Quadrinhos que não entendo

As vezes queria muito que tivesse mais pessoas traduzindo quadrinhos em geral (fansubs), assim como temos milhares de sites de mangás, em que os fãs se dispõem a scanear, limpar, traduzir, revisar, postar na internet, fazer manutenção da página e gastar dinheiro para manter o acervo em algum servidor. Tudo isso porque milhares de títulos não são traduzidos para português e raramente são licenciados por aqui. Existe um forte empenho, um certo carinho e animação para esse trabalho coletivo funcionar. É de se admirar a iniciativa por trazerem títulos de todos os tipos, uma vez que as editoras/quadrinistas não os torna acessível ao disponibilizar para venda o formato digital.

Tem algumas quadrinistas que queria que tivessem hqs traduzidas para português, espanhol ou inglês, mas, diferente do que acontece com os mangás, não há quem possa trazê-los em formato digital, já que não parecem muito conhecidas no meio ou existe uma descrença com o suporte digital por parte das autoras e editoras. Fico, logo, só na função de admirar o desenho, imaginando do que se trata o conteúdo.

Trago aqui as três que acompanho o trabalho, mesmo não entendendo (quase) nada.

1. Little Thunder – Hong Kong, China

KYLOOE – Imagem: Little Thunder


Conheci o trabalho dela no meio de 2011. Não sei ao certo como cheguei no site. Estava lá, no flickr, com inúmeras páginas de quadrinhos de conteúdo incerto, algumas delas já foram retiradas do ar. Odiei minha ignorância em não saber chinês e me apaixonei pelas cores, traços e as imagens que vi. Tentei uma entrevista para entender mais sobre seu trabalho, mas só tive o retorno breve se dispondo a responder e falando que conhecia o Lady’s Comics, para a minha surpresa. O contato se perdeu. O quadrinho KYLOOE possui em francês e italiano.

Neste ano ela está reproduzindo cenas de filmes para quadrinhos, o que diminuiu a barreira do idioma. É lindo demais. Adorei o Lady Vingança (esq.)

2. Anna Haifisch – Leipzig, Alemanha

Quando soube que alguém podia trazer quadrinhos da Alemanha para mim, busquei mulheres que produziam lá. Uma delas era Anna, com histórias envolvendo animais e alguns deles com semblantes de loucos – me fez lembrar do Gato Felix em algumas imagens. As expressões, as situações absurdas dos personagens me chamaram a atenção. Meu desânimo em ter uma HQ que não entendia nada me fez priorizar outros que conseguia entender por completo.

Fonte: Anna Haifisch


3. Anna Deflorian – Trento, Itália

HQ: Disko Universo – Ten steps until nothing

Ela possui um traço tosco e uma paleta de cor interessante nas ilustrações e nos quadrinhos. Um pouco diferente das de cima, ela tem uma história com tradução em inglês, abaixo dos quadros. Outro problema é que mesmo vendo na internet o trabalho, apenas consigo ter acesso a algumas páginas dos comics já publicados.

HQ: Typerä / Kuti 21

Fica aqui minha sugestão, quanto leitora, para os quadrinistas: façam versões digitais, tentem traduzir seus quadrinhos para inglês e dispor para venda facilmente na internet. Pensem nas pessoas que moram num quarto, que têm pouco recurso para pagar “livro+frete”, que têm uma estante lotada de coisas e não têm mais espaço para dividir com os livros. O HD do seu leitor pode ter muito espaço, assim como a nuvem. Pensem na acessibilidade do teu quadrinho, para além das fronteiras físicas e de línguas.

E você? Já teve um quadrinho que nunca entendeu?

 

 

10 comentários em “Quadrinhos que não entendo

  1. Fico muito feliz com uma iniciativa dessas. Por aqui no Rio praticamente só conheço garotos que gostam de quadrinhos. É foda porque, mesmo que eu goste deles, não deixo de ser uma garota, com interesses, sentimentos e tudo mais que às vezes os garotos não entendem. Curto muito o site porquê, mesmo não conhecendo vocês, sinto uma proximidade, não me sinto sozinha. Além disso, já passei por situações parecidas às desse artigo, por exemplo. Não exatamente pela barreira linguística, mas às vezes não entendi a história de uma hq, mas achei os desenhos tão bonitos e hipnóticos.. Tenho as 3 primeiras edições de Bambi do Atsuko Kaneko e até hoje não entendi a história direito (não foi explicada até a 3 e nunca achei as outras edições). Mesmo assim, adoro ficar olhando, folheando…

  2. Tenho algumas dezenas de mangas em japonês, que nunca consegui ler, mas folheei a todos até o fim.
    Quando comprei, planejava estudar japonês. Vinte anos, um casamento e dois filhos depois, confesso que o japonês ficou sem nenhuma prioridade. Alguns dos mangas foram até lançados em português no Brasil, o que aliviou um pouco a decepção de não poder lê-los.

    • Sempre quis mangás em japonês, Mauricio. São lindos, mesmo incompreensíveis, porque a própria escrita é bonita também. A HQ, nesse caso, fica com a função de enfeite da estante ou de referência.

  3. Uns dois anos atrás fui pra Europa turistar e voltei com alguns quadrinhos franceses e italianos. Até tentei entender um pouco com a ajuda do tradutor do google hahah É engraçado, porque eu realmente gostei muito do traço e pra todo mundo que eu mostro eu falo “olha isso que demais. só não sei o que está escrito” hahahah

  4. Realmente eu cresci nesse mundo e falo que os mangas japoneses fizeram muito mais meu carácter que a própria escola >.< viajo nas histórias e adoro os desenhos e seus traços que ganham vida com cores hipnotizantes XD. Vi uma vez uma HQ em francês não entendi nada, mas o desenho ganhou minha atenção tanto pelos traços quanto pelas cores. ^~

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