Koko Be Good – Parte 1

“A beleza pode ser definida simplesmente como ‘aquilo que agrada’. Mas existe um outro aspecto na arte, que é o sublime. Assim como a nuvem de cogumelo da bomba atômica, ou a vastidão do espaço tal como é projetada para nós por satélite, a grandeza da experiência vai além de qualquer julgamento ético e estético, libertando você de sua ligação com seu próprio ego. Quanto menos há de seu ego, menos há de você, mais você vê o sublime.”

Koko Be Good, páginas 194 e 195

Capa original. O álbum foi lançado nesse mês de setembro, no Brasil, pela Editora Barba Negra.

Koko Be Good é a leitura  que eu recomendo para qualquer pessoa que, em algum momento da vida, tenha se perguntado como poderia fazer um pouco mais para o mundo.

Não fico satisfeita descrevendo tudo apenas como uma história em que dois personagens de perfis completamente diferentes (um cara todo certinho e uma garota de espírito rebelde) se conhecem e transformam a vida um do outro. A gente pode entender dessa forma também, mas o quadrinho traz surpresas que vão muito mais adiante. Mas muito mais, mesmo.

Inteiramente criada e desenhada pela americana Jen Wang, a história é uma reflexão sobre crescer, descobrir-se, encarar suas escolhas, definir seu futuro; um conto sobre a natureza das pessoas, seus diferentes pontos-de-vista e posturas diante dos desafios. Os encontros e as transformações que acontecem entre todos os personagens é muito sensível e Koko Be Good transborda de nuances.

Página da versão alternativa de quando Koko conhece Jon

Koko é uma garota leviana, elétrica, de olhos gigantes, expressivos e caóticos. Veste-se de um jeito maluco, não estuda, não tem um emprego fixo e mora no sótão da casa de um homem gentil, cujo rosto só é revelado num dos últimos capítulos. No meio desse seu turbilhão cotidiano e de todos os seus laços embaraçados com os outros personagens, Koko conhece Jon. E daí nasce o seu desejo de ser verdadeiramente boa.

Jon é um rapaz recém-formado que, antes de partir para o Peru — onde sua namorada pretende trabalhar como voluntária no orfanato em que sua mãe cresceu — precisa ajeitar algumas coisas. Apesar da aparência sempre tranquila, Jon ainda se sente inseguro com a mudança e alimenta uma certa urgência em realizar-se de alguma forma. Quando Koko e Jon se conhecem, os dois passam a questionar suas perspectivas individuais sobre a vida. Ela, cansada de saltar de uma encrenca para  a outra, apega-se à possibilidade de fazer o bem para o mundo. Ele… bom, não vou ficar aqui entregando a história toda de bandeja.

Escrevi este post para falar sobre Koko, mas é difícil pensar nela e esquecer Jon.  É engraçado como a gente lê o livro todo e sente que conhece tão bem os personagens, mas quando paramos pra pensar em tudo, a gente só realmente conhece um a partir do outro. Eu adoro Koko e Jon juntos. Seus encontros espontâneos, seus diálogos, a maneira como ela puxa ele para cima e para baixo… Adoro Koko e Jon no cinema, Koko e Jon no meio das pessoas do protesto, suas expressões, seus olhos e gestos e os pontos comuns que os dois identificam no meio de todas as suas diferenças. Os dois percebem o quanto o outro não se sente parte deste mundo. Adoro como a gente pode se enxergar em cada um deles a todo momento, mesmo que nenhum de nós esteja prestes a se mudar para o Peru, nem nada parecido.

O senso de humor inocente, o elenco de personagens secundários, os cenários bem representados (que tendem a ganhar contornos e ângulos mais exagerados quando Koko está sozinha em cena) e a narrativa engenhosa ganham um brilho maior a cada releitura.

É tanta coisa boa para comentar a respeito, que Koko Be Good vai render assunto ainda para um próximo post, aqui, no Lady’s. Não perca, Koko Be Good – Parte 2, sobre a autora Jen Wang, nas próximas semanas (com  uma surpresa pra vocês!).

Até lá, você encontra mais informações sobre o quadrinho, neste linkjenwang.net/koko-be-good (em inglês).

A versão alternativa de como Koko e Jon se conhecem está disponível para leitura, aqui: jenwang.net/art/comics/koko (também em inglês).

13 comentários em “Koko Be Good – Parte 1

  1. CARAMBA! Ce não imagina a necessidade incontrolável que seu post criou em mim de ler essa hq, os traços são lindos, e seus comentários só me deixaram mais ansioso.
    Fora que é justamente o tipo de história que to precisando ler nesse exato momento, sobre descobertas, decisões, futuro.. foi publicado no Brasil? Como eu consigo?

    Fantástico post Lu, parabéns!

  2. Primeira vez que acesso o site. Bom saber que o publico feminino está cada vez mais presente neste universo fantástico.

    Fiquei curioso com o quadrinho mencionado, parabéns pelo trabalho de vcs!
    Já curti aqui pelo Face do MOCHO.
    Abraço!

  3. caramba, esse ano sairam várias hqs que eu estava ansioso no aguardo. mas essa eu não conhecia, vi por aqui e fiquei mais curioso pra ler do que as outras. gosto muito quando acontece de descobrir uma hq nova, é sempre muito animador saber que tem tanta coisa legal pra conhecer.Obrigado Ladies! Os desenhos são mesmo incríveis. Vou ficar ainda mais pobre, mas tenho que comprar, fazer o quê…
    abraço!

  4. Pingback: Koko Be Good – não é fácil ser boazinha | Popeando

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