Entrevista Mariana Cagnin

Aos 11 anos, Mariana Cagnin queria desenhar mangá. Influenciada por animes e quadrinhos orientais como Sakura Card Captors, Sailor Moon e Corrector Yui, foi atrás das revistas “como desenhar mangá” e depois disso nunca mais parou de estudar. Aos 18, publicou as primeiras páginas do mangá Vidas Imperfeitas no Deviant Art, que hoje pode ser encontrado nas bancas pelo o selo HQM. É formada em Artes Visuais. Tem um canal no Youtube que traz dicas de desenho, materiais de desenho, speed painting e até sobre como abrir um MEI.

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Conheça a autora e os próximos projetos que vem aí! ;)

Samanta Coan: O Vidas Imperfeitas foi teu primeiro quadrinho publicado?

Mariana Cagnin: Isso! Foi o primeiro. Antes de ser publicado pela [editora] HQM, eu publicava de forma independente e vendia em eventos.

Sam: No Deviant Art tu publicavas só ele ou tinha ilustrações também? Queria entender quem veio primeiro… ilustração ou histórias em quadrinhos mesmo.

Mariana: No Deviant eu comecei enviando desenhos mesmo! Mas na vida não sei te dizer o que veio primeiro, os desenhos ou as histórias xD acho que foi tudo ao mesmo tempo. E aí quando comecei a fazer o Vidas. Deu a louca e decidi postar no DA, mas eu não esperava nada com isso, foi apenas um teste! Mas, de repente, o feedback foi bem grande e as pessoas pediam pela continuação da história.
Bom, acho que posso dizer que foi nesse momento que vi que poderia fazer quadrinhos não só pra mim, mas pro público.

Sam: Levava quanto tempo pra executar o trabalho? Era publicado página por página ou o volume todo de uma vez?

Mariana: No começo, na era do Deviant, eu postava página por página, mas quando decidi montar um fanzine impresso eu refiz todas aquelas páginas e então comecei a lançar as revistas mais ou menos a cada semestre.

COLEÇÃO VIDAS IMPERFEITAS

Sam: Como era produzir um quadrinhos com espaço longo entre as publicações? Já tinhas o roteiro todo pronto?

Mariana: Quando eu comecei não tinha toda a história pronta, mas tinha algumas premissas que eu queria seguir… Ao longo do tempo em que lançava as revistas, fui trabalhando no roteiro das outras edições e finalmente conseguia fechar tudo! Como comecei de maneira despretensiosa, eu não estava muito preocupada no começo com todo o roteiro, aliás roteirizar foi algo que aprendi a fazer no processo. Quanto ao espaço de tempo, eu produzia nos meus tempos livres entre a faculdade e o estágio, então eu não precisava ficar correndo com prazos e fazia tudo no meu tempo, do jeito que eu queria.

Sam: Eu li a entrevista no site O Grito que falava um pouco sobre a criação de Juno. Como foi fazer uma adolescente que não tem receio quanto ao sexo e não obedece a “hierarquia familiar” (porque ela questiona a figura paterna o tempo todo)?

Mariana: Nossa, eu justamente queria criar uma personagem que saisse desse esteriótipo da qual estamos acostumados a ver em livros e filmes, da garota indefesa que só encontra sentido na vida através de outras pessoas… Eu queria mais que isso! Então eu criei a Juno, que aparentemente é o oposto dos clichês mais comuns, mas ela também tem uma sensibilidade e tem falhas como qualquer pessoa! Acho que além de tudo isso, também queria alguém mais humano, mais real e paupável, alguém em quem as pessoas pudessem se identificar ou se inspirar.

Sam: Eu curti demais a quebra de expectativa da história. O que também me chamou atenção foi a parte do sexo que não teve receio nenhum por parte da personagem.

Mariana: hahahah Valeu, eu não gosto de “finais felizes” sempre me faz perguntar o que vem depois??? Tipo, acaba quando vai começar… A vida real é muito diferente rsrs

Nossa, curioso você ter falado da parte do sexo, porque isso reflete muito como eu acho que as coisas são… As pessoas floreiam demais algo natural, e é claro que todo mundo tem suas inseguranças, mas sexo não precisa ser um “objetivo” na história, nem um conflito, pode ser algo normal q acontece as vezes na vida das pessoas haha

Sam: Eu tava pensando nisso que a coisa foi muito natural para a Juno, bem resolvida. Eu curti o quadrinho +18 com o casal do Vidas. Ficou lindão!

Mariana: Valeu *-*
O +18 tem uma história curiosa porque estava conversando com amigas minhas que não existia “pornô” pra mulheres, mas a gente nem estava falando de pornô, acho que faltou uma definição melhor pra isso que a gente estava querendo/buscando mas que justamente não existia!! (ou existia muito pouco, e era gringo) e então decidi fazer eu mesma esse tipo de história que gostaria de ver mais por aí!

Primeiro quadro da HQ +18

Primeiro quadro da HQ +18

Sam: Vi que teu projeto de TCC foi sobre o processo criativo do quadrinho, quais foram os pontos que não sabias sobre ele?

Mariana: As vezes a gente faz coisas sem pensar muito no porque delas ou nos seus sentido mais profundos, e durante a pesquisa pro TCC eu percebi coisas sobre o Vidas que não tinha sequer imaginado. Nas relações entre os personagens e principalmente no impacto que esta história como um todo teve tanto na minha vida profissional/acadêmica quanto na minha vida pessoal. Comecei o Vidas quando ainda era adolescente, e quando terminei já tinha passado pra vida adulta. E a minha história era sobre isso: amadurecimento. Eu não podia imaginar que tanta coisa mudaria nesse tempo, mas meus personagens cresceram comigo (ou seria o contrário??) talvez seja por isso que esta história é tão especial pra mim, e eu sou muito grata pela oportunidade de escrever um TCC sobre um trabalho tão pessoal e fazer meus 4 anos da faculdade serem tão significativos.

História paralela da personagem de Vidas Imperfeitas - Suzana

História paralela da personagem de Vidas Imperfeitas – Suzana

Sam: Eu li no teu blog que tens 5 projetos que estavas planejando fechar nesse ano… Como tá o encaminhamento deles? (Eu to doida pra ler o resto da história paralela da Suzana)

Mariana: Então, a edição extra da Suzana está pronto e vai ser lançado em algum momento ainda esse ano (eu espero!!) só estou esperando o feedback da editora mesmo. Fora isso, tem meu maior projeto que é um novo quadrinho, o Black Silence. É um sci-fi espacial, diferente de TU-DO que já fiz, mas tem sido um enorme desafio, e eu estou gostando mais do que esperava! percebi que você pode criar uma boa história, independente do gênero, e que você pode dar sua cara a ele. Infelizmente tive que colocar em quarentena os outros projetos, porque sou dessas que faz coisas demais ao mesmo tempo e acaba ficando meio pirada sem conseguir fazer nada direito, sabe?? haha Então preciso manter o foco, e o Black Silence está com previsão para ser lançado no FIQ (!!!). Ou seja, me desejem sorte, haha.

Sam: Eu achei linda as imagens que vi! Vai ser colorida?

Mariana: Inicialmente sim, até fiz alguns estudos de cores, mas acho que vai depender do andamento da história. Por mais que eu queira fazer algo especial para essa HQ, ainda produzo tudo sozinha e o tempo corre contra mim. Prefiro fazer um quadrinho bacana em preto e branco do que correr com a colorização e deixar tudo mais ou menos. Então, acho que só saberemos com certeza sobre isso daqui alguns meses. =X

Black Silence

Black Silence

Sam: Tuas referências pra essa HQ estão vindo de onde? Vi que uma delas passou pelo filme Interstellar.

Mariana: Usei de referência tudo que eu conheço sobre ficção científica. Desde Interstellar, até Blade Runner, passando por Prometheus, Solaris, Battlestar Galactica, e até mesmo Doctor Who. De mangá usei Gantz e Abara. Realmente não vou me lembrar de tudo que já vi/li principalmente porque tenho visto muita coisa pra história ultimamente, e devo dizer que meu interesse pelo tema aumentou por causa da HQ…

Sam: Vão ser quantas páginas?

Mariana: Vai ficar entre 60-70 páginas!

Sam: Tais perto do final?

Mariana: Na verdade não =X tenho 1/3 pronto. Mas tenho fé que vai dar tudo certo no final, haha.

Black Silence

Black Silence

Sam: O que te motivou a criar um canal no Youtube?

 Mariana: Sempre gostei de gravar vídeos, tinha uns da época da escola (que eram vergonha pura!!) mas decidi voltar por duas razões: (1) eu sempre gostei de ensinar, então fazia tutoriais através do meu blog e decidi passar pra vídeo porque era “mais fácil” e (2) as pessoas também começaram a me incentivar a postar com frequência, então eu me sentia mais motivada a continuar fazendo conteúdo e percebi também que estava fazendo uma diferença mesmo que pequena na vida de algumas pessoas com meus vídeos

Sam: Tens previsão de novos cursos?

Mariana: Sim, sim, tanto aqui em São Paulo quanto em outras cidades, como Curitiba e Rio de Janeiro. Mas fora os workshops de aquarela, também vou começar a dar aulas em cursos regulares de uma escola aqui em São Paulo!

Sam: E vais divulgar na tua página no facebook com as datas e tudo mais?

Mariana: Sim, assim que estiver tudo certo começarei a divulgar.

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2 comentários em “Entrevista Mariana Cagnin

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