Topografias

Topografias

Foi num convite recebido para participar de uma mesa redonda que meu percurso se entrecruzou com os vários contidos nas histórias de Topografias. A temática da mesa, “A explosão das publicações independentes feministas”, fez parte de uma série de atrações da Conferência Noise, um pré-evento para o 22º Goiânia Noise Festival, um dos maiores festivais de rock independente que acontecem anualmente em Goiás. A cena dos quadrinhos por aqui, especialmente em Goiânia, ainda é bem pequena e tímida e o reconhecimento da presença e influência feminina neste cenário é mais que justa e muito bem-vinda. Comigo na mesa estavam Beatriz Perini, Sophia Pinheiro na mediação e a Gabi Lovelove6, uma das autoras e organizadoras do Topografias.

topo1

O quadrinho, lançado este ano, conta ainda com Julia Balthazar, Bárbara Malagoli, Taís Koshino, Puiupo e Mariana Paraizo (Mazô) e, conforme a Gabi frisou durante o bate-papo, foi editado 100% por mulheres (com capa de Ingrid Kita e projeto gráfico de Livia Viganó). O Selo Piqui, que dá a chancela para o projeto, é um dos mais atuantes em Brasília e foi criado em 2011 pela Taís Koshino e Livia Viganó.

A sinopse de Topografias afirma que o livro “é uma coletânea de histórias cujo fio condutor é a passagem, o percurso: através dos quadros, lugares improváveis são descobertos, todos eles com uma narrativa estranhamente familiar”. Confesso que, para mim, percorrer as histórias foi um exercício completamente incomum pois elas demandam uma leitura mais atenciosa e interrogativa, devido a seu caráter poético e experimental.

13323181_841444382654705_8363807913349423206_o

Detalhe de “Sátira Latina”, de Mariana Paraizo (Mazô). Fonte: Facebook Selo Piqui

Começo exemplificando esse caminhar mais vagaroso e atento com “Sátira Latina”, de Mariana Paraizo (Mazô). Numa primeira olhada a história pode parecer uma sequência aleatória de páginas com colagens de imagens e textos de jornal. A aparente desconexão, entretanto, vai se diluindo a medida que os sentidos velados das figuras e frases recortadas se sobrepõem. É preciso um olhar atento às fotografias modificadas ao fundo para que aquelas em primeiro plano se revelem: trata-se da reconstrução da tragédia ocorrida na cidade de Mariana no final de 2015, recontada através de notícias publicadas em jornal. Mazô nos oferece, assim, uma perspectiva tanto humana quanto crítica do acontecimento.

13308751_841435902655553_3796584651185919240_o

Detalhe de de “Frumello” (Bárbara Malagoli). Fonte: Facebook do Selo Piqui

Os mundos de “Frumello” (Bárbara Malagoli), “Chuva de verão” (Julia Balthazar), “Teneusca” (Taís Koshino) e “Flagelo” (Puiupo) reúnem textos simples, filosóficos e reflexivos com imagens ora geométricas ora fluidas mas também complexas. Embora personagens e cenários não estejam detalhados, cada novo olhar lançado sobre eles revela algum detalhe não percebido anteriormente.

13323184_841433929322417_1776036802848528537_o

Detalhe de “Árvores” (Gabi Lovelove6). Fonte: Facebook do Selo Piqui

“Árvores” (Gabi Lovelove6) encerra o livro com uma narrativa entremeada em reflexões sobre amor e ciúmes, tendo como pano de fundo a história das Icamiabas – guerreiras índias que viviam em uma aldeia matriarcal na região amazonense.

Topografias é um quadrinho feminino, feminista, poético, filosófico, profundo. Vale a pena se aventurar por seus percursos.

* Dia 03/09, das 18h às 23h vai ocorrer o lançamento de Topografias e Heroínas n’A Bolha Editora. Clique aqui para acessar a página do evento.

* Visite a loja do Selo Piqui para adquirir Topografias e suas demais publicações.

Portfólios e páginas das autoras e artistas citadas:

Ingrid Kita: Tumblr

Beatriz Perini: Site | Tumblr

Sophia Pinheiro: Site

Gabi Lovelove6: Site | Facebook

Julia Balthazar: Tumblr

Bárbara Malagoli: Site

Taís Koshino: Site

Puiupo: Tumblr

Mariana Paraizo (Mazô): Tumblr

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *