O que vi na Gibicon!

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Essa foi a primeira participação do Lady’s Comics no evento que deixou de ser chamado de Gibicon para virar Bienal de Quadrinhos de Curitiba. De 8 a 11 de setembro, o Museu Municipal de Arte – MUMA recebeu um dos grandes eventos de quadrinhos do Brasil e demonstrou que, mesmo diante das dificuldades, o evento não deixaria de trazer grandes atrações e ter diversidade em sua programação.

O local que mais pude frequentar foi a feira de quadrinhos, já que participamos com a venda da Revista Risca!. Com enorme variedade de artistas e de mesas, a feira se concentrou em dois andares do local, tendo de histórias em quadrinhos e livros infantis a vestuário e papelaria. Já os estandes ficaram do lado de fora em uma tenda aonde aconteceram algumas sessões de autógrafos, shows e palestras.

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Na parte de cima do museu havia um espaço de leitura e, ao lado, um espaço para artistas desenharem. Nesse mesmo local, aconteciam as ações do Gibikids. Aliás, boa proposta para os eventos de quadrinhos, já que os pais estão frequentemente com crianças nesses eventos. Pecou apenas na falta de fraldário. Cheguei a ver uma mãe tendo de trocar seu bebê em cima do vaso de um dos banheiros. Pelo menos eram limpos! Rs Nisso a produção foi impecável. Na verdade a produção está de parabéns. Tudo foi bem organizado, local bem sinalizado, espaço pensado ao acesso à cadeirantes e pessoal sempre de prontidão para nos ajudar. Havia até mesmo uma banquinha só para as informações do evento.

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Mesa “Narrativas Negras nos Quadrinhos”. Mediação de André Toral e participação de Alexandre de Maio, Marcelo D’Salete, Sirlene Barbora e João Pinheiro.

Com cerca de 140 convidados nacionais e internacionais, o evento trouxe uma programação intensa que foi dividida em 3 espaços com mesas que começavam às 11h e acabavam às 20h. Infelizmente não pude assistir a muitas, mas as que vi e participei foram muito bem pensadas e traziam temas muito pertinentes aos quadrinhos. Com uma proposta de falar de quadrinhos por meio de uma visão social, crítica e transformadora, gostei das abordagens quanto às questões de gênero, política, inclusão e com foco na produção latino-americana. Os curadores fizeram ótimas escolhas.

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Mesa “Quadrinhos e Feminismo”

Pudemos ver grandes nomes de peso, como Power Paola, ao lado de novos autores brasileiros. Além disso, foi dada atenção ao registro ao trazer veteranos como Jaguar. Os projetos incluídos na programação (como Leia Mulheres, Bienal Publica, Croquis Urbanos e FLUPP – Festa Literária das Periferias) mostraram como o evento tem abraçado as demais expressões artísticas e ampliado seu público.

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Edição do “Leia Mulheres” com o quadrinho Vírus Tropical de Paola Gavira (Power Paola)

A Bienal também contou com oficinas, exposições, apresentações musicais, mostra de cinema e duelo de quadrinhos. Muita coisa para apenas três dias! No próximo, que acontecerá daqui há dois anos, é bom ficar atento e se programar para não perder nenhum detalhe.

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Arte de Sirlanney (Magra de Ruim)

Dentro da programação, o Lady’s Comics participou, além de mesas, da “Expostas” – uma exposição com a participação de Bianca Pinheiro, Samanta Flôor, Mazô, Estelle, Sirlanney, Lovelove6, Puiupo, Pryscila Vieira, Melissa Garabelli e Maria Clara Carneiro.

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Com experimentações intermidiáticas, as autoras citadas apresentaram textos, video-arte, gifs, quadrinhos, ilustrações, pinturas e fotografias a partir de suas visões sobre a mulher, sobre o mundo e questões que se passam em seus universos particulares. Se quiser assisti ao nosso vídeo participante, clique aqui.

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Um destaque da exposição foi o painel apresentado pela quadrinista lovelove6 que, com os dizeres “Colora com os dedos”, deixou disponível ao público uma maquiagem com uma paleta variada ao lado de 16 desenhos de diferentes vaginas.

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Uma alusão à temática da masturbação feminina, abordado em seu quadrinho “Garota Siririca”, lovelove6 nos convida a “tocar as vaginas” e nos possibilita repensar a forma com que lidamos com nosso corpo. Alguns envergonhados, outros atentos, e até mesmo os inconformados, o público foi pouco a pouco colorindo os desenhos, que algumas vezes foi associado às crianças mais curiosas como “flores” e “corações”. Minha filha de 4 anos foi questionada sobre o que era aquilo que ela coloria. “Uma pepeka, ué”. Repreendida em seguida por sua roupa cheia de maquiagem ela disse: “Artista é assim mesmo”.

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Ponto para as artistas e para a Bienal ;)

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