Top 4: quadrinistas no horror japonês

Lembro de quando comprei meu primeiro mangá de horror. Era numa banca escondida em Florianópolis e com uma vasta opção de títulos. Sim, até meados de 2006 não conhecia em minha cidade natal – Criciúma/SC – uma daquele jeito. O meu deslumbramento foi grande. E eram só quatro prateleiras e algumas caixas que ficavam no chão com quadrinhos antigos ou repetidos. Até hoje eu vou lá, mesmo não sendo a maior que já vi na vida.

No meio disso estava lá o Uzumaki, de Junji Ito. Eu achei sensacional como uma espiral poderia levar aquela loucura na cidade. Mostro até hoje pra qualquer amigo leitor ou não de HQ. Depois dele eu não parei de ler. Era Junji Ito, Hideshi Hino, Suehiro Maruo – títulos que eram mais acessíveis na época…

Mas e as mangakás? Eu tinha lido alguma? Sim. Li. Só que por vezes os nomes japoneses não ajudam a identificar o gênero. Revendo algumas delas, percebo a recorrência das autoras em revistas destinadas à demografia josei (para público feminino adulto). O importante é não se enganar com o recorte, porque conseguem ser bem aterrorizantes sem mostrar litros de sangue.

1. Shi to Kanojo to Boku (Death, She and I), de Madoka Kawaguchi

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O quadrinho conta a história da personagem Yukari que vê fantasmas após sofrer uma doença grave aos 7 anos. Ela os enxerga de várias maneiras em todos os lugares – desde pulando da escada repetidamente, porque não sabe que está morto, até incentivando a morte alheia no metrô. Ela não é a única que os vê, o novo aluno da escola, Yuusaku, também tem a mesma capacidade sobrenatural e, além disso, consegue se comunicar com os animais. Os dois vão aprender juntos a lidar com o que ouvem e vêem, principalmente Yukari que não sabe o que fazer com isso a princípio. Foram publicados 10 volumes (entre 1991-1999) e, em 2012, foi adaptado em um live action.

2. Ijigen Kara no Tayori, de Watari Chie

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Publicado em 1989, explora assombração de mortos em uma das três histórias – First Love. Além do sobrenatural, há um mistério envolvendo um navio em alto mar, em Ghost Ship, e a história de uma linda moça, Sleeping Beauty, mantida em uma casa no meio do nada e em uma montanha. Se quiser uma história sem excesso de cenas de mortes e sangue, como é o caso do subgênero gore, é uma boa leitura, assim como o de Kawaguchi. Watari possui várias narrativas pequenas em um volume, que assim como o resto da produção da autora, é focado em histórias de horror. Ela tem pelo menos 20 mangás do gênero publicados desde o final dos anos 1980.

3. Hell Mother, de Kanako Inuki

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O quadrinho tem apenas um volume com cinco histórias de horror. A autora tem um roteiro bem bizarro, principalmente ao abusar dos semblantes de pavor dos personagens e usar crianças em suas histórias. A história principal, que dá nome ao quadrinho, é sobre duas irmãs, vítimas de perseguição da madrasta ocultista, que deseja matar uma das meninas. Outra história é House que trata de um menino que sofre bullying dos colegas na escola. Ao descobrir a capacidade de se vingar por meio de bonecos e miniaturas produzidos no porão, passa a fazer maldades com seus agressores. Kanako também tem grande parte de sua produção voltada para o gênero de horror – mais de 17 títulos.

4. Pet Shop of Horrors, de Matsuri Akino

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São histórias fechadas publicadas em 10 volumes, entre 1995 a 1998. Fala de um pet shop do conde D que vende animais exóticos na Chinatown de Los Angeles, e seus bichos estão quase sempre ligados a algum caso da polícia. O horror está no desfecho das histórias, quando o comprador do animal não respeita uma das três cláusulas do contrato. São por vezes bem macabras. O mangá teve sequência em 2005 a 2013, com 12 volumes, e também foi adaptado para anime com 4 episódios, em 1999.

NÃO FICA POR AÍ…

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Há uma série de antologias de horror nas quais essas e outras autoras estão presentes. Duas delas são 13-nin no Short Suspense & Horror e Kiss in the Dark. Acredito que essa última seja feita apenas por mulheres para a revista Kiss, em 2004, com histórias de Arita Kei, Kataoka Misao, Kawaguchi Madoka, Naruse Ryouko, Seguchi Keiko, Seki Yoshimi e Watari Chie.

A quantidade de autoras que produzem horror é grande no Japão, apenas trouxe algumas delas para irmos além dos autores mais conhecidos como os que eu comecei a ler.

E NO BRASIL?
Recomendo os quadrinhos: Beladona com roteiro de Ana Recalde e desenho de Denis Mello, A Travessia de Camila Torrano e Dora de Bianca Pinheiro.

Tem mais indicações de quadrinhos de horror? Comentem! <3

2 comentários em “Top 4: quadrinistas no horror japonês

  1. Sugiro também Shinohara Chie! Embora atualmente ela trabalhe com Shoujo e Josei histórico e tal, ela possui uma porção de coletâneas de suspense e terror, fora algumas séries de alguns volumes. Ela trabalha principalmente com o terror subrenatural (fantasmas e espíritos).

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