Sons e movimentos de Lili Carré

A PRIMEIRA IMPRESSÃO

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Lili Carré sempre me chamou atenção pela habilidade de produzir inúmeros produtos vinculados a arte, desde animação, passando pelos quadrinhos, ilustração e até esculturas. Tinha a impressão de que como alguns trabalhos dela são experimentais, os quadrinhos teriam a mesma marca embutida. Sem acesso à HQ naquela época (2 anos atrás), só fiquei na expectativa de ler algum comic, até conseguir The Lagoon.

THE LAGOON

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Tive a sorte (ou coincidência, ou destino…) de encontrar o The Lagoon no FIQ de 2013. A história mostra como cada membro de uma família reage com o som produzido por uma sereia. Uma música sedutora cantada a noite por uma criatura estranha que perambula e assombra por perto do rio onde mora.

PageImage-508251-3325096-lagoonweb1De maneira alguma me decepcionou na impressão inicial que eu tinha sobre o trabalho de Carré. Ela me satisfez em termos de qualidade do acabamento do editorial e na forma como a imagem e a tipografia conversam com as páginas e quadros que construíam uma linguagem gráfica e sequencial muito bem definidas e planejadas. A leitura se tornou instigante com um clima de assombração que a história conta.

Os ritmos sonoros produzidos pelos objetos e por outras criaturas, fazem com que Lili brinque com eles à medida que os quadros se passam. Como uma animação, pode-se perceber a câmera que acompanha o tempo e espaço que os sons levam até o destino. É como os quadrinhos do post Mais que mil palavras. É uma construção que parece ser simples, mas que amplia a interação, a percepção e a curiosidade do leitor ao ler cada quadro. Particularmente, acredito que essas decisões feitas no The Lagoon potencializaram mais a história.

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Outra coisa pequena, mas que achei interessante, é como os balões interagem de acordo com as falas. Do que eu li até agora de quadrinhos, acho que apenas Asterios Polyp conseguiu me ater às possibilidades que o balão pode ter. Consegue transforma-lo num elemento gráfico que também comunica conforme é desenhado na cena: não é apenas um suporte básico para a fala. Obviamente não do mesmo jeito que David Mazzucchelli faz, mas Carré tem sua forma de trabalhar com os balões, desde a sobreposição das falas até a conexão dos quadros feita pela fala do mesmo personagem. Isso não é constante, mas existe a intenção de parecer uma conversa real, como se tivesse áudio, que tem alguém que corta a fala do outro ou alguém que grita ao fundo.

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LILI ESMÉ CARRÉ

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Mora em Chicago, é ilustradora e artista. É co-fundadora do Eyeworks Festival of Experimental Animation e participa de inúmeros festivais de animações. Seus trabalhos já lhe renderam uma exposição solo no Museum of Contemporary Art Chicago que fica até esse mês.

Desenho, escultura e vídeos produzidos pela artista que falam mais sobre o trabalho produzido:

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Photo: Nathan Keay, © MCA Installation view, BMO Harris Bank Chicago Works: Lilli Carré, MCA Chicago

Links para mais informações ou para dar follow: Site | Blog | Vimeo

The Lagoon: Editora: Fantagraphics books, 2008 | 80 páginas.

[As imagens foram retiradas do site da autora]

3 comentários em “Sons e movimentos de Lili Carré

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