Luluzinha falava por si

Em 1935 nascia Mauricio de Sousa e morria Chiquinha Gonzaga. Na década de 1930, Getúlio Vargas comandava o país e a crise econômica se instaurou nos EUA. Época de base da insurreição comunista e mais, do direito do voto extensivo à mulher no Brasil. No Chile o Movimento Pró-Emancipação das Mulheres do Chile (MEMCH) é criado e nos Estados Unidos Benny Goodman e sua banda abriram categoricamente a Era do Swing. E foi em 1935 que surgia por Marjorie Henderson Buell, conhecida como Marge, a personagem Luluzinha (Little Lulu).

Marge foi a primeira mulher cartunista a alcançar fama mundial, e apesar de não fazer parte do movimento feminista a personagem Lulu nasceu com a nova geração de mulheres que nos anos 60 lutou pela libertação da mulher nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França e em inúmeros países ocidentais.

Conhecida no Brasil como Luluzinha, a primeira aparição da personagem foi na tira abaixo, onde a danada menina de olhos de botão e vestido vermelho atira uma casca de banana na igreja para que os noivos tropecem.

Primeira tira de Luluzinha no Jornal Saturday Evening Post em 1935

Ela foi também porta-voz da Kleenex, empresa de lenços de papel que ainda está no mercado. Traduzida para várias línguas no século XX todo seu arquivo foi colocado pelos filhos de Marge, Lawrence Buell e Fred Buell, na a Biblioteca Schlesinger, da Universidade Harvard.

Outdoor da propaganda da Kleenex com Luluzinha e bolinha

A mãe de Marge era uma cartunista amadora, e seu pai, um advogado que adorava contar histórias para ela e suas duas irmãs. Com oito anos de idade, Buell vendia desenhos para seus amigos. Em 1929 ela publicava duas tiras, The BoyFriend” e “Dashing Dot”, no jornal Saturday Evening Post, mas foi a Little Lulu que trouxe reconhecimento a cartunista.

Ao longo dos anos, a popularidade de Lulu cresceu rapidamente. Após as tiras nos jornais a revistas em quadrinhos de tiragem mensal, uma série de desenhos animados feita pela Paramount levou Lulu para o cinema.

Assim como Betty Boop, em 1950 Buell estava presidindo um império de merchandising que inclui bonecos Little Lulu, lancheiras, lousa mágica, porta-moedas tudo com imagens da garota.Marge não tinha intenção de colocar temas feministas no cartoon. Ela preferiu deixar as ações do personagem falar por si.

Marge Buell imaginou em Little Lulu um papel diferente das meninas da época. Lulu era mal-humorada, mas não era violenta. Ela apenas achava que podia fazer igual e/ou melhor do que qualquer menino.

Em 1971, Buell resolveu vender os direitos de Little Lulu a Western Publishing. Depois se mudou para Oberlin, Ohio e se aposentou. A criadora de Lulu morreu em 30 de maio de 1993.

Apesar de não ter intenção nenhuma de retratar o movimento feminino, Lulu se tornou um nome de referência para as mulheres.

3 comentários em “Luluzinha falava por si

  1. O que é uma grande pena é que não temos publicações somente da fase de Marge.

    Seria interessante conseguir extrair o que a personagem originalmente era para a fórmula que veio a se tornar depois. Mais ou menos a mesma trajetória de Mauricio de Sousa que não poupou reproduções com a Mônica (mesmo figurino, princípio semelhante) e o Ce-Bolinha.

    Você saberia me dizer onde acesso às tiras?

    Abraços, Linck.

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