Nair de Teffé

A pedido da Luyse, artista e leitora deste humilde blog =) Aqui vai um post sobre Nair de Teffé.

Nair de Teffé foi a primeira caricaturista mulher do mundo. Ela nasceu em 10 de junho de 1886, no Rio de Janeiro. Foi também a primeira-dama do Brasil de 1913 a 1914.

Morou na Europa quando era criança. Em 1905 seu pai voltou a residir no Brasil, mais especificadamente em Petrópolis. Nair começou a fazer caricaturas com nove anos de idade . Mas foi na revista “Fon-Fon”, idealizado pelo escritor e crítico de arte Gonzaga Duque, que ela começou a caricaturar profissionalmente. Seus trabalhos eram assinados com o pseudônimo de Rian (Nair de trás para frente). A revista tinha como o enfoque as ilustrações, tendo a colaboração do pintor Di Cavalcanti em 1914, J. Carlos, Raul Pederneiras e K. Lixto. A revista tratava principalmente dos costumes e notícias do cotidiano e foi publicada até agosto de 1958.

Capa da Revista Fon-Fon

Na época, mulher não tinha privilégios, como o de freqüentar uma academia de artes com modelos masculinos nus ou seminus. Porém, o corpo feminino fora exposto à vontade nas caricaturas de Rian, que tinha o dom de irritar alguns governantes (principais caricaturados) com seu pseudônimo que criava uma homofonia de  ” Rien ” ninguém em francês.

Devido ao sucesso de suas caricaturas, jornais (A Careta, O Malho, e Gazeta de Notícias) e revistas (inclusive as francesas Fantasie, Femina, Excelsior e Le Rire) começam a publicar seu trabalho.

Porém deixa de exercer sua carreira como caricaturista em 8 de dezembro de 1913, ao casar-se com o futuro presidente da República, o Marechal Hermes da Fonseca. Ela tinha 27 anos e ele, 58.

Nair então fazia outras coisas de seu agrado como os saraus e recitais. Em um desses recitais em 1914, no Palácio do Catete, ela lançou Corta Jaca, um maxixe composto por Chiquinha Gonzaga, sua amiga e que assim como ela pertencia a um mundo – dos músicos populares – majoritariamente masculino. No dia seguinte foram ouvidas críticas ao governo e comentários sobre a promoção e divulgação de músicas populares.

Logo após o término do mandato presidencial, Nair mudou-se novamente para a Europa. Voltou para o Brasil por volta de 1921 e participou da Semana de Arte Moderna.

Em 1922, envolvido na Revolta do Forte de Copacabana, seu marido foi preso a mando do presidente Epitácio Pessoa. Hermes da Fonseca morreu poucos meses depois de deixar a prisão. Deprimida com a morte do marido, Nair só retomou suas caricaturas em 1926. Nessa mesma época, adotou três crianças – Carmem, Tânia e Paulo. Ativa, escreveu o livro “A verdade sobre a Revolução de 22” lançado no dia 27 de fevereiro de 1975, aos 88 anos. Morreu aos 95 em 09 de junho de 1981.

Capa do Livro " A verdade sobre a Revolução de 22"

Na mesma revista que Nair começou (Fon-Fon), Fiorelli escrevia para a coluna denominada “Esbocetos”, em que retratava perfis das personalidades notáveis da vida social carioca. Sobre Nair ele disse:

“Miúda, miudinha, mimosa, frágil, delicada, uma figurinha de biscuit, digna de luxuosa etagére envidraçada e de pelúcia forrada. Uma tetéia, um fetiche, que compensa a exiguidade corporal por uma exuberância de vida e de graça. Fala com calor, sibilando muito levemente as palavras, num arroubo constante, das suas predileções. Pontua as frases lapidadas na sua excelente cultura intelectual. Adora a música, o teatro, a agitada existência mundana e o… Fon-Fon! É uma amadora muito disputada, e em quase todos os programas de festas de beneficência, no Rio e em Petrópolis, aparece o seu nome gentil e mingnon como a sua possuidora, curtinho, pequenino, leve como uma mariposa, melodioso como um gorjeio”.

Em homenagem a Nair de Teffé foi inaugurado, em junho de 1982, o Centro Artístico Rian. A partir da iniciativa de Jal e Gualberto, entre outros, o objetivo do Centro era “dar apoio legal, jurídico e operacional na luta pela valorização do artista gráfico”. Porém, por falta de investimento do governo, o Centro Artístico Rian se manteve com recursos próprios até ser fechado em junho de 1983.

– vale ler também o texto no site do Instituto Histórico de Petrópolis

Imagens do Rio de Janeiro nos séculos XIX e XX com músia Corta Jaca de Chiquinha Gonzaga

Algumas das caricaturas feitas por Nair – essas caricaturas e outras podem ser vistas também no site do Museu Histórico Nacional

[nggallery id=1]

4 comentários em “Nair de Teffé

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *