Resenha – Beco do Rosário

Quantas cidades cabem dentro de uma? Desta em que você está agora? Quais becos e ruas deram lugar aos que existem hoje? Quem andava por eles?

Os vários becos apagados pela onda modernista e progressista da Porto Alegre do início do século XX são representados por um só: o Beco do Rosário. Na HQ de mesmo nome, Ana Luiza Koehler trata desse momento e vai além. Visualiza nas imagens, documentos e mapas da sua extensa pesquisa (realizada durante a escrita de sua dissertação[i]) possíveis personagens cujas vidas afetadas por essas mudanças. Tal esforço foi recompensado este ano com duas vitórias no Troféu Hqmix. A primeira na categoria Publicação Independente de Autor pelo Vol. 1 do Beco do Rosário e a segunda na categoria Exposição, com a Exposição Beco do Rosário realizada pela Galeria Hipotética em Porto Alegre no ano passado.

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Ana Luiza Koehler na abertura da Exposição Beco do Rosário. Fonte: Galeria Hipotética

Como seu preview – lançado no FIQ-BH de 2013 – já antecipava, a arte de Beco do Rosário é lindíssima. A pintura em aquarela de Ana Luiza Koehler é impecável, os cenários são bem construídos e as personagens são variadas e expressivas. As cores escolhidas combinam e reforçam o tom documental do quadrinho, pois as imagens são resultados de um estudo profundo de referências da época retratada. A primeira edição recebe o selo do Estúdio Complementares que, além de Ana, conta também com Ariane Rauber, Cris Peter e Ursula Dorada.

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Capas do preview e do Vol. 1 de Beco do Rosário. Fonte: Beco do Rosário

Neste primeiro volume de Beco do Rosário Vol. 1 o leitor é situado no ambiente histórico e conhece seus três personagens principais: Vitória Azambuja e os irmãos Frederica e Teo Waldoff. A partir de suas vivências  a história se desenrola. E seus dramas, de uma forma ou de outra, estão conectados entre si com as transformações que irão ocorrer. Neste início Vitória ganha mais destaque que os demais personagens, talvez por sua ligação direta com o Beco já que lá é seu lar e de sua família. É difícil não desenvolver uma imediata empatia por ela, pois é uma personagem complexa cujos desafios durante a trama não serão poucos. De certa forma ela representará e dará voz aqueles mais afetados pelas mudanças na cidade e que, nos registros históricos, foram apagados e esquecidos, assim como os antigos becos.

Nas redes sociais da HQ e da autora é possível acompanhar os estudos constantes dos personagens, figurinos, objetos e cenários para este e o próximo volume de Beco do Rosário.

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Estudos de cor para o Vol. 1 de Beco do Rosário. Fonte: Twitter da HQ

Para quem quiser se aprofundar na pesquisa histórica realizada por Ana Luiza na sua dissertação “Retraçando os becos de Porto Alegre: visualizando a cidade invisível”, clique aqui.

Há também um artigo escrito por Ana e Valéria Aydos:Beco do Rosário: espaço e sociabilidades em um beco da antiga Porto Alegre” pela revista Iluminuras, que contém a continuação da história do preview lançado em 2013. Clique aqui para lê-lo.

Links:

Beco do Rosário: Site | Facebook | Twitter

Ana Luiza Koehler: Site | Twitter | Estúdio Complementares


[i] “Retraçando os becos de Porto Alegre : visualizando a cidade invisível”, orientação de  Daniela Marzola Fialho, 2015, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 

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