Thor, a deusa do trovão

Capa da primeira edição de Novíssimos Vingadores

Capa da primeira edição de Novíssimos Vingadores

Foi lançada no Brasil, em janeiro de 2016, pela editora Panini, a revista Novíssimos Vingadores, que traz histórias recentes dos personagens Thor, Capitão América e Homem de Ferro. A primeira história da revista se chama Se for digno e mostra paralelamente as dificuldades enfrentadas pelos seres humanos em Midgard (ou Terra, para as mais íntimas) ao se confrontarem com os gigantes de gelo e as agruras de Thor em meio aos asgardianos, imobilizado por não conseguir mais empunhar seu Mjolnir por causa de um simples sussurro de Nick Fury. Essa primeira história assemelha-se a um prólogo, já que apresenta o ambiente nos preparando para o que está por acontecer na narrativa.

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Novíssimos Vingadores nº 1

Contudo, já podemos perceber logo de início a preocupação do roteirista Jason Aaron em mostrar que independente de ser na Terra (ou em Midgard), seja em Asgárdia, as mulheres acabam encontrando um homem que pretende colocá-las em seu lugar. Ao retornar de seu exílio autoimposto, Odin não demora em tecer críticas ao comando de Freyja, culpando-a pela desgraça de Thor, que teria se tornado fraco por receber afagos em demasia. Mas apesar da fúria de Odin contra Freyja, Thor e até mesmo o Mjolnir, no fim são os afagos que fazem o (ex?) deus do trovão se erguer do seu estado de inércia e agir mais uma vez como herói. Mas não sem antes presenciar um último embate entre Freyja e Odin pelo comando de Asgárdia. Felizmente a deusa não está disposta a aceitar ordens.

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Novíssimos Vingadores nº 1

Na edição seguinte vemos finalmente uma mulher empunhar o martelo, mas não sabemos de quem se trata. Ao mesmo tempo em que tudo é novo, as memórias contidas no Mjolnir a transformam em Thor sem grande esforço e aí eu já visualizei alguns leitores chamando a personagem de Mary Sue, como é de praxe quando uma mulher chuta bundas em histórias de aventura. Mas críticas imaginárias à parte, é interessante ver a personagem se descobrindo como heroína com superpoderes ao mesmo tempo em que age e precisa manter a pose de lutadora durona cheia de frases de efeito.

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Novíssimos Vingadores nº 2

Ao encontrar os gigantes de gelo nos deparamos com mais uma representação do patriarcado, quando Thor é chamada por adjetivos e substantivos tais como coisinha, garotinha magricela (contra quem consideram humilhante lutar) e claro, meretriz e vadia. Outro exemplo é representado pelo vilão Malekith, que está associado aos gigantes e cujas primeiras palavras que dirige a ela são perguntando como deve proceder para encomendar uma Lady Thor para si. Uma curiosidade é que das histórias de Thor contidas nos três primeiros volumes de Novíssimos Vingadores, nenhuma passa no teste de Bechdel, já que as duas únicas mulheres com falas (Freyja e Thor) não se encontram.

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Novíssimos Vingadores nº 2

Não vou me estender na análise porque além disso o texto conteria muitos spoilers. É interessante ver como a personagem lida com o fato de agora ter a posse do martelo de Thor e o roteiro é construído de forma que podemos vê-la como um ser humano, uma guerreira, não como uma femme fatale, um par romântico nem uma donzela em perigo. Ela tem a consciência de que o Mjolnir a escolheu e se empenha para fazer jus a essa escolha. Outro fato que me agradou foram as ilustrações de Russel Dauterman e a colorização de Matthew Wilson, que dão uma aparência limpa à história, com muita composição de luzes e sombras, mas sem comprometer a compreensão do que está sendo retratado.

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Novíssimos Vingadores nº 3

E para quem quiser acompanhar a saga, o quarto volume já está à venda.

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