Studio Seasons

O Lady’s Comics recebeu o e-mail de Monique indicando o Studio Seasons – formado por Montserrat, Simone e Sylvia – para entrevistar. Quando fui conhecer mais o trabalho dessas três mulheres eu fiquei de boca aberta. A qualidade do material que produzem é incrível – o estilo manga é muito bem feito.

Bem, sem enrolar aqui segue a entrevista com o Studio Seasons.

Montserrat, Simone e Sylvia

O Studio Seasons começou há 15 anos e o mais interessante que Montserrat, Simone e Sylvia moram em cidades diferentes. O contato, sem a ajuda da internet, para conversar sobre projetos eram feitos por cartas e se reuniam a cada três meses. Mas isso mudou muito, o Studio conta que agora é tudo pela internet e ainda se reúnem pelo menos duas vezes ao ano.

Antes de o grupo existir, como foi a aproximação de cada uma com o estilo mangá? Houve alguma influencia de história, anime?

Montserrat: Bom, quando eu era pequena eu via “A Princesa e o Cavaleiro” e “Fantomas” , mas naquela época ninguém nem se tocava que aquilo era japonês. Rsrsrs. Minha aproximação foi pela estética do mangá. Eu já escrevia contos e livros experimentais e quando tive contato com a linguagem gráfica do mangá, lá por 1995, é que eu me interessei pelas possibilidades de contar histórias através daquela forma de narrativa.

Simone: Eu tive contato com anime aos cinco anos, vendo “Patrulha Estelar”. Quando vi aquilo pensei: “É isso que quero fazer!”. Mais tarde tive contato com os mangás Mai – A garota sensitiva e Akira. Num curso da Abrademi tive acesso à parte técnica, materiais e conheci muitas pessoas com o mesmo objetivo que eu, desenhar quadrinhos, incluindo aí minhas colegas e amigas, Montserrat e Sylvia.

Sylvia: Eu já gostava de anime e nem sabia que era! Cresci assistindo Speed Racer, Candy Candy, Kimba, Heidi, Dom Dracula e um que não lembro o nome original, mas que chegou aqui como O Gênio Maluco e mais tarde, Zillion, Detonator Organ e Shurato. Durante o tempo em que a TV não exibiu nenhum outro anime, fui passando por outros estilos de desenho sem me identificar realmente com eles. Comecei com estilo da Tina (turma da Mônica), fui para o estilo Disney, depois para o cartoon, depois para um mais europeu, para o comics e quando vi – por acaso – Cavaleiro do Zodíaco na TV, me encontrei! Decidi que era aquele estilo que eu queria pra mim e estou nisso até hoje! ^__^

Como surgiu a ideia de formar o grupo, foi por afinidade ao estilo mangá?

Foi por afinidade em diversas coisas que resolvemos nos juntar e fazer quadrinhos no estilo mangá. O interessante é que, naquela época, as pessoas mal sabiam o que era mangá, mas nós já sabíamos que o gênero faria sucesso porque no exterior já era muito popular pela sua universalidade de temas e variedade de traçados.

Nesses três últimos anos tivemos no Brasil um estouro de mangás, isso ajudou a divulgar mais o trabalho do grupo?

Isso foi importante para divulgar o estilo de quadrinhos e ajudou, mas o mercado também está se acostumando com a ideia de que podemos produzir algo aqui. Isso é muito importante. As pessoas estão sentindo falta de ver histórias feitas por brasileiros e é isso o  que mais abre o mercado para nós.

Como é a receptividade de fãs do estilo mangá? Há uma resistência por ser brasileiro ou não há muita diferença?

O leitor brasileiro é bem exigente e isso é uma coisa boa. Ele quer histórias boas e bem desenhadas. Se você lhe der um material que possa competir com o material importado ele o consumirá e, com a vantagem, de ter os artistas aqui perto. Manter o respeito entre o artista e o leitor é muito importante para conquistá-lo, também.

O grupo fez a adaptação de Helena, baseado na obra de Machado de Assis, o que é mais complicado nesse tipo projeto?

É adaptar a linguagem e transformar um texto que é relativamente parado em sequências dinâmicas. Você tem de mudar coisas de lugar, enxugar certas cenas, criar outras e dar vazão ao emocional para que exista um ritmo de ação sem perder de vista o conteúdo da obra. Encaixar tudo isso na dinâmica do mangá é um desafio interessante. A pesquisa também é trabalhosa. Não é muito fácil encontrar referências visuais para reconstruir o Rio de Janeiro de 1850.

O Seasons nos mandou uma página inédita de Helena! :D

Quais são as afinidades de estilos e histórias que vocês tem?

Trabalhamos muito histórias focadas em estilo shonen, shoujo, josei e seinen. Dentro disso qualquer gênero pode nos interessar se pudermos contar uma boa história, desde romance histórico até ficção científica. Só não trabalhamos yaoi, yuri ou hentai, especificamente.

Participam/ fazem workshop em eventos de animes?

Atualmente, só quando nos convidam e temos oportunidade de participar. Dificilmente promovemos workshops por conta própria, por causa do nosso tempo bem limitado, mas já fizemos bastante isso, há anos atrás. Hoje nós aparecemos mais para dar palestras ou lançar material como será feito no próximo Fest Comix, em outubro. Lá estaremos lançando Zucker, ficaremos por uma hora falando com o público sobre o trabalho e autografando o volume.

Onde podemos encontrar trabalhos publicados pelo Seasons?

Bom, em outubro estreia Zucker e o título vai para as bancas, primeiro de São Paulo e Rio e depois outras capitais. Nos próximos meses estaremos preparando mais material para que no ano que vem ocorram outras estreias. Além disso, Sylvia está publicando Mitsar na revista Neo Tokyo, em capítulos mensais. A história já é uma prévia das aventuras de Sete Dias em Alesh, uma série maior que estamos produzindo.


Não deixem de acompanhar os trabalhos delas! Recomendo demais.

Para mais detalhes sobre o Studio Seasons: http://www.studio.seasons.nom.br/ ( com layout novo, tendo como tema a série Zucker que estreia em outubro! )

Quer fazer mais perguntas? http://www.formspring.me/studioseasons

5 comentários em “Studio Seasons

  1. Em 1º lugar, acabei de descobrir esse blog e achei incrivel! Meu era isso realmente que eu precisava rs…
    Parabens pelo blogo e essa entrevista esta ótima. Já conhecia os trabalhos desas meninas, estão de parabens!

    • Muito obrigada Cristina e Chairim.
      Eu só as conheci a pouco tempo mesmo… sinto vergonha em dizer isso xD
      Adorei entrevistá-las, pena que não dá pra fazer pessoalmente!

  2. Pingback: Pré-Indicação ao HQMIX | Lady's Comics

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