Frida Khalo em quadrinhos


Lançado pela editora Nemo, o quadrinho sobre Frida Kahlo, que leva o nome da pintora mundialmente conhecida, fala um pouco de sua trajetória e cita grandes personalidades da política e das artes no período de 1936 a 1940. A história do quadrinho começa a partir do momento em que Diego Rivera (seu companheiro) busca asilo político para um dos líderes da revolução russa, Leon Trotsky.

Frida pintando seu pai. Foto: Gisèle Freund

Apesar do quadrinho trazer como título o nome da pintora mexicana, a personagem só “aparece” como artista a partir da página 47. Senti que a HQ se preocupa mais em contar quantos nomes conhecidos já transitaram de alguma maneira na vida de Frida do que narrar sua história: há mais sobre Trotsky do que Frida (talvez fosse essa a intenção de seus autores). O roteiro é do belga Jean-Luc Cornette e o desenho da artista belga Flore Balthazar.

Flore Balthazar e Jean-Luc Cornette. Foto : CL Detournay

Há muitas cenas com seus parceiros sexuais. Porém, o relacionamento guia da história está em seu envolvimento com Trotsky. Algo que dá a entender como um romance proibido, mas que achei, pelo quadrinho, que passa longe disso. Eu me canso um pouco de resumir a vida da Frida sempre a seus relacionamentos sexuais ou seus parceiros. Ela possuía uma liberdade que a permitiu se relacionar com homens e mulheres quando bem entendesse, e que deu a ela experiências que influenciaram em seu processo criativo.

Desenho de Frida de 1936. Ano em que é narrada a sua história na HQ.

Sinto falta de seu protagonismo para além disso. Saber mais sobre sua pintura, suas obras clássicas, suas convicções políticas, sua maneira de estar frente à época, a maneira que se vestia e vivia…enfim! Sobre sua vida interessante ao procurar alternativas para exercer o que mais gostava de fazer: pintar.


Não sei se os autores acharam que tudo isso já foi cumprido por parte da enorme quantidade de livros sobre a artista ou sobre o filme que foi feito. Mas acredito que nas histórias em quadrinhos poderiam ter explorado melhor a sua trajetória como artista. Nela eles contam resumidamente o seu início. Talvez deveriam ter experimentando mais as possibilidades, já que sua história nunca foi abordada nessa mídia.


Apesar disso, ponto para Nemo que vem apresentado história de mulheres fortes e que necessitam, de alguma maneira, serem lembradas.

Ao final da HQ, em forma de texto, foi contado o que aconteceu após 1940, dando um parecer sobre cada personagem em separado. Parecendo que leram meu pensamento, depois disso tem uma lista de onde podemos encontrar mais sobre a história da artista. Dando um alívio para quem ficou com um gostinho de “quero mais”.


Sua frase bem conhecida, “Para que preciso pés quando tenho asas para voar?”, vem escrita na capa e fecha a última página do quadrinho.

Frida Kahlo em Xochimilco, Cidade do México (1936). Foto: Fritz Henle

Frida virou um ícone (vemos seu retrato o tempo todo em vários produtos como roupas, acessórios, bolsas, travesseiros e muito mais), a grande artista e principalmente suas obras, precisam ser reconhecidas e apreciadas. A sua figura deve ser lembrada por sua liberdade criativa, sua independência, seu empoderamento e sua forte postura diante à vida.


SOBRE FRIDA indico:
“Siempre revolucionária nunca muerta, nunca inútil: a vida política de Frida Kahlo”
Site oficial: http://www.fkahlo.com/
Frida Kahlo: a dor da vida, a dor da arte
Tirinha sobre o “encontro” de uma menina como a Frida :)
Para adquirir o quadrinho.

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