Nossos 30 minutos de felicidade

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Coreanos adoram histórias bem trágicas. Só ver os filmes e séries que produzem. Eles basicamente acabam com teu coração. Tu te afeiçoas com os personagens e, no final, levas uma facada com o desfecho. A adaptação do romance de Gong Ji-Young para mangá, Watashitachi no Shiawase na Jikan (nome japonês),  é uma dessas histórias orientais dramáticas. Pode parecer clichê, mas o quadrinho não só conseguiu me deixar triste, mas levar para uma realidade que preferia esquecer que existe. Acredito que foi por isso que gostei do enredo: ele trouxe uma nova temática que até então eu não tinha visto nos mangás.

Primeiro encontro entre Juri e Yuu

Primeiro encontro de Juri e Yuu

Depois da terceira tentativa de suicídio, a ex-pianista Juri “escolheu” acompanhar a tia freira nas visitas ao presídio ao invés de ficar internada em um hospital psiquiátrico por um mês. Na primeira visita, ela conhece o presidiário do corredor da morte, Yuu, que ignora todas as tentativas de aproximação da irmã. Só Juri consegue de fato se aproximar e se encontrar com ele, todas as quintas-feiras, por 30 minutos. Em cada meia hora e semana que passa, eles se tornaram próximos e criam laços de confiança, o que muda as perspectivas de vida, principalmente em relação a tentativa de se matar, e passam a desejar viver desesperadamente.

O mangá não trata de dar valor à vida, mas como ela é resgatada nesses encontros. O passado dos personagens é crucial para entender o que se tornaram quando adultos. É visível que os problemas que tiveram na infância e na adolescência transformaram as vidas dos dois. Viveram numa realidade muito cruel para alguém tão novo saber lidar com aquilo que nem os adultos saberiam. Adultos (leia-se pais, parentes, professores e amigos) que deveriam os proteger e amar, são os que mais lhes machucaram. A consequência disso para Yuu e Juri, foi a falta de entendimento do que eles representavam para o mundo em que estão inseridos. Não encontrando um sentido, a morte seria a solução mais clara para eles.watashitachi_no_shiawase_na_jikan

As opiniões que ouvimos frequentemente tanto sobre casos de suicídio quanto sobre presidiários são desconstruídas. Essa perspectiva mostra que as coisas são mais complexas do que pensamos.

Mesmo que os capítulos sejam corridos no mangá, dá para entender os pontos chave dos encontros. A indiferença, a comparação, a identificação, a dúvida, a estima, a transformação e o medo são sentimentos que mudavam a cada quinta-feira.

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Acho interessante que apesar de ter uma freira na história, tia de Juri, “deus” não tem tanta importância ali. Existe uma descrença em relação as pessoas que estão envolvidas com a igreja. Até a figura da irmã é questionada. O mangá não tenta passar a ideia de que a fé cristã muda as pessoas, e sim como somos mudados por quem está ao nosso lado.

Eu tenho algo que eu não quero perder…

Capa

Watashi-tachi no Shiawase na Jikan

Autoras – Mangaká: Sumomo Yumeka | História original: Gong Ji-Young

Volume: 1 | Capítulos: 8 | 2007

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