Entrevista – Rafaella Ryon

O Lady’s Comics entrevista Rafaella Ryon, ilustradora e quadrinista de 27 anos nascida em Patos, na Paraíba. Rafaella trabalha com projetos independentes e com empresas, já ganhou uma menção honrosa no 3rd International Manga Award, e atualmente mora em Campina Grande, onde se formou no curso de Arte e Mídia. Descobrimos a Rafaella via Twitter (ô coisinha que só falta fazer milagre! rs) e ficamos encantadas coma sofisticação do seu trabalho.

“Trabalho no aconchego do lar ou em qualquer lugar que estiver.”

Lady’s Comics – Conte-nos um pouco da sua história. Quando surgiu a ideia de desenhar e fazer da arte sua profissão?

Acho que só o fato de que aos 11 anos eu continuei desenhando enquanto a maioria das crianças já tinha cessado o gosto por esse tipo de atividade, conta um bocado. Foi espontâneo, sempre gostei de desenho animado, quadrinhos, games, ilustrações no geral e queria transpor o que gostava para o papel, até que fui sentindo necessidade de ir evoluindo e em um ponto do caminho senti que poderia fazer do desenho uma profissão, mesmo que em paralelo a alguma outra atividade. Acabou que nunca houve paralelo, desenhar sempre esteve em primeiro plano, ainda bem.

Lady’s Comics – Você recebeu em 2009 uma menção honrosa no 3rd International Manga Award pelo quadrinho japonês “Pequena Loja dos Horrores”. Isso é muito bom! Conte-nos como foi a experiência.

Um amigo escreveu a “Pequena Loja” e me convidou para desenhá-la. Editou uma revista, independente, de mangá chamada Tokyoaki, eram 4 histórias no total, acho, todas com desenhistas distintos. Ele conhecia o Manga Award, eu nunca tinha ouvido falar. Ele então inscreveu a história e de repente surgiu a premiação, foi uma surpresa gigante.

Lady’s Comics – A arte seqüencial te atrai?

Muito! Acho mágico, oferece infinitas possibilidades visuais. E não há um ser que depois de ler o Understanding Comics de Scott McCloud não se sinta atraído (ou mais) por arte sequencial.

Lady’s Comics – Você tem algum mangaka favorito? Algum que te influenciou?

Ayami Kojima foi a artista japonesa que mais me influenciou, com toda certeza.

Lady’s Comics – Como surgiu a ideia de fazer ilustrações para livros de RPG e games? É raro ver uma garota fazendo esse tipo de ilustração.

RPG não é muito meu interesse, houve uma proposta de trabalho cujo tema principal era filme de terror adolescente nos anos 80, dentro de um projeto independente de publicações de RPG, daí meu interesse foi imediato. Depois disso participei de outro projeto do mesmo grupo. Sobre games eu realmente adoro, cresci com vários jogos que eu olhava e dizia “quero fazer isso!”. E tenho boa parte do meu foco voltado pra essa área hoje.

Lady’s Comics – É nítido que você passa por todas as áreas da banda desenhada. Você escolheu aprender todos os métodos ou foi algo que surgiu sem planejar?

Sem planejar, de repente há uma necessidade ou outra de estender técnica/estilo, vai tudo acontecendo naturalmente. Eu gosto de muitas coisas bem diferentes entre si, variadas, então até que ponto essas coisas influenciam meu trabalho eu vou descobrindo.

Lady’s Comics – Como funciona seu processo criativo?

Depende, se é um trabalho onde há um cliente ou se é totalmente independente de influência alheia. Nos trabalhos onde há um cliente geralmente recebo referências, encaixo no meu gosto/estilo dentro das guias estipuladas para o tipo de trabalho, executo alguns esboços até ambos (eu e cliente) ficarmos satisfeitos, depois finalizo e ponho as cores. A intensidade de cada etapa dependendo muito do prazo, claro. Já em um trabalho sem influência externa, autoral, há bem menos planejamento muitas vezes e muito mais espontaneidade, basicamente.

Lady’s Comics – Você coloca muitos textos em inglês no seu blog. Você costuma receber trabalhos de fora do País? Você acha que seu trabalho é mais valorizado lá fora? Se sim, por quê?

Não sei se é mais valorizado lá fora, mas o mundo é tão grande e, depois de começar a participar em comunidades na web como o deviantART e o Flickr, por exemplo, que há tanto retorno de todo tipo de criatura de qualquer parte do globo, eu senti necessidade de tentar deixar um ou outro texto em inglês, mas sempre utilizando o português. É só uma forma de mostrar que, mesmo que eu seja péssima em qualquer língua que não seja o português, não quero tecer barreiras linguísticas. Já houve momentos em que a maioria dos trabalhos realmente era de fora do país.

Lady’s Comics – Que material costuma usar para desenhar?

Ultimamente tenho feito tuuudo digital mas volta e meia corro para o tradicional. Quando tradicional, se for executado inteiramente com grafite, gosto de usar papel com textura, especialmente tipo vergé. Para arte-finalizar alguma caneta técnica descartável, (gosto muito da Mitsubishi Uni-Pin) e para cores lápis de cor e/ou aquarela.

Lady’s Comics – O que tem produzido atualmente?

Um pouco de quadrinhos, ilustrações para livros didáticos e arte para um projeto de game independente. Mas sempre uma ou outra ilustração avulsa muitas vezes escapa de outros trabalhos ou simples treino.

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4 comentários em “Entrevista – Rafaella Ryon

  1. incrivelmente! estou vendo o trabalho de várias mulheres no site e estou inpresionado.
    como diziam mestres do kendo: “ensinar uma mulher a manuziar uma espada é mais fácil que ensinar um homem”
    pois a delicadeza se torna a melhor arte…
    estou impresionado com o trbalho de cada uma delas.

  2. Pingback: Rafaella Ryon cria personagens transgêneros para games – AtoEscrito.com

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