Um mangá aqui, uma conversa acolá

“Vocês vão realizar um sonho meu em entrevistar a Erica Awano”, nos escreveu Samanta Coan, do blog Ladys Comics, quando entramos em contato para sermos correspondentes da Gibicon – Convenção Internacional de Quadrinhos, que rolou em Curitiba entre os dias 15 e 17 de julho.

Então essa era nossa missão. Confessamos que ela não foi difícil, pelo contrário. Erica é uma moça super tímida, mas também super acessível. Quando fomos fotografar a oficina de Mangá para o evento, explicamos que gostaríamos de conversar com ela mais tarde para publicar no Ladys.

Pois bem, o mais tarde chegou ao final da tarde de sábado, 16, quando as meninas do Coletivo Ponto50 e Erica se esbarraram dentro do Memorial de Curitiba. No meio da correria e de toda aquela gente, conseguimos sentar e trocar uma ideia. Algumas de nós precisaram sair no meio da entrevista para fotografar as atividades da Gibicon, mas todas demos um jeito de participar um pouco.

Um parêntese: Como a Erica foi convidada a participar da Gibicon? Bem, o pessoal da organização entrou em contato com o consulado e também com o Sidney Gusman (produtor da Maurício de Souza Produções) e ele falou: Erica Awano. Aí, o convite chegou para ela (um pouco antes do convite do Anime Friends – evento que acontece em São Paulo) e Erica disse sim para nós (pura sorte!)

Sobre o evento, ela nos diz, surpreendida: “Tem muita gente, e o pessoal se move, vai de lugar para o outro para participar das atividades. Diferente de São Paulo, que tem que ser concentrado no mesmo lugar, se não ninguém anda”. Na capital paulista, nossa entrevistada revela também que ninguém patrocina esse tipo de eventos e que falta apoio.

Voltando…

Para quem não conhece, Erica Awano é uma desenhista de mangás, neta de imigrantes japoneses (e daí vieram suas primeiras leituras, com mangás vindo do Japão, para que a família não perdesse o contato com a cultura) e tem formação em Letras e Literatura pela USP. Sua carreira quase começou por acaso. “Quando eu estava no terceiro ano de faculdade, aquele que vai ou racha, estávamos numa febre de Cavaleiros do Zodíaco. Entrei em uma banca e encontrei um mangá da Animax, mais bonitinho e tudo. E olha só a ideia que eu tive – aquelas ideias mais sem pé nem cabeça – mandei uma carta pro editor elogiando a revista e um desenho.” – relembra.

Em seguida, a desenhista contou que recebeu um telefonema do editor, Sérgio Peixoto, convidando-a para fazer parte de um fã-clube, que se reunia na Gibiteca. O fã clube era formado por Denise Akemi, Paulo Henrique… “Quem estava lá era 95% do pessoal que lida com mangá hoje”.

Dessas reuniões pro primeiro trabalho de Erica – Jogos do Street Fighter – foi um pulo. Mas ela aprendeu, com este trabalho que ela tinha que usar o próprio traço. “Topei outro trabalho, mas falei que queria usar meu traço. O Peixoto perguntou se eu tinha outro e eu respondi que sim. Depois, me perguntou por que não usei esse traço pra fazer o Street Figther”. Como diz o ditado, vivendo e aprendendo.

Nossa entrevistada também revelou que existe uma clara diferença nas histórias em HQ – incluindo mangá – para meninos e para meninos. Os garotos, segundo ela, se interessam pela aparência, pelo detalhe. Já as meninas se interessam pela história, não tem aquela necessidade, basta ter o formato que identifique. “Se tem uma boa história, a menina presta atenção”. Por isso, e só por isso, que Erica se identifica tão pouco com os quadrinhos americanos, tão cheios de detalhes e corpos perfeitos (com exceção dos quadrinhos de Neil Gaiman).

Ela lembra, com um pouco de graça, que no começo, quando ela entrava em uma Comics Shop, era um espanto e que agora é mais natural. As pessoas estão mais acostumadas do que antes. Mesmo assim, todas nós percebemos que éramos minoria na Gibicon.

Erica lembrou também que não é fácil ser desenhista, embora muitos pensem que sim. “Você passa o dia desenhando, 24 horas. Você vive do trabalho e para o trabalho. Ele tá o tempo todo ali, te cobrando. E quadrinho é um trabalho como outro qualquer, com responsabilidades, chefes, clientes que muitas vezes não sabem o que querem”.

Para finalizar, a desenhista disse que o mercado de quadrinhos é muito competitivo, ainda mais agora, com a internet onde os trabalhos podem e rodam o mundo. “É preciso se atualizar, não é pra qualquer um. Se quer ver se seu trabalho é bom, coloca no DeviantArt. Pode até ter gente te elogiando, mas haverá crítica também.”

8 comentários em “Um mangá aqui, uma conversa acolá

  1. Muito legal saber que existem pessoas que conseguem fazer carreira numa área tão competitiva como a das HQs, e principalmente num nicho menos ainda, o dos mangás. Erica Awano é uma ídola pra todas nós que amamos desenhar e queremos viver disso :)

  2. Lembro q qdo li o Street fighter da Érica Awano… hum… não sabia dizer se era bom ou não ela ter adaptado o traço para aqueles seres super musculosos rs… me pergunto como teria sido mesmo se ela tivesse utilizado o traço mais típico dela tbm ^^

    • Então…. laranja…rs As meninas em Curitiba quem fez a entrevista, porém eu posso te dizer que a última coisa q a Érica fez foi DBrinde – A noiva do Dragão (que eu saiba). ;)

  3. Oi, meninas! Sou do Coletivo Ponto 50! Em uma conversa aleatória com a Erica (enquanto ela desenhava no nosso “caderno de recordações”), ela contou que estava fazendo um trabalho para a Suécia-ou-Suiça que envolvia cavalos. Muitos cavalos. E coisas com cavalos: polo, hipismo…

  4. Ah! Que gracinha! eu não ouvia falar dela há anos. É bom saber que existe alguém nesse país que viva de quadrinhos. Me faz sentir que tb posso hahaha. E é a mais pura verdade quando ela fala “Você passa o dia desenhando, 24 horas…” e mesmo assim nunca está bom o suficiente, é um processo que nunca acaba. Se engana quem acha q desenhar é diversão. se vc não amar, não vai durar nem um mês.

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