Morrer de amor e continuar vivendo

Projeto “Morrer de amor e continuar vivendo”, de Lorena Kaz, fala de dependência emocional por meio de ilustrações e quadrinhos

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Quem já morreu de amor? A frase, muitas vezes romantizadas nos poemas e filmes, esconde uma série de problemas que vem sofrido muitas mulheres e homens. Foi também muito citada recentemente em redes sociais, com vídeo da Jout Jout “Não tira o batom vermelho” e a hasthag que tomou conta do twitter nessa semana #érelacionamentoabusivoquando. Por meio dessas ações via internet, pessoas vêm denunciado e colocando em discussão uma dependência que é diferente da química, mas que é tão preocupante quanto: a dependência emocional. Após o movimento #meuprimeiroassedio, na qual as meninas compartilhavam histórias de assédio que tinham sofrido, e a #eunaomerecoserestuprada, as mulheres têm exposto seus relacionamentos abusivos como uma forma de mostrar às outras como esse tipo de dependência pode acontecer.

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Uma das ideias de expor esse assunto partiu de uma ilustradora e quadrinista que, após passar por um relacionamento assim, criou o projeto “Morrer de amor e continuar vivendo”.

Lorena Kaz é carioca, tem 33 anos e vive em São Paulo há 2 anos e meio. Formou-se em design pela PUC-Rio e, depois de trabalhar com design de jóias e design gráfico, resolveu começar a ilustrar para o mercado editorial. No início ilustrou para a Folha de S.P., e muitas revistas da Abril. Depois passou a se dedicar apenas aos livros didáticos. No fim do ano passado, lançou seu primeiro livro autoral “Uma lhama no cinema” pela editora Conrad. O segundo, o quadrinho “Morrer de amor e continuar vivendo”, será lançado em outubro pela Companhia Editora Nacional.

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Além de lançamento do livro em quadrinhos, o projeto conta com exposição que começa amanhã (22/09) e vai até 22/10. Haverá também uma oficina chamada “expressando relacionamentos, roda de partilha e arte”, que será baseado nos grupos de anônimos onde as pessoas desabafam sobre seus relacionamentos sem ouvir conselhos. Tudo isso acontece no Centro Cultural Diadema / Teatro Clara Nunes, que fica situado à Rua Graciosa, 300, centro de Diadema/SP.

É sobre suas vivências e este último trabalho que falamos na entrevista a seguir.

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Você já faz quadrinhos há algum tempo. De onde veio a vontade de trabalhar com a nona arte? Onde mais já publicou?

Comecei por volta de 2003 a desenhar personagens autobiográficos e em 2004 ou 2005 a fazer quadrinhos e postar no blogspot. Depois de me formar morei em vários países diferentes e sentia necessidade de retratar algumas situações engraçadas que vivia. Sempre fui muito palhaça e queria fazer humor. Como era muito sarcástica e irônica, acho que os quadrinhos casavam bem com o meu estilo de contar histórias. Sempre fiz tirinhas de 3 quadros. Publiquei na Revista Pilotis (A Revista da PUC), zine PnoB, alguns números da Revista Subversos, Golden Shower, Revista Periquitas, Revista Inverna e vários outros zines que não estou lembrando. Também participei de umas 3 publicações coletivas na Sérvia (um dos países onde morei um tempinho).

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De onde surgiu a ideia do projeto Morrer de Amor? O que a impulsionou a publicar na internet?

A maioria destas tirinhas que eu fazia eram histórias autobiográficas de amor. Relacionamentos afetivos e sentimento de inadequação ou revolta com pressões sociais sempre foram meus temas preferidos. Em 2013, motivada por um término muito difícil (de um relacionamento abusivo), comecei a desenhar historinhas de amor no formato de uma página inteira e em 2014, com cerca de 15 histórias feitas, resolvi fazer uma exposição deste material, a qual dei o nome de “Morrer de amor e continuar vivendo” (que tirei de uma frase do Mario Quintana) pois eram bem dramáticos e muitos falavam sobre a dor do término.

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Expus na Casa das Rosas em SP no fim de 2014 e no Salão de Humor de piracicaba em 2015. Também comecei a levar o material para editoras para ver se alguém comprava a ideia de livro. Publiquei alguns destes desenhos na minha página de trabalhos no facebook, mas não muitos pois o formato não pode ser bem visualizado no face, as letrinhas ficam muito pequenas.

Após o fatídico término, além dos quadrinhos “Morrer de amor” também comecei a estudar sobre auto ajuda, psicologia e comunicação não violenta para tentar me entender e também ajudar outras mulheres que sofriam como eu sofri com meu relacionamento abusivo.

Em 2015 fechei o contrato do livro com a Companhia Editora Nacional e quando acabei todos os desenhos do livro, resolvi criar uma página exclusiva do Projeto Morrer de Amor no face, unindo o estudo de psicologia e ilustrações. A página tem conselhos, relatos, explicações e muito material autoral. Também nesta página vou divulgar as oficinas de partilha de histórias de relacionamentos e expressão artística que estou criando.

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Como está sendo a recepção das pessoas sobre o projeto?

Estou muito impressionada com a receptividade da página. Apenas nesta página nova, obtive 25mil curtidas em pouco mais de um mês! Sem contar as curtidas na outra página do meu trabalho onde postava anteriormente e onde o material acabou ficando meio duplicado. Com tantas visualizações na página, comecei a receber muito contatos por inbox. Teve dia que recebi mais de 20 contatos diferentes de pessoas parabenizando a página ou pedindo conselhos. Recebo muitos relatos de histórias de amor e respondo a todos com atenção. Gosto de ajudar as pessoas em desespero, pois sinto que as entendo e ao mesmo tempo me sinto entendida. Também recebo muitos agradecimentos e isto realmente me faz sentir realizada. Em geral tento dar conselhos “não diretivos” falo coisas mais gerais como “tente pensar o que te faz sentir melhor” ou “comprometa-se com a sua felicidade”, “você não tem controle sobre a vida dos outros”. Não gosto de dizer “termine o namoro” ou “este relacionamento é abusivo” pois cada um aprende a seu tempo e quando está preparado. Parece que tudo está dando certo e me sinto muito feliz pois o meu sonho juvenil sempre foi escrever e ilustrar uma coluna de aconselhamento amoroso em uma revista como Capricho ou Atrevida e creio que o que estou fazendo hoje, com a falência dos impressos, é o mais próximo deste sonho que eu poderia chegar.

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Na página você utiliza depoimentos, notícias, dados e, claro, a imagem para passar a mensagem sobre o amor próprio e dependência emocional. Você acredita nas histórias em quadrinhos como um meio em potencial para difundir essas ideias?

As histórias em quadrinhos são um meio eficaz para passar praticamente qualquer tipo de informação pois torna tudo mais palatável. Especialmente quando o tema é complicado ou pesado, os quadrinhos tornam a informação mais acessível e muitas vezes mais leve. A verdade é que as pessoas tem muito mais boa vontade para ler um quadrinho do que um texto corrido com a mesma quantidade de informação. Os quadrinhos do livro são mais subjetivos e oníricos. Tem alguns bem surreais e eles não tem uma interpretação “certa” ou “errada”. No geral são apenas imagens que retratam a vida ou situações de relacionamentos para fazer o leitor pensar.

As imagens sobre dependência emocional e relacionamentos abusivos que estou criando para a página são muito mais informativas e diretas, mas não são bem quadrinhos. Estão mais para ilustrações.

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Vi que vai lançar o livro sobre o projeto e fará oficinas. Nos conte mais sobre como vai ser, onde comprar… :)

O livro já está na gráfica e deve ser lançado em outubro. Manterei todos informados sobre lançamentos na página. A distribuição deve ser boa pois a editora é muito grande e antiga e coloca o livro em todas as grandes livrarias.

A oficina se chama “expressando relacionamentos, roda de partilha e arte” e será baseado nos grupos de anônimos onde as pessoas desabafam sobre seus relacionamentos sem ouvir conselhos. É uma espécie de terapia em grupo, mas neste caso, também interpretaremos alguns dos meus quadrinhos e cada moça (a oficina é só para mulheres) poderá se expressar por meio de desenho ou quadrinhos.

A primeira oficina oficial acontecerá durante a feira do livro de Diadema, dia 22/09 às 15h30min no Centro Cultural Diadema/Teatro Clara Nunes, que fica situado à Rua Graciosa, 300, centro de Diadema/SP.

Também do dia 22/09 a 22/10 estará aberta ao público a exposição dos quadrinhos “Morrer de amor e continuar vivendo”t; no mesmo espaço cultural!

 

Onde podemos achar o trabalho da Lorena!

Site: www.lorenakaz.com
Alguns quadrinhos do livro e da exposição você encontra aqui!
A página do facebook do projeto “Morrer de amor”
Um video onde a autora explica um pouquinho do projeto.
A página do facebook do projeto “Uma lhama por dia”

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No projeto a Lorena deixa também locais de atendimento psicológico gratuito no Rio de Janeiro:

Divisão de Psicologia Aplicada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Avenida Pasteur, 250 – Pavilhão Nilton Campos, Praia Vermelha
22290-240 – Rio de Janeiro – RJ
Tel.: 21-295-3208
E-mail: emrp@rio.matrix.com.br
Especialidade: Centros de tratamento do transtorno do pânico
http://www.psicologia.ufrj.br/

Grupo Arco-Íris
Psicologia. Agendar uma entrevista inicial pelo telefone 21-2552-5995, de segunda à sexta-feira, a partir das 11h. O atendimento acontece as segundas, quartas e sextas-feiras, das 14h às 20h.
http://mixbrasil.uol.com.br/id/psi/rio/rio.shtm

Pontifícia Universidade Católica – RJ
Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea
22453-900 – Rio de Janeiro – RJ
Tel.: 21-3114-1001 / 21-021-529-93
E-mail: webmaste@rdc.puc-rio.br
http://www.puc-rio.br/

Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Rio de Janeiro – RJ
Tel.: 21-295-3499
E-mail: sr5@acd.ufrj.br
Especialidade: Centros de tratamento do transtorno do pânico
http://acd.ufrj.br/ipub/assistencia/assistencia.htm

UNIPSICO
Av. Nossa Senhora de Copacabana, 195 s/916, Copacabana
22020-002 – Rio de Janeiro – RJ
Tel.: 21-2543-0111 / 21-2244-3712
E-mail: unipsico@ism.com.br
http://www.psicopedagogia.com.br/clinicas/www.unipsico-rio.com.br

SPA Santa Úrsula
Rua Fernando Ferrari, 75, Prédio I, sala 412, Botafogo
22231-040 – Rio de Janeiro – RJ
Tel.: 21-2554-2500
Especialidade: Atendimento psicológico e psicoterápico a pessoas carentes, através de psicoterapia
http://www.psicopedagogia.com.br/clinicas/ www.usu.br/ipp/servicos/spa.htm

Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro
Rua David Campista, 170, Botafogo
22261-010 – Rio de Janeiro – RJ
Tel.: 21-2286-6922 / 21-2286-6812
E-mail: biblio@cprj.com.br
http://www.psicopedagogia.com.br/clinicas/ www.cprj.com.br

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