora você tem mais responsabilidade pelo tanto de pessoa que está te lendo. Eu só estou começando a reconhecer isso agora…. O público de “Lições” é mais amplo, com a Bruna é um outro tipo de público. São adolescentes, e se parte do pressuposto que é para o público feminino. Então quando fui fazer “Bruna”, um dos cuidados que eu tive foi pensar o que não está sendo falado para os adolescentes.  O que não me foi falado quando eu era adolescente, por exemplo. E o que é falado em excesso. A questão de se conquistar um menino tem de sair do centro, por exemplo. E as meninas tem que começar a falar das suas vidas por inteiro e reconhecer as outras pessoas que fazem parte dela. Os amigos, a família, a questão acadêmica…e são poucos produtos de entretenimento que dão ênfase nisso. E esse tipo de preocupação você tem de ter a cada livro que você faz e sabendo que aquilo vai fazer parte da vida de alguém.

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Lady’s – Pela primeira vez o FIQ vai ter uma identidade visual feito por uma mulher, como foi o convite e fazer essa identidade?

O mais legal que eu recebi o convite oficial no evento do Lady’s Comics. O Afonso anunciou e foi lindo. Eu posso acompanhar o FIQ de perto porque o Eduardo (Damasceno), ajuda o FIQ a acontecer e posso perceber a preocupação do FIQ em se posicionar sem fazer rodeios. Vi o Afonso falar na Multiverso numa mesa sobre o evento, sobre fazer um evento com um posicionamento e que está preocupado em dizer que todos são bem-vindos, tanto como leitor, como o autor de quadrinhos, os que divulgam os quadrinhos…Sempre se colocando à disposição e colocando mulheres em todos os painéis e bate-papo para falar de igual pra igual. Então eu queria fazer uma identidade que ampliasse esse convite e mantivesse esse convite e abertura, porque quando eu fui ao FIQ em 2009 (não sei quem está lendo já foi ao FIQ) mas o evento tem uma energia muito boa. Todos os que fui tinha uma energia diferente dos outros eventos e eu me senti muito bem recebida. Mesmo antes de fazer quadrinhos e saber onde eu queria chegar. Então fui acompanho esse processo do FIQ acolhendo as minorias e me construindo ao mesmo tempo. E sempre me senti acolhida, então eu queria uma identidade que abrisse esse convite de cara e que cada pessoa que olhasse dissesse “esse FIQ também é pra mim.”

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